terça-feira, 13 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Última semana: certezas incertas

Postado em 28 de setembro de 2026
Foto: Reprodução

Jorginho parece se garantir já no primeiro turno, o Senado virou uma guerra de dois votos e a disputa presidencial chega à reta final sem dono.

A última semana antes do primeiro turno chega com certezas e incertezas na corrida eleitoral.

Em Santa Catarina, pesquisas indicam a possibilidade, quase certa, de uma vitória em primeiro turno do governador Jorginho Mello (PL). A “certeza” de um segundo turno parece, até aqui, limitada ao discurso das campanhas adversárias.

E se na disputa pelo Governo o embate é morno, na corrida pelo Senado o clima incendiou. Com um cenário totalmente incerto, todos mantêm a esperança de estar entre as duas vagas. As pesquisas consolidaram três principais nomes: Carol De Toni (PL), Esperidião Amin (PP) e Carlos Bolsonaro (PL).

O acirramento entre Carlos e Amin deu novo tom à disputa. Enquanto o candidato do PL usa sua expertise nas redes sociais, mobilizando apoiadores de outros estados para “aconselhar e ensinar” os catarinenses a escolhê-lo, o ex-governador usa debates e sabatinas para retrucar o adversário e ironizar sua ausência nesses espaços.

Enquanto a direita catarinense briga, a esquerda tenta fazer crer que é possível sonhar com uma vaga para Décio Lima (PT), confiando que o desempenho de Lula (PT) em SC seria replicado pelo candidato petista ao Senado. Condição que as pesquisas até aqui não parecem apontar.

Mas é fato que a maioria dos eleitores ainda não decidiu em quem votar para senadores.

O pior cenário para Carlos seria o chamado “voto útil” contra ele: o segundo dos eleitores de esquerda direcionado a Amin, fortalecendo o tradicional rival da esquerda catarinense, que talvez prefira conviver com quem já conhece a ter outro Bolsonaro no Senado.

Na presidência, a única certeza é a possibilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Quem vencerá o primeiro turno e as eleições, porém, é a mais absoluta incerteza.

Flávio herdou os votos e a rejeição do pai, tornando-se um candidato competitivo e, ao mesmo tempo, vulnerável.

A campanha de Lula sentiu o impacto da crise no STF e correu para tirar da cartola os truques possíveis a menos de 15 dias do primeiro turno: aumento do Bolsa Família, canetas emagrecedoras no SUS e proibição das apostas online.

Na reta final, algumas certezas parecem cada vez menos certas, enquanto as incertezas ganham espaço. E serão os eleitores ainda indecisos que poderão definir os rumos das urnas.

Marcação de território

Postado em 18 de setembro de 2026
Foto: Divulgação

O senador e candidato à reeleição Esperidião Amin (PP-SC) esteve hoje no Vale do Rio Tijucas. Visitou, principalmente, redutos do PP e apoiadores costumazes, como o ex-vereador e ex-secretário municipal de Tijucas, Helio Gama.

Aliás, o descolamento da campanha de João Rodrigues (PSD), a quem se aliou por conformidade partidária nestas eleições, tem sido um procedimento estratégico na agenda de Amin pelo estado. A fragmentação do partido entre o projeto do ex-prefeito de Chapecó e a reeleição do governador Jorginho Mello (PL) teria provocado a rota independente do único que, para os progressistas, é unanimidade.

Dias atrás, inclusive, um grupo de candidatos a deputados estaduais e federais do PP exigiram que, na propaganda obrigatória, na televisão, houvesse apenas o nome e o número do senador no set. Portanto, sem a publicidade para o candidato a governador da aliança.

Gama, a propósito, não esconde que seja um destes. Vota e trabalha por Amin, mas quer, publicamente, a continuidade da gestão de Jorginho – com quem construiu relação estreita nos tempos de Besc (Banco do Estado de Santa Catarina).

