terça-feira, 13 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

É o STF, estúpido

Postado em 16 de setembro de 2026
Foto: REUTERS/Adriano Machado

Em uma eleição marcada pela polarização ideológica, o Supremo pode ocupar o centro da disputa e transformar 2026 menos em um plebiscito sobre a economia e mais em um julgamento sobre os limites do poder.

“É a economia, estúpido.”

A frase, atribuída a James Carville, estrategista da campanha de Bill Clinton, tornou-se um dos grandes mantras da política eleitoral moderna. A ideia era simples: para o eleitor, emprego, renda, inflação e poder de compra costumam pesar mais do que discursos sofisticados ou disputas ideológicas.

Consolidou-se, assim, quase um consenso: a economia é um dos principais fatores capazes de decidir uma eleição presidencial.

Mas 2026 parece caminhar na direção contrária.

Apesar de o Brasil chegar às urnas com uma divisão ideológica praticamente calcificada, a eleição não está sendo travada, até aqui, em torno de grandes divergências sobre modelos econômicos. O eleitorado já sabe onde cada campo político está – e, em boa medida, já escolheu seu lado.

O grande campo de batalha é outro: o Supremo Tribunal Federal.

A crescente crise de credibilidade, as decisões questionáveis e os escândalos que envolvem membros da Corte e outras autoridades relacionados ao caso do Banco Master trouxeram o STF não apenas para a arena política – onde ele já está há bastante tempo – mas principalmente faz dele um ator determinante para influenciar os caminhos da eleição em outubro.

O ambiente conflituoso dentro do Supremo acaba por tomar conta dos noticiários e pautar as campanhas, onde os candidatos tentam se afastar dos escândalos e dos personagens corrosivos que surgem.

As pesquisas recentes acentuam a disputa acirrada, os favoritos oscilam entre altos e baixos, mostrando que qualquer novo episódio pode influenciar na opinião pública e no resultado da eleição no último instante.

Nesse cenário, a economia continua importante. Mas não será ela quem dará o tom da eleição.

Em 1992, Carville ensinava aos democratas que era preciso olhar para o bolso do eleitor. Em 2026, o Brasil parece estar olhando para a crescente desconfiança sobre o STF e os rumos do poder institucional.

Talvez a frase desta eleição não seja mais “É a economia, estúpido”.

Talvez seja “É o STF, estúpido.”

Brasil congelado e polarizado

Postado em 19 de agosto de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr

Quatro anos depois, a disputa presidencial continua presa à mesma polarização, mas com uma diferença decisiva: o cenário de 2026 é muito mais apertado.

Com o início da campanha eleitoral, fiz o exercício de resgatar as pesquisas realizadas em 2022 e compará-las com os levantamentos de 2026, considerando períodos semelhantes. O resultado chama atenção: os números do primeiro turno são praticamente os mesmos.

Em 2022, Lula (PT) liderava os cenários estimulados de primeiro turno com uma vantagem de 7% sobre o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). No recorte atual, a diferença entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) também tem sido de sete pontos percentuais. Em ambos os casos, os dados considerados são de levantamentos BTG Pactual/Nexus.

A diferença mais significativa, porém, está nos cenários de segundo turno. Em 2022, no início da campanha, Lula apresentava vantagem de 12% sobre Jair Bolsonaro. Mas agora a distância entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro é de apenas 3% — um cenário muito mais próximo de um empate técnico.

O contexto, portanto, parece ter mudado de lado. Na eleição passada, Lula se beneficiou do desgaste acumulado do governo Bolsonaro, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e de seus efeitos econômicos e sociais. Agora, o chamado “telhado de vidro” está sobre seu próprio governo. Pela terceira vez no comando da Nação, o presidente enfrenta o desafio de apresentar algo novo capaz de mobilizar o eleitorado e justificar o desejo por um quarto mandato.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, que em 2022 não conseguiu transformar a força da máquina pública em vitória eleitoral, chega a 2026 tendo consolidado sua influência sobre a direita brasileira e transferido parte significativa de seu capital político para o filho, Flávio, escolhido pelo núcleo familiar para disputar a sucessão.

Mas o candidato do PL não herda apenas o capital político do sobrenome Bolsonaro. Herda também sua rejeição. E esse fator ajuda a transformar a eleição em uma disputa marcada menos pela paixão por um nome e mais pela rejeição ao adversário — o conhecido dilema do “menos pior”.

