Luan Lucas
O desafio de Amin em Canelinha
Foto: Senado Federal/Divulgação
Dono de um currículo invejável na política, o senador Esperidião Amin Helou Filho (PP-SC) pode enfrentar, em 2026, uma das eleições mais difíceis de sua trajetória. Embora inicialmente contasse com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o catarinense, ao que tudo indica, ficará fora da chapa do governador Jorginho Mello (PL), que terá — se nada mudar até lá — o ainda prefeito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), como candidato a vice-governador, e a deputada federal Caroline De Toni (PL) e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), como postulantes ao Senado. No entanto, a briga por espaço não é o único problema.
Foto: Senado Federal/DivulgaçãoCom quase 60 anos de vida pública, poucos catarinenses vivos podem dizer que nunca votaram em Esperidião Amin. Vejamos:
Canelinha, no Vale do Rio Tijucas, sempre entregou boas votações ao senador. Segundo números do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina), entre 1990 e 2022, o progressista recebeu 16.491 votos. Um número extraordinário para um município que chegou, em 2024, a pouco mais de 10,4 mil eleitores.
O retrospecto, em 2026, pode mudar. Recentemente, na Câmara de Vereadores, dois parlamentares canelinhenses criticaram publicamente o senador, embora admitissem que votaram nele em diferentes eleições. O presidente do Legislativo, Jackson Miguel Machado (PL), chegou a usar o trocadilho: “Amin (a mim) não engana mais”.
Os autores das reclamações afirmam que são mal recebidos, tanto pelo senador quanto por sua equipe, durante visitas a Brasília. Criticam, ainda, a distribuição de recursos, direcionada quase exclusivamente a quem esteja filiado ao PP. “Sempre foi bem votado em Canelinha; deveria mandar recursos para o município, e não para o partido”, pontuam.
Voltemos aos números. Em 2022, quando Esperidião Amin concorreu ao Senado, recebeu 2.341 sufrágios canelinhenses, algo superior a 21% dos votos válidos daquele pleito.
De volta ao parlamento canelinhense, o experiente vereador Eloir João Reis (PSD), o Lico, saiu em defesa de Amin após as críticas. “Sempre fui bem recebido e serei novamente quando for a Brasília neste ano. Foi o melhor governador que Santa Catarina já teve”, frisou o ex-prefeito.
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OLHO NO VAR
A declaração não agradou muito. Isso porque os colas-brancas mais atentos e magoados não esquecem que Lico, em 2006, então prefeito de Canelinha, declarou timidamente apoio ao projeto de reeleição de Luiz Henrique da Silveira, do arquirrival PMDB (hoje MDB), justamente contra Esperidião Amin, em um movimento até hoje não esclarecido. “Luiz Henrique sempre me atendeu bem”, justifica.
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E O AMIN?
Se Amin repetirá as boas votações na Terra das Cerâmicas no pleito que se avizinha, só o tempo dirá. Mas, ao que tudo indica, o cenário pode não ser tão favorável quanto o de outrora. Veremos.
Luan Lucas é jornalista por vocação, mas atua no mercado publicitário. Natural de Tijucas, morador de Canelinha, é um pesquisador e observador dos meandros da política regional, técnico e apurado, e publica quinzenalmente no Blog do Léo Nunes.
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