sexta-feira, 25 de setembro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

O fator Augusto Cury

Postado em 1 de setembro de 2026
Foto: Renato Pizzutto/Band

Ainda distante do segundo turno, Augusto Cury (AVANTE) pode se tornar mais importante do que seus números atuais sugerem. A campanha eleitoral no rádio e na televisão começou, e um novo nome ganhou força na última semana para a presidência da República: o dele.

Após sua participação em um debate esvaziado na televisão, Cury conseguiu transformar uma oportunidade aparentemente secundária em projeção nas redes sociais. O resultado foi imediato: crescimento nas pesquisas e a conquista de índices de dois dígitos, ultrapassando candidatos que até então disputavam o espaço da chamada terceira via, como Renan Santos (MISSÃO), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO).

Médico psiquiatra e escritor de grande sucesso editorial, o candidato do AVANTE surge como uma alternativa para um eleitorado que procura escapar da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Seu crescimento evidencia algo que já vinha sendo percebido, mas que ainda precisava ser personificado.

Há uma parcela relevante da população brasileira que é, ao mesmo tempo, anti-Lula e anti-Bolsonaro.

Os números recentes indicam que Cury tem retirado votos dos dois polos, mas principalmente de Flávio Bolsonaro. Esse movimento acende um sinal de alerta na campanha do PL, que precisa consolidar e fidelizar o eleitorado de direita para evitar dispersão.

É evidente que o candidato do AVANTE ainda está distante de ameaçar, diretamente, a presença de Flávio em um eventual segundo turno. Mas seria um erro tratá-lo como irrelevante. Em uma eleição polarizada, alguns pontos percentuais podem ser decisivos — seja para definir quem vai ao segundo turno, ou para determinar quem chega mais forte a ele.

Se continuar crescendo, Cury poderá se tornar mais importante no segundo turno do que aparenta ser hoje no primeiro. Tanto Lula quanto Flávio terão de calibrar seus ataques, evitando transformar o candidato do AVANTE e seus eleitores em adversários irreconciliáveis.

A política costuma ensinar uma lição simples: eleições têm dois tempos. Primeiro, disputa-se o voto. Depois, busca-se apoio.

Como diz uma velha frase atribuída ao mundo político: “nunca ofenda no almoço alguém de quem você pode precisar no jantar.”

Troca de farpas

Postado em 24 de agosto de 2026
Foto: Reprodução/Divulgação

A deputada estadual Ana Paula da Silva (PODE) rebateu, em vídeo, uma manifestação da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) envolvendo o material de campanha da ex-prefeita de Bombinhas, candidata à Câmara Federal nestas eleições.

A discussão se deu porque Júlia questionou a ausência, no santinho de Paulinha, dos nomes de Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência da República e de Caroline De Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) para o Senado. Ela criticou a aliança estadual entre PL e PODEMOS, e classificou o caso como sendo de oportunismo dos podemistas.

Na resposta, a bombinense foi direta ao defender a autonomia das escolhas do PODEMOS em Santa Catarina. “Dos partidos de vocês, cuidem vocês. Do nosso, cuidamos nós!”, declarou.

De acordo com Paulinha, embora exista o interesse em fortalecer as coligações e trabalhar pela eleição dos candidatos aliados, a estratégia eleitoral não precisa necessariamente ser uma imposição. “O mais importante é mostrar resultados, apresentar trabalho e conquistar a confiança das pessoas”, acrescentou.

Brasil congelado e polarizado

Postado em 19 de agosto de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr

Quatro anos depois, a disputa presidencial continua presa à mesma polarização, mas com uma diferença decisiva: o cenário de 2026 é muito mais apertado.

Com o início da campanha eleitoral, fiz o exercício de resgatar as pesquisas realizadas em 2022 e compará-las com os levantamentos de 2026, considerando períodos semelhantes. O resultado chama atenção: os números do primeiro turno são praticamente os mesmos.

Em 2022, Lula (PT) liderava os cenários estimulados de primeiro turno com uma vantagem de 7% sobre o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). No recorte atual, a diferença entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) também tem sido de sete pontos percentuais. Em ambos os casos, os dados considerados são de levantamentos BTG Pactual/Nexus.