O fato político mais relevante, portanto, é que o Brasil parece continuar congelado entre o antilulismo e o antibolsonarismo. Uma disputa altamente polarizada, equilibrada e incerta, na qual cada novo acontecimento, declaração ou crise pode alterar os números e, consequentemente, o resultado das eleições.

Atuação paralela

Postado em 4 de março de 2026
Foto: TopElegance

O vereador Maurício Poli, líder-mor do UNIÃO BRASIL em Tijucas, recebeu um convite – quase convocação – do partido para atuar na coordenação regional dos candidatos unionistas no pleito de 2026. Embora ainda não tenha confirmado, ele sabe da responsabilidade e, internamente, vem preparando o grupo para uma mudança de rota nos próximos meses.

O trabalho demandaria, sobretudo, dedicação máxima ao projeto e, portanto, a cedência da cadeira na Câmara Municipal a um suplente. A vaga seria oferecida ao segundo da lista, Cláudio de Oliveira, uma vez que o substituto imediato José Roberto “Betinho” Giacomossi continuaria, por opção, no comando do Procon municipal. A licença do Legislativo duraria 120 dias.

Assim que se afastar da Câmara, e estiver oficialmente em campanha, as incumbências de Poli seriam principalmente as reeleições de Fábio Schiochet (UNIÃO-SC) para a Câmara Federal e Sérgio Guimarães (UNIÃO) na Alesc, com sobras do fluxo local para Gean Loureiro (UNIÃO), que também deve concorrer ao parlamento catarinense.

Palanque impossível

Postado em 19 de novembro de 2025
Foto: Arquivo

A costura estadual aponta para MDB e PL dividindo o mesmo palanque em 2026, com os emedebistas ocupando a vaga de vice na chapa de Jorginho Mello. Mas, longe da capital, a matemática partidária não se replica com a mesma facilidade. Em cidades como Canelinha e Nova Trento, onde prefeitos são aliados diretos do governador, a aliança não deve alterar a geografia local.

Na Terra de Santa Paulina, por exemplo, uma declaração do ex-prefeito Tiago Dalsasso (MDB) tem dado o que falar. Em entrevista à Rádio Clube de São João Batista, o emedebista foi taxativo. Se for obrigado a dividir palanque com o prefeito Maxiliano de Oliveira (PL), prefere entregar o cargo que ocupa no gabinete do deputado licenciado e secretário de Estado, Jerry Comper, a quem serve como assessor externo.

A fala expôs a impossibilidade de eventual união MDB–PL no município. Para Dalsasso, a equação não fecha – e ele não esteve disposto a suavizar o tom. Disse que não compartilharia palco político “nem sob ameaça de exoneração”.

E foi além. Relembrou o pleito de 2022, mirando diretamente no rival. Contou que na eleição passada, Max era funcionário do governo Carlos Moisés da Silva (então no REPUBLICANOS) e não teria saído de casa para pedir um voto em favor do candidato à reeleição. “Eu pedi. Agora é a vez dele pedir”. No mesmo palanque, jamais.

Alianças estaduais são uma coisa; carregar bandeira no interior, outra completamente diferente.

O cisma azul

Postado em 24 de outubro de 2025
Fotos: Divulgação

Tão habituado a marchar sob a mesma bandeira, o PL catarinense vive agora um racha que promete ecoar no Vale do Rio Tijucas. No centro da disputa está o nome da deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) — até pouco tempo unanimidade entre prefeitos da região como escolha natural para o Senado — e o governador Jorginho Mello (PL), que decidiu antecipar o jogo e declarar preferência por outro nome na corrida de 2026.

Entre a cruz e a espada, as lideranças do Vale precisarão de mais que prudência. Será preciso cálculo político e sangue frio. Como o Blog já havia adiantado, nomes como Maickon Campos Sgrott (PP), de Tijucas, Diogo Francisco Alves Maciel (PL), de Canelinha, Joel Orlando Lucinda (MDB) e o vice Ailto Neckel de Souza (PL), de Porto Belo, Carlos Alexandre “Xepa” de Souza Ribeiro (PL), de Itapema, e Alexandre da Silva (PSD), de Bombinhas, alinharam-se à parlamentar. Todos, até aqui, seguem firmes na defesa de Carol.

