terça-feira, 19 de maio de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Inimigos íntimos

Postado em 14 de maio de 2026
Foto: Léo Nunes

De todos os inusitismos do alinhamento entre PSD, MDB e PP – que reveste a pré-campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo estadual – as junções de figuras heterogêneas, historicamente divergentes nos municípios, têm chamado atenção. E ontem, em Tijucas, as excentricidades foram elevadas ao primeiro nível.

Nunca se imaginou que os ex-prefeitos Elmis Mannrich (MDB) e Eloi Mariano Rocha (PSD) pudessem, em qualquer cenário, frequentar o mesmo palanque. Era impossível, para qualquer militante ou observador curioso, romper o passado, de embates acirrados e acusações severas, com tamanha facilidade. Mas eles tiraram de letra – com espasmos isolados de constrangimento, a bem da verdade.

A iniciativa, de acordo com relatores da linha do tempo, teria sido de Mariano Rocha, que telefonou para Mannrich nas vésperas do encontro e pediu para “reunir a liderança do MDB” na recepção. Durante o evento, os rivais estiveram quase sempre juntos. O incômodo do emedebista, entretanto, era nítido.

O embaraço foi habilidosamente desfeito por Rodrigues, que, ao posicionar os ex-prefeitos na dianteira do palco, ficou entre eles e disse que era “para não dar briga”. As risadas dos presentes suavizaram o clima, que ganhou ainda mais cordialidade nos aplausos dos colas-brancas ao manifesto ardoroso de Mannrich em favor da reeleição de Esperidião Amin (PP) ao Senado. Pois então!

NA HISTÓRIA

Embora pareça estranho, a mistura entre agremiações – e líderes – desconformes em Tijucas teve outros capítulos. O próprio MDB, com Valério Tomazi, venceu uma eleição, em 2012, aliado ao PSD, com representação do candidato a vice-prefeito Ailton Fernandes. A diferença, na ocasião, foi que os colas-brancas não acompanharam a proposta e se uniram a Adalto Gomes (PT) na trincheira rival.

Em condição muito semelhante à atual, o advogado Marcio Rosa, presidente do MDB tijuquense em 2010, chegou a coordenar a campanha de Raimundo Colombo (no extinto DEM) ao governo estadual na região. Naquela feita, parte da liderança historicamente rival se uniu, embora outra parcela dos colas-brancas, de militância mais conservadora, houvesse acompanhado a candidatura de Ângela Amin (PP) e recusado a tríplice-aliança instruída por Luiz Henrique da Silveira (MDB).


No registro histórico, réquiem a personagens icônicos e inspiradores da política catarinense, como Luiz Henrique da Silveira, e local, a exemplo dos citados Adalto Gomes e Marcio Rosa, que, ainda que tenham partido, continuam nas nossas melhores referências

O dilema de Chiodini no MDB

Postado em 30 de abril de 2026
Foto: Divulgação

No dia seguinte a um encontro que reuniu lideranças do MDB favoráveis a uma aliança com o governador Jorginho Mello, o presidente do partido, Carlos Chiodini, publicou uma carta aos emedebistas.

O texto é, antes de tudo, um gesto político raro: expor publicamente uma crise interna sem eufemismos. Ao reconhecer o “apequenamento” do MDB em Santa Catarina, Chiodini rompe com o silêncio estratégico que costuma ocultar fragilidades. Há mérito nisso: o debate é colocado no centro — a sobrevivência e o futuro do partido.

O diagnóstico é consistente. Os resultados eleitorais recentes indicam perda de protagonismo, espaço institucional e identidade política. Essa crise, porém, não é nova. Tem raízes na dificuldade histórica de reconstruir uma liderança unificadora após a morte de Luiz Henrique da Silveira, que funcionava como eixo de coesão. Sua ausência abriu um vácuo nunca plenamente preenchido, alimentando disputas internas e fragmentação.

A carta ganha densidade, mas também levanta dúvidas. Ao denunciar a crise, Chiodini se posiciona como possível agente da reconstrução. Surge então a questão central: reconhecer o problema é suficiente para liderar a solução?

Sua trajetória e lealdade têm peso, mas reunificar o MDB exige mais: articulação ampla, autoridade reconhecida e capacidade de impor um projeto coletivo acima de interesses individuais. O próprio texto revela um partido dividido, com decisões isoladas.