A diferença mais significativa, porém, está nos cenários de segundo turno. Em 2022, no início da campanha, Lula apresentava vantagem de 12% sobre Jair Bolsonaro. Mas agora a distância entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro é de apenas 3% — um cenário muito mais próximo de um empate técnico.

O contexto, portanto, parece ter mudado de lado. Na eleição passada, Lula se beneficiou do desgaste acumulado do governo Bolsonaro, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e de seus efeitos econômicos e sociais. Agora, o chamado “telhado de vidro” está sobre seu próprio governo. Pela terceira vez no comando da Nação, o presidente enfrenta o desafio de apresentar algo novo capaz de mobilizar o eleitorado e justificar o desejo por um quarto mandato.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, que em 2022 não conseguiu transformar a força da máquina pública em vitória eleitoral, chega a 2026 tendo consolidado sua influência sobre a direita brasileira e transferido parte significativa de seu capital político para o filho, Flávio, escolhido pelo núcleo familiar para disputar a sucessão.

Mas o candidato do PL não herda apenas o capital político do sobrenome Bolsonaro. Herda também sua rejeição. E esse fator ajuda a transformar a eleição em uma disputa marcada menos pela paixão por um nome e mais pela rejeição ao adversário — o conhecido dilema do “menos pior”.

O fato político mais relevante, portanto, é que o Brasil parece continuar congelado entre o antilulismo e o antibolsonarismo. Uma disputa altamente polarizada, equilibrada e incerta, na qual cada novo acontecimento, declaração ou crise pode alterar os números e, consequentemente, o resultado das eleições.

Ruptura ideológica

Postado em 4 de agosto de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

A advogada Jadna Matias da Silva, de Bombinhas, finalmente revelou os motivos pelos quais declinou da candidatura a deputada federal nestas eleições. A decisão foi tomada semanas antes da convenção do NOVO, mas as razões da desistência, desde então, eram incógnitas.

Sábado (1º), no entanto, assim que os correligionários foram alinhados, ela resolveu se explicar. E as especulações foram confirmadas. A dissidência entre a bombinense e a direção do partido em Santa Catarina foi a causa basal.

O estopim do conflito teria sido o desconvite ao candidato a presidente da República do NOVO, Romeu Zema, para o encontro estadual do partido, no início de julho. A regência novista em Santa Catarina entendeu que as críticas que ele fez ao suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro poderiam tumultuar a aliança local com o PL e melindrar a presença do governador Jorginho Mello (PL) no evento. Jadna, diante do imbróglio, posicionou-se firmemente contra o comando da legenda – do qual, inclusive, era membro, como coordenadora regional na Grande Florianópolis.

Nas redes sociais, a advogada justificou o abandono da candidatura. “Recusei dispensar meu presidente Romeu Zema da campanha em Santa Catarina. Recusei subir em palanque ao lado de figuras que não condizem com os valores que sempre defendi”, publicou.

O texto, além de ratificar o motivo – a defesa circunstancial de Zema –, expõe, de modo sutil, as fissuras acarretadas na gestão estadual do partido. “Sigo no NOVO, alinhada ao diretório nacional e na direção que acredito, sem atalhos que levem ao caminho oposto”, sublinhou Jadna, indicando o rompimento com o núcleo catarinense.

Firme e decidida

Postado em 22 de julho de 2026
Foto: CMT/Divulgação

A vereadora Lizandra Dadam (NOVO), de Tijucas, elucida a nota “Pleito repensado”, de anteontem no Blog, e diz que, apesar do impasse entre a regência do partido e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, segue como pré-candidata a deputada estadual nestas eleições. Ela revela, inclusive, que já enviou toda a documentação para o comando da legenda e que deve confirmar a candidatura em convenção.

A tijuquense foi uma entre muitos novistas de Santa Catarina que defenderam a autonomia de Zema – nas críticas que fez ao suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro – em detrimento da aliança local com o PL. Ao Blog, ela reforça que continua apoiando o mineiro na disputa da presidência da República, e que, ainda que hajam dissidências, o posicionamento da executiva estadual do NOVO não afeta a nominata proporcional. “Não sou de voltar atrás nas minhas decisões”, pontuou.

