quarta-feira, 30 de setembro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

À esquerda

Postado em 28 de setembro de 2026
Foto: Reprodução

O ex-vice-prefeito de Tijucas, Sérgio Fernandes Cardoso (PSD), chamado popularmente de Coisa Querida, guinou 180º nestas eleições. Diferentemente de 2022, quando esteve na torcida por Jorginho Mello (PL) e Jair Bolsonaro (PL), ele, agora, decidiu caminhar com os candidatos da esquerda.

A preferência foi evidenciada no fim de semana, quando se reuniu com apoiadores em favor de Gelson Merisio (PSB) no governo de Santa Catarina e, textualmente, da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência da República. O manifesto foi gravado, e, desde então, vem chamando atenção nos grupos de conversação online e rodas sociais da região.

O posicionamento, contudo, tem menos a ver com ideologia e mais com gratulação. Cardoso e Merisio são amigos há três décadas, e foi por intermédio do ex-deputado estadual que o engenheiro tijuquense chegou à Diretoria Administrativa Financeira do Sebrae/SC nos anos 2010.

O candidato a governador do PSB acredita que consiga alcançar o segundo turno se estiver em campanha casada com Lula em Santa Catarina e conquistar, de acordo com pesquisas mais atuais, os 23% do eleitorado do presidente no estado. E, por estratégia, pediu ao ex-vice-prefeito de Tijucas, seu coordenador eleitoral no Vale, que manifeste efusivamente a dobradinha nos encontros com a militância. A mensagem, ao que se vê, foi compreendida e fielmente transmitida.

Última semana: certezas incertas

Postado em 28 de setembro de 2026
Foto: Reprodução

Jorginho parece se garantir já no primeiro turno, o Senado virou uma guerra de dois votos e a disputa presidencial chega à reta final sem dono.

A última semana antes do primeiro turno chega com certezas e incertezas na corrida eleitoral.

Em Santa Catarina, pesquisas indicam a possibilidade, quase certa, de uma vitória em primeiro turno do governador Jorginho Mello (PL). A “certeza” de um segundo turno parece, até aqui, limitada ao discurso das campanhas adversárias.

E se na disputa pelo Governo o embate é morno, na corrida pelo Senado o clima incendiou. Com um cenário totalmente incerto, todos mantêm a esperança de estar entre as duas vagas. As pesquisas consolidaram três principais nomes: Carol De Toni (PL), Esperidião Amin (PP) e Carlos Bolsonaro (PL).

O acirramento entre Carlos e Amin deu novo tom à disputa. Enquanto o candidato do PL usa sua expertise nas redes sociais, mobilizando apoiadores de outros estados para “aconselhar e ensinar” os catarinenses a escolhê-lo, o ex-governador usa debates e sabatinas para retrucar o adversário e ironizar sua ausência nesses espaços.

Enquanto a direita catarinense briga, a esquerda tenta fazer crer que é possível sonhar com uma vaga para Décio Lima (PT), confiando que o desempenho de Lula (PT) em SC seria replicado pelo candidato petista ao Senado. Condição que as pesquisas até aqui não parecem apontar.

Mas é fato que a maioria dos eleitores ainda não decidiu em quem votar para senadores.

O pior cenário para Carlos seria o chamado “voto útil” contra ele: o segundo dos eleitores de esquerda direcionado a Amin, fortalecendo o tradicional rival da esquerda catarinense, que talvez prefira conviver com quem já conhece a ter outro Bolsonaro no Senado.

Na presidência, a única certeza é a possibilidade de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Quem vencerá o primeiro turno e as eleições, porém, é a mais absoluta incerteza.

Flávio herdou os votos e a rejeição do pai, tornando-se um candidato competitivo e, ao mesmo tempo, vulnerável.

A campanha de Lula sentiu o impacto da crise no STF e correu para tirar da cartola os truques possíveis a menos de 15 dias do primeiro turno: aumento do Bolsa Família, canetas emagrecedoras no SUS e proibição das apostas online.

Na reta final, algumas certezas parecem cada vez menos certas, enquanto as incertezas ganham espaço. E serão os eleitores ainda indecisos que poderão definir os rumos das urnas.

Esquerda cristã

Postado em 23 de setembro de 2026
Foto: Divulgação

Independentemente do saldo eleitoral, a candidatura da advogada Rosana Schlichta (PV), de Porto Belo, a deputada federal nestas eleições, acende o debate sobre fé e ideologia. Evangélica, ela tem percorrido igrejas para dizer que valores como a proteção da família e a defesa da vida não podem ser exclusividade de apenas um espectro político.