Mas o tabuleiro virou quando Jorginho anunciou publicamente apoio a Carlos Bolsonaro (PL) para o Senado, em dobradinha com Esperidião Amin (PP). A reação de De Toni foi imediata e pública. Em entrevista a uma rádio de Xanxerê, ela declarou que será candidata ao Senado mesmo que precise deixar o PL. A deputada revelou que o governador, pessoalmente, havia lhe prometido a vaga olhando em seus olhos e na sua casa.

O enredo ganhou mais tempero quando Carlos Bolsonaro compartilhou, em suas redes, um vídeo de apoio à própria De Toni, declarando que ambos pretendem “quebrar algumas barreiras juntos”. A mensagem, ainda que ambígua, colocou mais uma brasa no fogo já aceso entre a base do governador e a ala fiel à deputada.

Enquanto o embate se desenrola em escala estadual, os prefeitos da região ficam em sinuca de bico. A quem seguir? Ao governador, que distribui as chaves do cofre estadual, ou à deputada que conquistou o eleitorado com discurso ideológico e lealdade à família Bolsonaro?

A resposta, por enquanto, está no campo das apostas.

Leia mais sobre a polêmica: 

Água no chopp

Água no chopp

Postado em 21 de outubro de 2025
Fotos: Divulgação

Ao que tudo indica, o movimento articulado por prefeitos da região em torno da deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) — capitaneado por nomes como Maickon Campos Sgrott (PP) de Tijucas, Diogo Alves Maciel (PL) de Canelinha, Joel Orlando Lucinda (MDB) e seu vice Ailto Neckel de Souza (PL), de Porto Belo, além de Alexandre da Silva (PSD), de Bombinhas — deve perder fôlego antes mesmo de decolar.

O motivo? O governador Jorginho Mello (PL) jogou um balde de água fria na articulação ao confirmar que o nome para o Senado em sua chapa de reeleição será Carlos Bolsonaro (PL). Sem meias palavras, o chefe do Executivo estadual destacou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro lidera todas as pesquisas internas e, portanto, é “candidato natural” ao cargo.

Apesar de não poupar elogios a De Toni, que vinha sendo a aposta preferida dos prefeitos locais, Jorginho foi categórico: o segundo espaço da majoritária ficará com o senador Esperidião Amin (PP-SC). E ainda trouxe um novo ingrediente à disputa. O posto de vice, segundo ele, será destinado ao MDB, numa composição que reforça o pragmatismo político do governador e amplia o arco de alianças.

Nos bastidores, a fala de Jorginho caiu como uma ducha gelada entre os apoiadores de Carol. Irritados com o veto velado à candidatura da deputada, aliados teriam ventilado a possibilidade de sua migração para o NOVO, com eventual apoio à candidatura de João Rodrigues (PSD), caso o PL mantenha as portas fechadas. A própria parlamentar, em declarações recentes, admitiu que não descarta a mudança para garantir espaço na disputa.

Com o cenário cada vez mais desenhado, restará aos prefeitos da região, especialmente os do PL, aguardar o desenrolar e, talvez, contentarem-se com o que vier da cúpula estadual. A política, afinal, também é um jogo de hierarquias e tempos e, por ora, o poder está nas mãos de Jorginho.

Saiba mais sobre o apoio dos prefeitos da região:

Desagravo

Coração dividido

Postado em 21 de maio de 2025
Foto: Léo Nunes

Seria uma mão na roda para o ex-vereador Fernando Fagundes (PL), de Tijucas, candidato a vice-prefeito em 2024, se o secretário de Estado da Infraestrutura e deputado estadual licenciado Jerry Comper (MDB) concorresse à Câmara Federal, como se especula, nas próximas eleições. Dessa forma, o tijuquense, celebrado por relações importantes no Estado inteiro, poderia contentar a gregos e troianos.

Agora assistente de gabinete na Casa Civil estadual, posto que teve abonação do governador Jorginho Mello (PL), Fagundes teria um compromisso de apoio à reeleição do deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva (PL), com quem estreitou laços ultimamente. A situação se complicaria, no entanto, caso Comper, da sua lista de prioridades, decidisse disputar o mesmo cargo.

Com os favoritos em ações eleitorais distintas e casadas, a dobradinha de 2026, para ele, seria certeira e conveniente.