Na região, Lizandra deve dobrar com o vereador André de Oliveira (NOVO), de Itapema, que vai concorrer a uma cadeira na Câmara Federal.

Pleito repensado

Postado em 20 de julho de 2026
Lizandra, à direita, pode tomar o mesmo caminho de Jadna, a primeira, em apoio a Zema (C) | Foto: Divulgação

A candidatura da vereadora Lizandra Dadam (NOVO), de Tijucas, a deputada estadual nestas eleições, está em xeque. Não porque o partido questione, mas porque ela mesma teria reconsiderado a decisão.

A tijuquense fazia coro na defesa do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), que criticou publicamente o suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro e foi desconvidado do encontro estadual do partido, no início do mês. A regência do NOVO em Santa Catarina entendeu que a presença do líder mineiro pudesse tumultuar a aliança local com o PL. Lizandra, a propósito, não participou do evento.

O imbróglio provocou uma divisão interna no NOVO catarinense. Onze núcleos municipais da legenda, inclusive, protestaram contra o tratamento da executiva estadual a Zema e ameaçaram boicotar o encontro. Poucos, no entanto, cumpriram o aviso.

Por conta da dissidência, a advogada Jadna Matias da Silva (NOVO), de Bombinhas, que era pré-candidata a deputada federal, retirou-se da disputa. Lizandra estava inclinada a fazer o mesmo, mas, até o momento, segue como pré-candidata.

Melancias no caminhão

Postado em 15 de julho de 2026
Imagem gerada em IA

Faltam menos de 30 dias para as convenções, e as melancias vão se acomodando no caminhão. As pré-candidaturas viáveis seguem, e as demais recuam.

Nacionalmente, a chapa Lula (PT) e Alckmin (PSB) permanece intocada. Nesse caso, vale a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”.

À direita, Flávio Bolsonaro (PL) ainda não fechou vice. A crise com a madrasta, Michelle Bolsonaro, faz pressão por uma mulher na chapa. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) tem sido cotada, e aparece como opção mais dócil e subserviente.

Renan Santos (MISSÃO) definiu o tenente-coronel Aroldo Medina (MISSÃO) como vice. Caiado (PSD) fechou com Kassab (PSD) – em chapa puro-sangue que expôs a dificuldade de articulação depois do rompimento com a federação União Progressista (UNIÃO-PP). E a candidatura de Zema (NOVO) ainda aguarda a definição do vice e busca apoio para ser percebida como viável.

…

DISPUTA ESTADUAL

Em Santa Catarina, o tabuleiro está desenhado. Jorginho Mello (PL) busca a reeleição com Adriano Silva (NOVO), o que se pode considerar uma evolução frente à chapa pura de 2022.

João Rodrigues (PSD) lidera a oposição com Carlos Chiodini (MDB) de vice.

À esquerda, Gelson Merisio (PSB) tem Angela Albino (PDT) na chapa – o PT fica fora, mas compondo na corrida ao Senado.

Na prática, as convenções decidem quem fica no caminhão. Depois delas, não cabem mais melancias. As dúvidas parecem estar na disputa pelas vagas ao Senado, mas isso fica para uma próxima coluna.

A camiseta e o tiro no pé

Postado em 27 de maio de 2026
Foto: Vitor Souza/AFP

Flávio Bolsonaro subiu ao palco em Santa Catarina com uma camiseta que dizia “O PIX é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. Dias depois, a imprensa divulgou a troca de mensagens entre o pré-candidato a preseidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ligado a escândalos financeiros.

O slogan envelheceu rápido e Flávio passou a enfrentar uma crise em sua pré-campanha. Mas esse desgaste pode colocar sua candidatura em risco? Acredito que não. Pesquisas que sucederam a polêmica mostram que o impacto se deu principalmente no eleitorado independente — menos ideologizado e mais pragmático. Esses eleitores, porém, não migraram para outro candidato; o número de indecisos, brancos e nulos foi que aumentou.