Rosana, a propósito, integra o movimento “Evangélicos com Lula”, que, segundo ela, mostra que existem cristãos identificados com a esquerda e defendem o projeto do presidente da República. “Desde quando Deus e a família viraram propriedade de um lado político?”, questiona.

A proposta, entretanto, tem relação direta com a trajetória profissional da candidata. Musicoterapeuta e professora, ela trabalhou na APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e atuou no Conselho Tutelar de Porto Belo, o que, de fato, a aproximou de situações que envolveram violência, abuso e fragilidade dos vínculos familiares.

E sempre que tem oportunidade, esclarece: “sou crente e de esquerda”. Porque, nesse Brasil polarizado, as duas coisas parecem caminhar em direções opostas.

O fator Augusto Cury

Postado em 1 de setembro de 2026
Foto: Renato Pizzutto/Band

Ainda distante do segundo turno, Augusto Cury (AVANTE) pode se tornar mais importante do que seus números atuais sugerem. A campanha eleitoral no rádio e na televisão começou, e um novo nome ganhou força na última semana para a presidência da República: o dele.

Após sua participação em um debate esvaziado na televisão, Cury conseguiu transformar uma oportunidade aparentemente secundária em projeção nas redes sociais. O resultado foi imediato: crescimento nas pesquisas e a conquista de índices de dois dígitos, ultrapassando candidatos que até então disputavam o espaço da chamada terceira via, como Renan Santos (MISSÃO), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO).

Médico psiquiatra e escritor de grande sucesso editorial, o candidato do AVANTE surge como uma alternativa para um eleitorado que procura escapar da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Seu crescimento evidencia algo que já vinha sendo percebido, mas que ainda precisava ser personificado.

Há uma parcela relevante da população brasileira que é, ao mesmo tempo, anti-Lula e anti-Bolsonaro.

Os números recentes indicam que Cury tem retirado votos dos dois polos, mas principalmente de Flávio Bolsonaro. Esse movimento acende um sinal de alerta na campanha do PL, que precisa consolidar e fidelizar o eleitorado de direita para evitar dispersão.

É evidente que o candidato do AVANTE ainda está distante de ameaçar, diretamente, a presença de Flávio em um eventual segundo turno. Mas seria um erro tratá-lo como irrelevante. Em uma eleição polarizada, alguns pontos percentuais podem ser decisivos — seja para definir quem vai ao segundo turno, ou para determinar quem chega mais forte a ele.

Se continuar crescendo, Cury poderá se tornar mais importante no segundo turno do que aparenta ser hoje no primeiro. Tanto Lula quanto Flávio terão de calibrar seus ataques, evitando transformar o candidato do AVANTE e seus eleitores em adversários irreconciliáveis.

A política costuma ensinar uma lição simples: eleições têm dois tempos. Primeiro, disputa-se o voto. Depois, busca-se apoio.

Como diz uma velha frase atribuída ao mundo político: “nunca ofenda no almoço alguém de quem você pode precisar no jantar.”

Brasil congelado e polarizado

Postado em 19 de agosto de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr

Quatro anos depois, a disputa presidencial continua presa à mesma polarização, mas com uma diferença decisiva: o cenário de 2026 é muito mais apertado.

Com o início da campanha eleitoral, fiz o exercício de resgatar as pesquisas realizadas em 2022 e compará-las com os levantamentos de 2026, considerando períodos semelhantes. O resultado chama atenção: os números do primeiro turno são praticamente os mesmos.

Em 2022, Lula (PT) liderava os cenários estimulados de primeiro turno com uma vantagem de 7% sobre o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). No recorte atual, a diferença entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) também tem sido de sete pontos percentuais. Em ambos os casos, os dados considerados são de levantamentos BTG Pactual/Nexus.

A diferença mais significativa, porém, está nos cenários de segundo turno. Em 2022, no início da campanha, Lula apresentava vantagem de 12% sobre Jair Bolsonaro. Mas agora a distância entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro é de apenas 3% — um cenário muito mais próximo de um empate técnico.

O contexto, portanto, parece ter mudado de lado. Na eleição passada, Lula se beneficiou do desgaste acumulado do governo Bolsonaro, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e de seus efeitos econômicos e sociais. Agora, o chamado “telhado de vidro” está sobre seu próprio governo. Pela terceira vez no comando da Nação, o presidente enfrenta o desafio de apresentar algo novo capaz de mobilizar o eleitorado e justificar o desejo por um quarto mandato.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, que em 2022 não conseguiu transformar a força da máquina pública em vitória eleitoral, chega a 2026 tendo consolidado sua influência sobre a direita brasileira e transferido parte significativa de seu capital político para o filho, Flávio, escolhido pelo núcleo familiar para disputar a sucessão.

