quinta-feira, 22 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

A transparência e a militância

Postado em 22 de outubro de 2026
Roberta Luchsinger em entrevista à Folha | Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

Os casos de Roberta Luchsinger e Willer Tomaz expõem a seletividade com que o Brasil trata investigações, suspeitas e relações entre poder, dinheiro e interesses privados.

Todo mundo falando de Roberta Luchsinger e Willer Tomaz. Mas será que estamos prestando atenção no que realmente importa?

De um lado, uma empresária investigada que afirma querer fazer delação premiada e promete não poupar Lula nem Lulinha. De outro, um advogado investigado em um inquérito que também envolve Flávio Bolsonaro.

Os casos são distintos, mas expõem uma questão incômoda: as relações entre poder político, interesses privados e dinheiro precisam ser esclarecidas, independentemente de quem esteja no centro das suspeitas. As defesas negam irregularidades, e inquirição não é condenação.

O problema é que, no Brasil, a política transformou a investigação em torcida organizada. Quando o suspeito é do outro lado, exigem punição imediata. Quando é do próprio time, pedem cautela, relativizam os fatos e atacam quem pergunta.

É justamente aí que mora o perigo.

O eleitor não deveria escolher qual escândalo merece atenção com base na preferência partidária. Deveria exigir respostas de todos.

Porque o verdadeiro teste da honestidade política não é denunciar o adversário. É aceitar que os seus também sejam investigados.

Se a verdade só interessa quando compromete o adversário, não é a verdade que está em jogo. É apenas a conveniência do poder.

Endereço de IP

Postado em 17 de setembro de 2024
Foto: Internet

O perfil fake nas redes sociais que era usado para propagar acusações fantasiosas sobre determinados candidatos de Tijucas, removido por determinação da juíza Carolina Cantarutti Denardin, tem, agora, um rosto e um CPF.

A mando da Justiça, a empresa Facebook Serviços Online do Brasil forneceu os dados cadastrais do usuário que mantinha a página. E, para surpresa de ninguém, descobriu-se que o autor tem sido recorrente na prática.

Religioso, autoproclamado servo de Deus e pilar da ética, o jovem, funcionário público em seguidas gestões e defensor voraz de políticos empregadores, já usou o mesmo artifício desonesto e repulsivo – sempre por conta própria, sem conhecimento dos seus ídolos mantenedores – em favor de inúmeros personagens do jogo eleitoral tijuquense. O critério das defesas, aliás, nunca mudou: ter o poder ou, no mínimo, o favoritismo nas eleições.

A conta, enfim, chegou. E a Justiça tende a ser implacável.

Desacordo

Postado em 5 de junho de 2024
Foto: Arquivo | Linha de Frente

Para o empresário Thiago Peixoto dos Anjos, pré-candidato liberalista à prefeitura de Tijucas, a aliança MDB/PL, que vem sendo costurada na esfera estadual, não contemplaria o planejamento local. Segundo colocado no pleito majoritário de 2020, ele garante que a possibilidade de uma conjuntura, conforme convenção interna, seria muito remota.

“Temos conversado incessantemente com a executiva estadual do partido e sempre deixamos claro que nossa proposta, de apresentar uma política diferente para a população, prevaleceria. Todos os membros do PL de Tijucas têm o mesmo pensamento”, declara Peixoto dos Anjos, com exclusividade ao Blog.

O empresário, aliás, garante que rejeitaria peremptoriamente uma candidatura a vice-prefeito em pretensa chapa com o MDB, e que, em caso de acordo entre as legendas, preferiria se afastar do processo.

“Sempre estive disposto a ajudar o PL, seja da forma que for. Tenho excelente relação com o Emerson (Stein, deputado estadual e articulador da coalizão) e com o Elmis (Mannrich, ex-prefeito e pré-candidato emedebista ao Executivo municipal), com quem converso muito. Mas não tenho o mínimo interesse em abandonar as minhas convicções por uma circunstância que buscasse apenas o poder”, conclui.

NADA PESSOAL

O posicionamento tem duas vias. Ao tempo que se mostra desinteressado na candidatura a vice-prefeito em chapa com o MDB, Peixoto dos Anjos rechaça qualquer contingenciamento com o grupo governista.

“Se não me disponho a caminhar com o MDB, que, assim como nós, tem sido combativo no âmbito local, muito menos aceitaria um acordo com a situação, com o PP ou o PSD. Respeito todas as bandeiras e movimentos, mas temos maneiras diferentes de enxergar a política”, pontua o empresário.

Quem pergunta?

Postado em 27 de março de 2024
Foto: Arquivo Pessoal

Se em São João Batista há quem queira medir a influência do deputado estadual Camilo Martins (PODE) – conforme a nota Pergunta capciosa, publicada no início da semana pelo Blog -, em Tijucas, uma pesquisa eleitoral quer analisar o poder de transferências de votos do prefeito Eloi Mariano Rocha (PSD).

Durante a última semana, pesquisadores posicionados em pontos de grande movimentação de pessoas aplicavam o teste social, e, entre as questões, faziam a seguinte indagação: “você votaria no candidato indicado pelo prefeito Professor Eloi?”.

A inteligente ave incolor, que municia diariamente o Blog com informações, não conseguiu, entretanto, descobrir o mandante do questionamento. Todavia, sabe-se que os idealizadores desta pesquisa gostariam de compreender, ou, então, de prever, quais os impactos das decisões do mandatário tijuquense no pleito que se avizinha. Pois então?!

Pergunta capciosa

Postado em 25 de março de 2024
Foto: Bruno Collaço | Agência AL

Uma pergunta específica em recente pesquisa eleitoral realizada em São João Batista intrigou entrevistados e observadores da política local. No questionário, a indagação sobre a influência do deputado estadual Camilo Martins (PODE) no eleitorado batistense surpreendeu e fugiu à regra.

Das três, uma. Ou o proponente do levantamento foi o ex-prefeito e suplente de deputado estadual Daniel Netto Cândido, agora no PSD, que tem relação estreita com Martins e pretende concorrer novamente à prefeitura nestas eleições; ou partiu de adversários, na tentativa de atribuir a contratação da pesquisa ao ex-mandatário; ou os estatísticos foram à Capital Catarinense do Calçado sob ordens da deputada estadual Ana Paula da Silva, atual presidente do PODEMOS catarinense, que teria interesse em fortalecer o partido na cidade e, ciente da proximidade entre o parlamentar correligionário e a principal liderança batistense da atualidade, quer saber até onde pode ir.

Na prática, e em consideração ao resultado das eleições gerais de 2022, a resposta seria simples. A influência do ex-prefeito de Palhoça na comunidade batistense seria, na melhor das hipóteses, quase nenhuma. Afinal, ele recebeu apenas 119 votos em São João Batista no pleito passado.