Segurança aparente
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Na teoria, Bombinhas seria a cidade mais segura da região. Mas, na prática, esse dado tem sido fortemente combatido por uma onda recente de crimes insolucionados.
Em 2022, o então prefeito Paulo Henrique Dalago Müller (PSD) mandou instalar 220 câmeras de videomonitoramento no município. O sistema, de alta tecnologia, com inteligência para reconhecimento e identificação veicular e facial, deveria, em tese, evitar – ou, pelo menos, inibir – a criminalidade. Nos últimos meses, entretanto, furtos, roubos e arrombamentos têm sido registrados com frequência na cidade.
O caos foi agravado com a incineração de duas viaturas do Demutran (Departamento Municipal de Trânsito), semana passada, sem que os autores fossem identificados.
O aumento significativo das ocorrências, aliado à resposta deficitária das forças de segurança, provocou questionamentos sobre o custo-benefício do sistema de videomonitoramento e, principalmente, sua efetividade. Somente em 2026, quase R$ 800 mil foram dispendidos na manutenção do equipamento, terceirizado, com contrato de concessão ativo no município.
Única vereadora de oposição em Bombinhas, Lourdes Matias (NOVO) levou o caso para a tribuna da Câmara e lançou a pergunta: “o sistema funciona ou é só aparência?”. A interpelação contraria ofício da prefeitura, que, em outubro passado, afirmou que todas as câmeras estariam em pleno funcionamento.
Descrente na resposta do município, Lurdinha protocolou ofício diretamente na Delegacia de Polícia Civil pedindo o relatório das ocorrências com data, horário e local exato dos crimes e as imagens disponíveis em cada caso. Segundo a parlamentar, o objetivo seria apurar outra conjeturada transgressão: “se o dinheiro público está produzindo segurança real ou apenas aparência de segurança”.
