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Coluna

Jackson Laurindo

Publicado em 28 de abril de 2026

Zema e os “intocáveis”

Foto: Reprodução

A reação do ministro Gilmar Mendes ao episódio dos “intocáveis” — metáfora com fantoches, usada por Romeu Zema para criticar ministros ligados ao caso do Banco Master — diz muito sobre o momento atual do país. A crítica não foi ao STF como instituição, mas a personagens específicos envolvidos em um escândalo real, um fato concreto. Ainda assim, a resposta veio pesada, flertando com a ideia de limitar e expurgar esse tipo de manifestação.

Foto: Reprodução

E é aí que mora o problema. Quando uma crítica direcionada vira motivo para tentativa de enquadramento, o recado que fica não é de força institucional, mas de intimidação. O efeito prático tende a ser a autocensura: menos gente disposta a questionar, menos debate público qualificado e mais silêncio por medo de consequências. Democracia não combina com “zonas proibidas” de crítica, ainda mais quando se trata de agentes públicos.

No meio disso, Zema cresce. Seu vídeo dos “intocáveis” viralizou, ampliou seu alcance e reforçou sua imagem entre eleitores de direita. Há um ganho claro de visibilidade e conexão com uma parcela do eleitorado que busca alguém fora do eixo tradicional. Mas é preciso calibrar: esse crescimento ainda não o coloca como uma terceira via sólida diante da polarização nacional.

Agora, o Partido Novo chega a um ponto decisivo. Diferente de 2018 e 2022, quando lançou nomes com pouca tração nacional, hoje tem em Romeu Zema um candidato com experiência, visibilidade e resultados concretos. Aceitar uma posição como vice de Flávio Bolsonaro não seria pragmatismo. Seria desistência.

Porque, na prática, significaria reconhecer que, mesmo quando finalmente tem condições de competir, o partido prefere não arriscar. E o risco é claro: deixar de ser uma alternativa para se tornar apenas um satélite do bolsonarismo, orbitando um projeto político alheio, sem voz própria e sem capacidade real de influenciar os rumos do país.

Jackson Laurindo é cientista político, analista do cenário eleitoral da região, de Santa Catarina e do país, e publica periodicamente no Blog do Léo Nunes

As opiniões contidas neste texto não refletem, necessariamente, a posição do Blog do Léo Nunes e são de inteira responsabilidade do autor.

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