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A transparência e a militância

Postado em 22 de outubro de 2026
Roberta Luchsinger em entrevista à Folha | Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Os casos de Roberta Luchsinger e Willer Tomaz expõem a seletividade com que o Brasil trata investigações, suspeitas e relações entre poder, dinheiro e interesses privados.

Todo mundo falando de Roberta Luchsinger e Willer Tomaz. Mas será que estamos prestando atenção no que realmente importa?

De um lado, uma empresária investigada que afirma querer fazer delação premiada e promete não poupar Lula nem Lulinha. De outro, um advogado investigado em um inquérito que também envolve Flávio Bolsonaro.

Os casos são distintos, mas expõem uma questão incômoda: as relações entre poder político, interesses privados e dinheiro precisam ser esclarecidas, independentemente de quem esteja no centro das suspeitas. As defesas negam irregularidades, e inquirição não é condenação.

O problema é que, no Brasil, a política transformou a investigação em torcida organizada. Quando o suspeito é do outro lado, exigem punição imediata. Quando é do próprio time, pedem cautela, relativizam os fatos e atacam quem pergunta.

É justamente aí que mora o perigo.

O eleitor não deveria escolher qual escândalo merece atenção com base na preferência partidária. Deveria exigir respostas de todos.

Porque o verdadeiro teste da honestidade política não é denunciar o adversário. É aceitar que os seus também sejam investigados.

Se a verdade só interessa quando compromete o adversário, não é a verdade que está em jogo. É apenas a conveniência do poder.