Há, ainda, um risco: ao criticar alianças e movimentos internos, o diagnóstico pode ser correto, mas sem se transformar em convergência prática tende a aprofundar divisões. Em partidos heterogêneos, a linha entre liderança firme e isolamento é tênue.

No fim, a carta explicita a encruzilhada: retomar protagonismo ou aceitar a irrelevância. A dúvida que permanece é se o próprio Chiodini reúne as condições políticas necessárias para cumprir esse papel, ou se sua manifestação, apesar de corajosa, será apenas mais um capítulo no longo processo de crise do MDB catarinense.

O desafio de Amin em Canelinha

Postado em 26 de fevereiro de 2026
Foto: Senado Federal/Divulgação

Dono de um currículo invejável na política, o senador Esperidião Amin Helou Filho (PP-SC) pode enfrentar, em 2026, uma das eleições mais difíceis de sua trajetória. Embora inicialmente contasse com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o catarinense, ao que tudo indica, ficará fora da chapa do governador Jorginho Mello (PL), que terá — se nada mudar até lá — o ainda prefeito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), como candidato a vice-governador, e a deputada federal Caroline De Toni (PL) e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), como postulantes ao Senado. No entanto, a briga por espaço não é o único problema.

Com quase 60 anos de vida pública, poucos catarinenses vivos podem dizer que nunca votaram em Esperidião Amin. Vejamos:

Canelinha, no Vale do Rio Tijucas, sempre entregou boas votações ao senador. Segundo números do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina), entre 1990 e 2022, o progressista recebeu 16.491 votos. Um número extraordinário para um município que chegou, em 2024, a pouco mais de 10,4 mil eleitores.

O retrospecto, em 2026, pode mudar. Recentemente, na Câmara de Vereadores, dois parlamentares canelinhenses criticaram publicamente o senador, embora admitissem que votaram nele em diferentes eleições. O presidente do Legislativo, Jackson Miguel Machado (PL), chegou a usar o trocadilho: “Amin (a mim) não engana mais”.

Os autores das reclamações afirmam que são mal recebidos, tanto pelo senador quanto por sua equipe, durante visitas a Brasília. Criticam, ainda, a distribuição de recursos, direcionada quase exclusivamente a quem esteja filiado ao PP. “Sempre foi bem votado em Canelinha; deveria mandar recursos para o município, e não para o partido”, pontuam.

Voltemos aos números. Em 2022, quando Esperidião Amin concorreu ao Senado, recebeu 2.341 sufrágios canelinhenses, algo superior a 21% dos votos válidos daquele pleito.

De volta ao parlamento canelinhense, o experiente vereador Eloir João Reis (PSD), o Lico, saiu em defesa de Amin após as críticas. “Sempre fui bem recebido e serei novamente quando for a Brasília neste ano. Foi o melhor governador que Santa Catarina já teve”, frisou o ex-prefeito.

OLHO NO VAR

A declaração não agradou muito. Isso porque os colas-brancas mais atentos e magoados não esquecem que Lico, em 2006, então prefeito de Canelinha, declarou timidamente apoio ao projeto de reeleição de Luiz Henrique da Silveira, do arquirrival PMDB (hoje MDB), justamente contra Esperidião Amin, em um movimento até hoje não esclarecido. “Luiz Henrique sempre me atendeu bem”, justifica.

E O AMIN?

Se Amin repetirá as boas votações na Terra das Cerâmicas no pleito que se avizinha, só o tempo dirá. Mas, ao que tudo indica, o cenário pode não ser tão favorável quanto o de outrora. Veremos.

À espera

Postado em 7 de maio de 2024
Foto: Divulgação

As definições no PL tijuquense podem ser a peça que falta no quebra-cabeças do ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB) para a disputa eleitoral de outubro. Ele ainda considera que uma composição com o partido do governador Jorginho Mello seja a melhor alternativa para o pleito.

Mannrich segue os ensinamentos do saudoso governador Luiz Henrique da Silveira, que costumava dizer que “quando se pode fazer uma eleição morro abaixo, não é inteligente fazê-la morro acima”. As conversas com o PL existem, mas as incertezas da regência municipal da legenda sobre quem deve ser o representante do grupo – o vereador Fernando Fagundes, o ex-secretário municipal Sidney Machado ou empresário Thiago Peixoto dos Anjos – e que caminho seguir têm esfriado as negociações.