Nas duas aparições de João Rodrigues na região, embora anunciado, Amin faltou. As alegações foram de incompatibilidade nas agendas. Mas, dada a heterogeneidade do partido, e hors-concours em política catarinense que é, percebe-se claramente que o senador tem apostado na autossuficiência.

Fiel da balança

Postado em 28 de julho de 2026
Foto: Divulgação

O nome do ex-deputado federal Rogério “Peninha” Mendonça (MDB), natural de Nova Trento, morador de Porto Belo, ganhou força nas internas do partido para ser o candidato a suplente de Esperidião Amin (PP) na corrida ao Senado. Na reunião da executiva emedebista, ontem, a ideia foi aprovada.

A dificuldade seria convencer o deputado estadual Volnei Weber (MDB), que abdicou de disputar a reeleição para trabalhar nos bastidores a formação da dupla com Amin nestas eleições. Existe, portanto, se não houver acordo, a possibilidade de ambos concorrerem à vaga na convenção do partido, sábado (1º).

A polarização nacional, e a tendência conservadora dos eleitores catarinenses, contudo, seriam o trunfo de Peninha. O neotrentino tem muita proximidade com Jair Bolsonaro (PL) e trouxe o ex-presidente algumas vezes para Santa Catarina. O comando do MDB avalia que a identificação do ex-deputado federal com o eleitor de direita pode fazer diferença.

Plano regional

Postado em 23 de julho de 2026
Foto: Divulgação

O pré-candidato a governador João Rodrigues (PSD) cumpre roteiro, hoje, no Vale do Rio Tijucas. Com o companheiro de chapa Carlos Chiodini (MDB) mais os postulantes do grupo ao Senado, Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB), ele tem agendas em Tijucas, Canelinha, São João Batista e Nova Trento.

Com esse itinerário, o ex-prefeito de Chapecó chega, nesta semana, a 100 municípios catarinenses visitados na pré-campanha. Ontem, ele esteve, com a mesma turma, em Itapema; e amanhã termina o plano regional em Balneário Camboriú.

O destaque, no Vale, deve ser a passagem por São João Batista, hoje, às 19h30, na Sociedade Recreativa 19 de Julho, com palanque montado e convite à comunidade. As honras, em casa, são do ex-prefeito Daniel Netto Cândido (PSD), que vai coordenar a campanha de Rodrigues na região.

Senado à parte

Postado em 24 de junho de 2026
Foto: Fernanda Mieko/Divulgação

Embora participem de alas diferentes no MDB, a parceria entre o suplente de deputado estadual Emerson Stein e o pré-candidato do partido ao Senado, Antídio Lunelli, foi reconfigurada. O portobelense anunciou publicamente apoio ao correligionário, independentemente das dissenções sobre o governo.

Ainda que Lunelli componha a chapa de João Rodrigues (PSD) e Stein defenda a proposta de reeleição do governador Jorginho Mello (PL), o partidarismo, nesse caso, falou ais alto. O jaraguaense consolidou, recentemente, o time de postulantes na eleição majoritária em favor do pessedista, com Esperidão Amin (PP) também ao Senado e Carlos Chiodini (MDB) como pré-candidato a vice-governador.

O ex-prefeito de Porto Belo, a propósito, não foi o único da claque pró-Jorginho a fechar questão com Lunelli. O titular da cadeira ocupada por Stein na Alesc em dois anos de legislatura, Jerry Comper, fez o mesmo movimento.

Inimigos íntimos

Postado em 14 de maio de 2026
Foto: Léo Nunes

De todos os inusitismos do alinhamento entre PSD, MDB e PP – que reveste a pré-campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo estadual – as junções de figuras heterogêneas, historicamente divergentes nos municípios, têm chamado atenção. E ontem, em Tijucas, as excentricidades foram elevadas ao primeiro nível.

