É o STF, estúpido
Foto: REUTERS/Adriano Machado
Em uma eleição marcada pela polarização ideológica, o Supremo pode ocupar o centro da disputa e transformar 2026 menos em um plebiscito sobre a economia e mais em um julgamento sobre os limites do poder.
“É a economia, estúpido.”
A frase, atribuída a James Carville, estrategista da campanha de Bill Clinton, tornou-se um dos grandes mantras da política eleitoral moderna. A ideia era simples: para o eleitor, emprego, renda, inflação e poder de compra costumam pesar mais do que discursos sofisticados ou disputas ideológicas.
Consolidou-se, assim, quase um consenso: a economia é um dos principais fatores capazes de decidir uma eleição presidencial.
Mas 2026 parece caminhar na direção contrária.
Apesar de o Brasil chegar às urnas com uma divisão ideológica praticamente calcificada, a eleição não está sendo travada, até aqui, em torno de grandes divergências sobre modelos econômicos. O eleitorado já sabe onde cada campo político está – e, em boa medida, já escolheu seu lado.
O grande campo de batalha é outro: o Supremo Tribunal Federal.
A crescente crise de credibilidade, as decisões questionáveis e os escândalos que envolvem membros da Corte e outras autoridades relacionados ao caso do Banco Master trouxeram o STF não apenas para a arena política – onde ele já está há bastante tempo – mas principalmente faz dele um ator determinante para influenciar os caminhos da eleição em outubro.
O ambiente conflituoso dentro do Supremo acaba por tomar conta dos noticiários e pautar as campanhas, onde os candidatos tentam se afastar dos escândalos e dos personagens corrosivos que surgem.
As pesquisas recentes acentuam a disputa acirrada, os favoritos oscilam entre altos e baixos, mostrando que qualquer novo episódio pode influenciar na opinião pública e no resultado da eleição no último instante.
Nesse cenário, a economia continua importante. Mas não será ela quem dará o tom da eleição.
Em 1992, Carville ensinava aos democratas que era preciso olhar para o bolso do eleitor. Em 2026, o Brasil parece estar olhando para a crescente desconfiança sobre o STF e os rumos do poder institucional.
Talvez a frase desta eleição não seja mais “É a economia, estúpido”.
Talvez seja “É o STF, estúpido.”