“Estamos trabalhando e aguardando a formação do cenário. Mas temos nosso planejamento e excelentes nomes no MDB. Podemos optar por chapa pura”, diz o ex-prefeito e pré-candidato. Especula-se que as opções com maior apelo no partido sejam o vereador Cláudio Eduardo de Souza, o Cláudio do Jornal, e o ex-vereador Antônio Zeferino Amorim, o Tonho Polícia.

Sentimentos

Postado em 8 de abril de 2024
Foto: Luan Lucas

O ex-prefeito Elmis Mannrich, de Tijucas, diz ter notado pelas ruas do município um “sentimento de mudança”. Em paralelo, o presidente local do MDB avalia que o partido há muito tempo não se unia tanto em prol de um projeto político.

Em entrevista ao programa LINHA DE FRENTE, quinta-feira (4), o pré-candidato emedebista à prefeitura ponderou que o cenário atual é muito diferente de 2016, quando o resultado das eleições foi negativo para a legenda. E que hoje, inclusive, o povo tijuquense fala da sua gestão com “saudade”.

“Agora, a cada dia que passa, a população está com mais saudade do Elmis, com o gabinete aberto, atendendo a população, trabalhando todo dia, chegando na prefeitura às seis horas… Eu peguei uma situação de mudança e aconteceu aquele fato. Chega uma hora que as pessoas querem mudar, às vezes, pra pior. Mas querem mudar. Com certeza querem mudar de novo, mas pra melhor. Porque conhecem o que já fizemos pelo povo de Tijucas”, disse o ex-mandatário.

Mannrich pontuou, ainda, que obras de alta aprovação popular são importantes, mas que o atendimento à comunidade não pode ficar em segundo plano. O emedebista frisou também que vê a cidade “parada”, “abandonada” e “triste”.

“É importante ouvir os reclames da sociedade e visitar as pessoas. Fizemos isso com propriedade, mas com simplicidade. Gostamos disso. Tijucas ficou sem (os desfiles de) 7 de Setembro Reveillon, Carnaval, Festival de Talentos… Por isso o nosso partido se colocou à disposição do município. Conhecemos a população e sabemos da necessidade”, disse.

MORRO ABAIXO

Embora destaque a relevância da militância histórica do MDB no processo, o ex-prefeito reconhece a importância de uma composição que fortaleça a proposta. Haveria, inclusive, em andamento, conversas com outros grupos de oposição que tenham o mesmo projeto de “mudança”.

“O ex-governador Luiz Henrique (da Silveira) sempre colocava pra nós: ‘se puder fazer uma eleição morro abaixo, não vamos fazer morro acima’. Hoje tenho convicção de que podemos ganhar a eleição mesmo que PL e UNIÃO tenham projetos próprios. Mas, temos conversado com os dois”, revelou.

Caminho estreito

Postado em 16 de outubro de 2023
Foto: Arquivo Pessoal

O projeto de concorrer à prefeitura de Tijucas, em 2024, do vice-prefeito Sérgio Fernandes Cardoso (PSD), vem sendo construído com um intenso roteiro de visitas à correligionários, velhos amigos e figuras de relevância na política catarinense.

Durante a viagem para Brasília, com informações publicadas com exclusividade pelo Blog na nota “De cima para baixo”, o adjunto tijuquense visitou, naquela feita, a senadora da República Ivete Appel da Silveira (MDB).

Coisa Queria afirmou, logo após a reunião, que a viúva de Luiz Henrique da Silveira se comprometeu em ajudar a Capital do Vale em demandas específicas e prometeu que faria, em breve uma visita ao município.

Hoje, o encontro foi com dois parceiros de longa data: o deputado estadual Júlio Garcia (PSD) e a ex-deputada Marlene Fengler – atualmente presidente da Escola do Legislativo da Alesc -, com quem ostenta grande amizade.

“Discutimos importantes projetos e emendas para Tijucas. Em breve, teremos um progresso significativo em nossa cidade, dando continuidade ao trabalho que estamos realizando ao longo dos anos”, revelou Cardoso, mantendo, entretanto, certa cautela.