Nunca se imaginou que os ex-prefeitos Elmis Mannrich (MDB) e Eloi Mariano Rocha (PSD) pudessem, em qualquer cenário, frequentar o mesmo palanque. Era impossível, para qualquer militante ou observador curioso, romper o passado, de embates acirrados e acusações severas, com tamanha facilidade. Mas eles tiraram de letra – com espasmos isolados de constrangimento, a bem da verdade.

A iniciativa, de acordo com relatores da linha do tempo, teria sido de Mariano Rocha, que telefonou para Mannrich nas vésperas do encontro e pediu para “reunir a liderança do MDB” na recepção. Durante o evento, os rivais estiveram quase sempre juntos. O incômodo do emedebista, entretanto, era nítido.

O embaraço foi habilidosamente desfeito por Rodrigues, que, ao posicionar os ex-prefeitos na dianteira do palco, ficou entre eles e disse que era “para não dar briga”. As risadas dos presentes suavizaram o clima, que ganhou ainda mais cordialidade nos aplausos dos colas-brancas ao manifesto ardoroso de Mannrich em favor da reeleição de Esperidião Amin (PP) ao Senado. Pois então!

…

NA HISTÓRIA

Embora pareça estranho, a mistura entre agremiações – e líderes – desconformes em Tijucas teve outros capítulos. O próprio MDB, com Valério Tomazi, venceu uma eleição, em 2012, aliado ao PSD, com representação do candidato a vice-prefeito Ailton Fernandes. A diferença, na ocasião, foi que os colas-brancas não acompanharam a proposta e se uniram a Adalto Gomes (PT) na trincheira rival.

Em condição muito semelhante à atual, o advogado Marcio Rosa, presidente do MDB tijuquense em 2010, chegou a coordenar a campanha de Raimundo Colombo (no extinto DEM) ao governo estadual na região. Naquela feita, parte da liderança historicamente rival se uniu, embora outra parcela dos colas-brancas, de militância mais conservadora, houvesse acompanhado a candidatura de Ângela Amin (PP) e recusado a tríplice-aliança instruída por Luiz Henrique da Silveira (MDB).


No registro histórico, réquiem a personagens icônicos e inspiradores da política catarinense, como Luiz Henrique da Silveira, e local, a exemplo dos citados Adalto Gomes e Marcio Rosa, que, ainda que tenham partido, continuam nas nossas melhores referências

Convocação

Postado em 4 de maio de 2026
Foto: PP/Divulgação

Chefe de gabinete do deputado estadual Altair Silva, de Major Gercino, o jornalista André Callai, pré-candidato a deputado federal nestas eleições, foi um dos seletos convidados do PP nacional para a gravação de um vídeo institucional do partido em Brasília, semana passada.

A comitiva catarinense contou, ainda, com o senador e pré-candidato à reeleição Esperidião Amin – claro! – e com o vereador Jean Pirola, de Brusque, que deve, assim como Callai, concorrer a uma vaga na Câmara Federal.

Outras figuras de destaque na legenda, convidadas a participar da gravação, foram a senadora Tereza Cristina, o deputado federal Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde, o delegado Guilherme Derrite, pré-candidato a senador por São Paulo, e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão.

A ideia é que o material, que reuniu progressistas de diferentes estados brasileiros, amplie o diálogo entre as lideranças, fortaleça a presença regional no PP e consolide a articulação nacional.

Homilia

Postado em 9 de abril de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

Se o senador Esperidião Amin (PP-SC) tem a oratória – impecável, diga-se de passagem – como uma das suas ferramenta de sucesso eleitoral, faltou espaço na gravação do vereador Eloir João Reis (PSD), de Canelinha, para que ele pudesse exibir esse dote. Em vídeo de 2 minutos e 35 segundos, filmado ontem em Brasília, o canelinhense falou exatos 1 minuto e 46 segundos antes que o ex-governador de Santa Catarina tivesse a vez. Até abraço para o pai, Seu Osni, Lico mandou, sob olhar jocoso do anfitrião.