Ou seja, Flávio caiu, mas Lula não cresceu. Apesar do desgaste, ele dificilmente será ameaçado por outro pré-candidato da direita. A base bolsonarista se mantém fiel ao filho de Jair Bolsonaro e não deve mudar sua posição. Essa base repele qualquer acusação contra Flávio, assim como a base lulopetista rejeitava as acusações contra Lula na Lava Jato. Há uma fatia de eleitores ideologizados praticamente imune a acusações contra políticos de sua preferência.

O problema é que Flávio perdeu eleitores entre aqueles que já desconfiavam dele, mas o viam como a melhor opção. A imagem de alguém contrário ao “sistema” é atingida por um telhado de vidro que o coloca ao lado de figuras repudiadas e amarradas ao banqueiro fraudador.

Com dificuldade para administrar a crise, Flávio viajou aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump. Um desvio estratégico para que se afaste momentaneamente da imprensa e das perguntas sobre Vorcaro. A pré-campanha de Flávio enfrenta um paradoxo: é a que tem melhores condições de enfrentamento a Lula, mas também a mais vulnerável. Sua vidraça segue exposta a novas pedradas, o que pode reduzir as chances de uma vitória da direita, mesmo contra um governo capenga.

Pelotão de frente

Postado em 11 de maio de 2026
Foto: Divulgação

A proximidade entre o empresário Felipe Lemos, presidente do PL em São João Batista, e a família Bolsonaro tem impressionado até mesmo figuras expressivas do partido e lideranças de grandes centros catarinenses. E a relação, de afinidade absoluta, vem se transformando em condições desejadas por muitos políticos de carreira na região.

Defensor declarado da direita e, especialmente, do ex-presidente Jair Bolsonaro, o batistense participou, sábado (9), em pelotão de frente, da recepção, em Florianópolis, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República nestas eleições. E, pela dedicação, pode assumir papel de representante oficial dos Bolsonaro no Vale do Rio Tijucas.

A articulação passa pelas mãos do deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva (PL), de Balneário Camboriú, mas tem anuência da cúpula do partido no estado. Se não surgirem objeções, Lemos deve ser o coordenador regional das campanhas de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado e de Jair Renan Bolsonaro (PL) à Câmara Federal. O anúncio estaria apenas pela batida do martelo.

Zema e os “intocáveis”

Postado em 28 de abril de 2026
Foto: Reprodução

A reação do ministro Gilmar Mendes ao episódio dos “intocáveis” — metáfora com fantoches, usada por Romeu Zema para criticar ministros ligados ao caso do Banco Master — diz muito sobre o momento atual do país. A crítica não foi ao STF como instituição, mas a personagens específicos envolvidos em um escândalo real, um fato concreto. Ainda assim, a resposta veio pesada, flertando com a ideia de limitar e expurgar esse tipo de manifestação.

E é aí que mora o problema. Quando uma crítica direcionada vira motivo para tentativa de enquadramento, o recado que fica não é de força institucional, mas de intimidação. O efeito prático tende a ser a autocensura: menos gente disposta a questionar, menos debate público qualificado e mais silêncio por medo de consequências. Democracia não combina com “zonas proibidas” de crítica, ainda mais quando se trata de agentes públicos.

No meio disso, Zema cresce. Seu vídeo dos “intocáveis” viralizou, ampliou seu alcance e reforçou sua imagem entre eleitores de direita. Há um ganho claro de visibilidade e conexão com uma parcela do eleitorado que busca alguém fora do eixo tradicional. Mas é preciso calibrar: esse crescimento ainda não o coloca como uma terceira via sólida diante da polarização nacional.

Agora, o Partido Novo chega a um ponto decisivo. Diferente de 2018 e 2022, quando lançou nomes com pouca tração nacional, hoje tem em Romeu Zema um candidato com experiência, visibilidade e resultados concretos. Aceitar uma posição como vice de Flávio Bolsonaro não seria pragmatismo. Seria desistência.

Porque, na prática, significaria reconhecer que, mesmo quando finalmente tem condições de competir, o partido prefere não arriscar. E o risco é claro: deixar de ser uma alternativa para se tornar apenas um satélite do bolsonarismo, orbitando um projeto político alheio, sem voz própria e sem capacidade real de influenciar os rumos do país.