Agradecido 

Postado em 19 de setembro de 2023
Foto: Divulgação

O prefeito Pedro Alfredo Ramos (MDB), de São João Batista, aproveitou o cumprimento de uma agenda na Capital Federal, hoje, para se reunir com a senadora da República, Ivete Marli Appel da Silveira (MDB-SC). 

A visita, aliás, teve um motivo especial. Pedroca quis agradecer pessoalmente pela indicação de R$ 873.003,00 para investimentos na infraestrutura de São João Batista, feita justamente pela parlamentar catarinense. 

O município, inclusive, já recebeu aproximadamente R$ 300 mil, recurso que faz parte da indicação feita pela viúva do ex-governador e ex-senador Luiz Henrique da Silveira

Rodovia Luiz Henrique

Postado em 7 de julho de 2023
Foto: Divulgação

Emedebistas de toda Santa Catarina estão, no mínimo, orgulhosos do deputado estadual Emerson Stein (MDB), graças a um requerimento entregue pelo ex-prefeito de Porto Belo, nesta semana, na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina.

Stein propôs uma mudança no nome da rodovia BR-101, que corta todo o Estado. Atualmente, o trecho é batizado de Rodovia Governador Mário Covas, em homenagem ao ex-governador e ex-senador paulista, falecido em 2001.

Para o deputado, devido a importância do trecho rodoviário para a economia e a logística de Santa Catarina, o nome de um catarinense deveria ser escolhido. E sugeriu, inclusive, que seja o do saudoso ex-governador e ex-senador, Luiz Henrique da Silveira, uma das mais ilustres figuras do MDB no país.

O requerimento justifica a mudança como uma forma de homenagear o “legado e a contribuição” de Luiz Henrique para o desenvolvimento do Estado. O pedido foi aprovado por todos os 40 deputados estaduais, mas o futuro será decidido pela bancada federal.

Roteiro federal

Postado em 9 de fevereiro de 2023
Foto: Divulgação

O prefeito Tiago Dalsasso (MDB), de Nova Trento, realizou andanças pela Capital Federal, nesta semana. Pelas redes sociais, o chefe do Executivo neotrentino registrou imagens de encontros com vários deputados federais e senadores catarinenses. 

Evidentemente, os que integram a mesma legenda foram as prioridades, como Rafael Pezenti, Carlos Chiodini e Valdir Cobalchini. Mas também posaram para fotos com o neotrentino os deputados Jorge Goetten e Daniel Freitas, ambos do PL. 

Dalsasso ainda acompanhou, de perto, o Fórum Parlamentar Catarinense, conduzido pelos senadores da República Esperidião Amin (PP), Jorge Seif (PL) e Ivete Appel da Silveira (MDB). A última, viúva do saudoso líder emedebista Luiz Henrique da Silveira, foi empossada recentemente no senado. Em publicação, Dalsasso desejou “sucesso na caminhada”.

Consultado pelo Blog, o prefeito afirmou que a viagem tinha alguns objetivos. Entre eles, apresentar Nova Trento aos novos parlamentares e reconstruir pontes do município com Brasília após as últimas eleições. 

Apoio declarado

Postado em 25 de julho de 2022

O prefeito de São João Batista, Pedro Alfredo Ramos (MDB), foi enfático ao afirmar, hoje, em entrevista ao Meio-Dia Em Ponto, na Rádio Super, que tem certeza da inocência do governador Carlos Moisés da Silva (REPUBLICANOS) no caso dos respiradores. Ele disse, ainda, que se restasse qualquer desconfiança sobre a participação do chefe do Executivo catarinense no desvio de R$ 33 milhões dos cofres do Estado, teria acompanhado o ex-prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli (MDB), desde as disputas preliminares para a sucessão estadual.

Pedroca não esconde que a preferência por Moisés tem a ver com os investimentos do governo do Estado na Capital Catarinense do Calçado. “Temos que ajudar quem ajuda São João Batista”, pontuou, antes de lembrar que o então governador e candidato à reeleição Luiz Henrique da Silveira (MDB) recebeu, em 2006, pelas mesmas razões, apoio integral do mandatário batistense à época, Aderbal Manoel dos Santos (PP), ainda que os partidos fossem rivais.

A adesão ao projeto eleitoral do governador no Vale do Rio Tijucas foi total. Os prefeitos dos cinco municípios da região abraçaram a proposta e vêm manifestando publicamente, sempre que podem, gratidão ao plano municipalista do governo do Estado.