quinta-feira, 25 de junho de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

A camiseta e o tiro no pé

Postado em 27 de maio de 2026
Foto: Vitor Souza/AFP

Flávio Bolsonaro subiu ao palco em Santa Catarina com uma camiseta que dizia “O PIX é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. Dias depois, a imprensa divulgou a troca de mensagens entre o pré-candidato a preseidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ligado a escândalos financeiros.

O slogan envelheceu rápido e Flávio passou a enfrentar uma crise em sua pré-campanha. Mas esse desgaste pode colocar sua candidatura em risco? Acredito que não. Pesquisas que sucederam a polêmica mostram que o impacto se deu principalmente no eleitorado independente — menos ideologizado e mais pragmático. Esses eleitores, porém, não migraram para outro candidato; o número de indecisos, brancos e nulos foi que aumentou.

Ou seja, Flávio caiu, mas Lula não cresceu. Apesar do desgaste, ele dificilmente será ameaçado por outro pré-candidato da direita. A base bolsonarista se mantém fiel ao filho de Jair Bolsonaro e não deve mudar sua posição. Essa base repele qualquer acusação contra Flávio, assim como a base lulopetista rejeitava as acusações contra Lula na Lava Jato. Há uma fatia de eleitores ideologizados praticamente imune a acusações contra políticos de sua preferência.

O problema é que Flávio perdeu eleitores entre aqueles que já desconfiavam dele, mas o viam como a melhor opção. A imagem de alguém contrário ao “sistema” é atingida por um telhado de vidro que o coloca ao lado de figuras repudiadas e amarradas ao banqueiro fraudador.

Com dificuldade para administrar a crise, Flávio viajou aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump. Um desvio estratégico para que se afaste momentaneamente da imprensa e das perguntas sobre Vorcaro. A pré-campanha de Flávio enfrenta um paradoxo: é a que tem melhores condições de enfrentamento a Lula, mas também a mais vulnerável. Sua vidraça segue exposta a novas pedradas, o que pode reduzir as chances de uma vitória da direita, mesmo contra um governo capenga.

Pelotão de frente

Postado em 11 de maio de 2026
Foto: Divulgação

A proximidade entre o empresário Felipe Lemos, presidente do PL em São João Batista, e a família Bolsonaro tem impressionado até mesmo figuras expressivas do partido e lideranças de grandes centros catarinenses. E a relação, de afinidade absoluta, vem se transformando em condições desejadas por muitos políticos de carreira na região.

Defensor declarado da direita e, especialmente, do ex-presidente Jair Bolsonaro, o batistense participou, sábado (9), em pelotão de frente, da recepção, em Florianópolis, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República nestas eleições. E, pela dedicação, pode assumir papel de representante oficial dos Bolsonaro no Vale do Rio Tijucas.

A articulação passa pelas mãos do deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva (PL), de Balneário Camboriú, mas tem anuência da cúpula do partido no estado. Se não surgirem objeções, Lemos deve ser o coordenador regional das campanhas de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado e de Jair Renan Bolsonaro (PL) à Câmara Federal. O anúncio estaria apenas pela batida do martelo.

Zema e os “intocáveis”

Postado em 28 de abril de 2026
Foto: Reprodução

A reação do ministro Gilmar Mendes ao episódio dos “intocáveis” — metáfora com fantoches, usada por Romeu Zema para criticar ministros ligados ao caso do Banco Master — diz muito sobre o momento atual do país. A crítica não foi ao STF como instituição, mas a personagens específicos envolvidos em um escândalo real, um fato concreto. Ainda assim, a resposta veio pesada, flertando com a ideia de limitar e expurgar esse tipo de manifestação.

E é aí que mora o problema. Quando uma crítica direcionada vira motivo para tentativa de enquadramento, o recado que fica não é de força institucional, mas de intimidação. O efeito prático tende a ser a autocensura: menos gente disposta a questionar, menos debate público qualificado e mais silêncio por medo de consequências. Democracia não combina com “zonas proibidas” de crítica, ainda mais quando se trata de agentes públicos.