Espirituoso, Amin agradeceu o “sermão” do vereador e, no pouco tempo que restou, destacou a relação com Canelinha e disse que analisaria “com o dever e o carinho de sempre” os pleitos da comitiva da Cidade das Cerâmicas.

Ao lado de Lico, na visita ao senador, estiveram os vereadores Fabrícia da Silva Betinelli (MDB), Robinson Carvalho Lima (UNIÃO) e David Leal (MDB). Os três, a propósito, durante a homilia do Cabeça Branca, não deram um pio – porque não quiseram ou porque, assim como Amin, não puderam.

Dividir para enfraquecer

Postado em 27 de março de 2026
Foto: Divulgação

Grandes estrategistas da história como Sun Tzu, Júlio César e Nicolau Maquiavel tinham em seu repertório de artimanhas o uso do método “dividir para enfraquecer”. E esse parece ser o plano adotado pelo governador Jorginho Mello (PL) para neutralizar possíveis adversários nas eleições de 2026.

O encerramento da janela partidária, na próxima semana, dará maior clareza sobre o quanto essa proposta foi — ou não — bem-sucedida. Mas até aqui, os sinais são favoráveis ao chefe do Executivo catarinense.

O “chega pra lá” dado no MDB — que sonhava ocupar a vaga de vice-governador — rachou o partido. Parte da bancada já declara apoio a Jorginho, como Jerry Comper e Emerson Stein, ainda que oficialmente possam integrar a chapa de João Rodrigues (PSD).

O convite a Adriano Silva (NOVO) para ser vice retirou o prefeito de Joinville de uma eventual candidatura ao governo do estado e fez cessar as críticas do presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, que teve de engolir alguns sapos para manter o NOVO unido.

O UNIÃO BRASIL, federado ao PROGRESSISTAS, também assiste parte de sua bancada migrar para a órbita de Jorginho, enquanto seu presidente, Fabio Schiochet, senta à mesa com João Rodrigues para negociar uma aliança.

O PP parece ser a sigla mais abalada pelas investidas do governador. O senador e pré-candidato Esperidião Amin chegou ao ponto de derrubar a executiva estadual e assumir pessoalmente a presidência do partido em Santa Catarina — com aval do presidente nacional
Ciro Nogueira —, em resposta ao movimento de uma ala que declarou apoio à reeleição de Jorginho.

No PSD, partido de João Rodrigues — que deve disputar com Jorginho tanto o título de maior nome bolsonarista de Santa Catarina quanto o cargo de governador —, a estratégia do divide e conquista levou o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, a partir para o ataque contra a legenda que o projetou politicamente.

Diante de tantas fraturas partidárias, resta saber como os próprios membros do PL e seus satélites — REPUBLICANOS e PODEMOS — se comportarão com a chegada de uma variedade enorme de novas lideranças disputando atenção e espaço junto ao governador em ano eleitoral.

Orgulho suprapartidário

Postado em 27 de fevereiro de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Chateada, conforme se definiu, a vereadora Maria Edésia da Silva Vargas (PP) usou a tribuna do Legislativo tijuquense para responder publicamente as críticas dos colegas Esaú Bayer (PL) e Renato Laurindo Júnior (PL) sobre sua relação com lideranças do PT em Santa Catarina. “Tenho orgulho da minha história”, pontuou, antes de dizer que “sempre deixou rastros de amizade por onde passou”, em referência clara ao período em que esteve filiada ao PT e ao vínculo que manteve com figuras basais do partido.

Déda elencou, ainda, personagens cruciais no R$ 1,75 milhão que conquistou em emendas para o município nestes 14 meses de legislatura, e destacou, sem qualquer desaire, a deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC), com quem conseguiu quase metade desse montante. Os outros citados foram o senador Esperidião Amin (PP-SC) e o deputado estadual Altair Silva (PP).

“Saio com sentimento de dever cumprido”, finalizou a parlamentar – em recado com endereço certo –, que deixa a Câmara nos próximos dias para assumir o comando da Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Direitos Humanos.