domingo, 10 de maio de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Zema e os “intocáveis”

Postado em 28 de abril de 2026
Foto: Reprodução

A reação do ministro Gilmar Mendes ao episódio dos “intocáveis” — metáfora com fantoches, usada por Romeu Zema para criticar ministros ligados ao caso do Banco Master — diz muito sobre o momento atual do país. A crítica não foi ao STF como instituição, mas a personagens específicos envolvidos em um escândalo real, um fato concreto. Ainda assim, a resposta veio pesada, flertando com a ideia de limitar e expurgar esse tipo de manifestação.

E é aí que mora o problema. Quando uma crítica direcionada vira motivo para tentativa de enquadramento, o recado que fica não é de força institucional, mas de intimidação. O efeito prático tende a ser a autocensura: menos gente disposta a questionar, menos debate público qualificado e mais silêncio por medo de consequências. Democracia não combina com “zonas proibidas” de crítica, ainda mais quando se trata de agentes públicos.

No meio disso, Zema cresce. Seu vídeo dos “intocáveis” viralizou, ampliou seu alcance e reforçou sua imagem entre eleitores de direita. Há um ganho claro de visibilidade e conexão com uma parcela do eleitorado que busca alguém fora do eixo tradicional. Mas é preciso calibrar: esse crescimento ainda não o coloca como uma terceira via sólida diante da polarização nacional.

Agora, o Partido Novo chega a um ponto decisivo. Diferente de 2018 e 2022, quando lançou nomes com pouca tração nacional, hoje tem em Romeu Zema um candidato com experiência, visibilidade e resultados concretos. Aceitar uma posição como vice de Flávio Bolsonaro não seria pragmatismo. Seria desistência.

Porque, na prática, significaria reconhecer que, mesmo quando finalmente tem condições de competir, o partido prefere não arriscar. E o risco é claro: deixar de ser uma alternativa para se tornar apenas um satélite do bolsonarismo, orbitando um projeto político alheio, sem voz própria e sem capacidade real de influenciar os rumos do país.

Patrulha digital

Postado em 23 de abril de 2026
Foto: Rodrigo Romeo/Flickr/Alesp

Que se cuidem os prefeitos Maickon Campos Sgrott, de Tijucas, Diogo Francisco Alves Maciel, de Canelinha, Maxiliano de Oliveira, de Nova Trento, e Carlos Alexandre “Xepa” de Souza Ribeiro, de Itapema, assim como os vice-prefeitos Ailto Neckel de Souza, de Porto Belo, e Saulmir Benoni Zunino, de Major Gercino. O segundo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato a senador por Santa Catarina, vem fazendo uma varredura nas redes sociais das principais lideranças do PL que não divulgam a pré-candidatura do irmão, Flávio Bolsonaro, à presidência da República.

“Estou fazendo um levantamento (…) e é estarrecedor perceber que a esmagadora maioria não tem sequer uma postagem sobre o tema há mais de quatro meses”, escreveu Carlos em seu perfil do Instagram. O comentário, a propósito, atinge diretamente os representantes do PL em cargos de maior importância na região, que, de fato, não fizeram referência a Flávio nesse tempo. O majorense Saulmir Zunino, aliás, nem conta nas plataformas sociais tem.

“Se os senhores também perceberem isso na sua cidade, estado e em outros locais, cobrem e exponham respeitosamente, sempre com bom senso. Assim se faz política, se exerce a democracia e se faz grupo, e não oportunidade momentânea. Espero não ter sido agressivo”, completou Carlos – que, pelo menos, quando esteve no Vale do Rio Tijucas, em março, foi recebido e reverenciado por toda a claque do PL regional.

O pré-candidato ao Senado avisou, ainda, que, se preciso, levaria o assunto à executiva do partido “para tentar corrigir o óbvio”.

Recado autocolante

Postado em 26 de março de 2026
Foto: Divulgação

Os dispostos representantes da direita no Vale do Rio Tijucas não abrem mão de mostrar empenho no projeto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência da República nestas eleições. Adesivos com o nome e a foto do pré-candidato passaram a ser distribuídos e orgulhosamente exibidos na traseira dos automóveis de políticos ligados ao movimento, mas também de cidadãos comuns com voz na sociedade.

O registro do empresário Eduardo Machado, o Dudu, com o ex-vereador Fernando Fagundes (PL) – candidato a vice-prefeito de Tijucas em 2024 e assistente de gabinete da Casa Civil estadual –, amplamente compartilhado entre amigos, reforça um dos ativos estratégicos de Flávio que impulsionou a eleição do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2018: o uso planificado das redes sociais.

Nos últimos dias, o presidenciável vem revelando que pretende concentrar cerca de 90% da campanha ao Palácio do Planalto nas plataformas online e pedido para que a militância mantenha o discurso unificado e sem ataques dentro do espectro político. A contar por carros decalcados na região com disseminação no WhatsApp, a mensagem foi prontamente assimilada.