No meio disso, Zema cresce. Seu vídeo dos “intocáveis” viralizou, ampliou seu alcance e reforçou sua imagem entre eleitores de direita. Há um ganho claro de visibilidade e conexão com uma parcela do eleitorado que busca alguém fora do eixo tradicional. Mas é preciso calibrar: esse crescimento ainda não o coloca como uma terceira via sólida diante da polarização nacional.

Agora, o Partido Novo chega a um ponto decisivo. Diferente de 2018 e 2022, quando lançou nomes com pouca tração nacional, hoje tem em Romeu Zema um candidato com experiência, visibilidade e resultados concretos. Aceitar uma posição como vice de Flávio Bolsonaro não seria pragmatismo. Seria desistência.

Porque, na prática, significaria reconhecer que, mesmo quando finalmente tem condições de competir, o partido prefere não arriscar. E o risco é claro: deixar de ser uma alternativa para se tornar apenas um satélite do bolsonarismo, orbitando um projeto político alheio, sem voz própria e sem capacidade real de influenciar os rumos do país.

Patrulha digital

Postado em 23 de abril de 2026
Foto: Rodrigo Romeo/Flickr/Alesp

Que se cuidem os prefeitos Maickon Campos Sgrott, de Tijucas, Diogo Francisco Alves Maciel, de Canelinha, Maxiliano de Oliveira, de Nova Trento, e Carlos Alexandre “Xepa” de Souza Ribeiro, de Itapema, assim como os vice-prefeitos Ailto Neckel de Souza, de Porto Belo, e Saulmir Benoni Zunino, de Major Gercino. O segundo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato a senador por Santa Catarina, vem fazendo uma varredura nas redes sociais das principais lideranças do PL que não divulgam a pré-candidatura do irmão, Flávio Bolsonaro, à presidência da República.

“Estou fazendo um levantamento (…) e é estarrecedor perceber que a esmagadora maioria não tem sequer uma postagem sobre o tema há mais de quatro meses”, escreveu Carlos em seu perfil do Instagram. O comentário, a propósito, atinge diretamente os representantes do PL em cargos de maior importância na região, que, de fato, não fizeram referência a Flávio nesse tempo. O majorense Saulmir Zunino, aliás, nem conta nas plataformas sociais tem.

“Se os senhores também perceberem isso na sua cidade, estado e em outros locais, cobrem e exponham respeitosamente, sempre com bom senso. Assim se faz política, se exerce a democracia e se faz grupo, e não oportunidade momentânea. Espero não ter sido agressivo”, completou Carlos – que, pelo menos, quando esteve no Vale do Rio Tijucas, em março, foi recebido e reverenciado por toda a claque do PL regional.

O pré-candidato ao Senado avisou, ainda, que, se preciso, levaria o assunto à executiva do partido “para tentar corrigir o óbvio”.

Recado autocolante

Postado em 26 de março de 2026
Foto: Divulgação

Os dispostos representantes da direita no Vale do Rio Tijucas não abrem mão de mostrar empenho no projeto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência da República nestas eleições. Adesivos com o nome e a foto do pré-candidato passaram a ser distribuídos e orgulhosamente exibidos na traseira dos automóveis de políticos ligados ao movimento, mas também de cidadãos comuns com voz na sociedade.

O registro do empresário Eduardo Machado, o Dudu, com o ex-vereador Fernando Fagundes (PL) – candidato a vice-prefeito de Tijucas em 2024 e assistente de gabinete da Casa Civil estadual –, amplamente compartilhado entre amigos, reforça um dos ativos estratégicos de Flávio que impulsionou a eleição do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2018: o uso planificado das redes sociais.

Nos últimos dias, o presidenciável vem revelando que pretende concentrar cerca de 90% da campanha ao Palácio do Planalto nas plataformas online e pedido para que a militância mantenha o discurso unificado e sem ataques dentro do espectro político. A contar por carros decalcados na região com disseminação no WhatsApp, a mensagem foi prontamente assimilada.