Mas o candidato do PL não herda apenas o capital político do sobrenome Bolsonaro. Herda também sua rejeição. E esse fator ajuda a transformar a eleição em uma disputa marcada menos pela paixão por um nome e mais pela rejeição ao adversário — o conhecido dilema do “menos pior”.

O fato político mais relevante, portanto, é que o Brasil parece continuar congelado entre o antilulismo e o antibolsonarismo. Uma disputa altamente polarizada, equilibrada e incerta, na qual cada novo acontecimento, declaração ou crise pode alterar os números e, consequentemente, o resultado das eleições.

Em recuperação

Postado em 13 de agosto de 2026
Foto: PT/Divulgação

Recém-intitulado Cidadão Honorário de Tijucas, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC) sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) isquêmico anteontem, durante reunião do Colégio de Líderes.

Apesar do ocorrido, que resultou em internação, ele, em princípio, não apresenta déficit motor e nem cognitivo. Uczai permanece sob observação no Hospital DF Star, em Brasília, e foi submetido a uma série de exames para um diagnóstico mais preciso do quadro.

Ontem, o líder do PT na Câmara Federal recebeu a visita do presidente da Casa, Hugo Motta (REPUBLICANOS-PB), e da deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ). Uczai conversou, ainda, por telefone, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teria desejado uma boa recuperação e pedido para que ele cuidasse da saúde e estivesse pronto para ajudar na campanha.

Presença digital

Postado em 30 de julho de 2026
Foto: Reprodução

Desde que concorreu à prefeitura de Porto Belo, em 2024 – e foi vencida com a maior diferença de votos da história do município –, a advogada Rosana Schlichta (PV) nunca esteve tão ativa nas redes sociais. A assiduidade recente na comunidade virtual, entretanto, tem porquê: a agora oficializada candidatura a deputada federal nestas eleições.

As publicações, a propósito, seguem a linha ideológica do grupo que representa. Nas últimas postagens, ela rebateu ações de mandatários da direita catarinense, como o governador Jorginho Mello (PL) e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), e defendeu pautas como a valorização dos grupos indígenas em Santa Catarina e a sustentação da escala 5×2.

Doutora Rosana, como se identifica nas redes, fez questão, ainda, de divulgar, em letras garrafais, que “Lula apoia” sua candidatura e exibir, orgulhosa, o retrato en passant com o presidente da República (que o Blog reproduz em destaque) em Itajaí, dias atrás, para os seus 1.407 seguidores no Instagram.

Apoio amigo

Postado em 22 de julho de 2026
Foto: Divulgação

O ex-vice-prefeito de Tijucas, Sérgio Fernandes Cardoso (PSD), foi uma das figuras de destaque, ontem, nas convenções do bloco denominado Campo Democrático, na Assembleia Legislativa. O evento, que agregou sete partidos no palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Santa Catarina, confirmou a candidatura de Gelson Merisio (PSB) ao governo estadual nestas eleições.

Coisa Querida, como ficou conhecido popularmente, ingressou na campanha de Merisio por gratidão ao amigo, responsável direto por sua escalada no Sebrae catarinense, onde chegou, nos anos 2010, à diretoria administrativa financeira da entidade. A comitiva do ex-vice-prefeito na convenção foi formada por cerca de 40 pessoas, todas da região.

Além do representante do grupo na disputa ao governo, foram confirmadas, ainda, na cerimônia, as candidaturas de Angela Albino (PDT) a vice-governadora e de Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) ao Senado.

Melancias no caminhão

Postado em 15 de julho de 2026
Imagem gerada em IA

Faltam menos de 30 dias para as convenções, e as melancias vão se acomodando no caminhão. As pré-candidaturas viáveis seguem, e as demais recuam.

Nacionalmente, a chapa Lula (PT) e Alckmin (PSB) permanece intocada. Nesse caso, vale a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”.

À direita, Flávio Bolsonaro (PL) ainda não fechou vice. A crise com a madrasta, Michelle Bolsonaro, faz pressão por uma mulher na chapa. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) tem sido cotada, e aparece como opção mais dócil e subserviente.

Renan Santos (MISSÃO) definiu o tenente-coronel Aroldo Medina (MISSÃO) como vice. Caiado (PSD) fechou com Kassab (PSD) – em chapa puro-sangue que expôs a dificuldade de articulação depois do rompimento com a federação União Progressista (UNIÃO-PP). E a candidatura de Zema (NOVO) ainda aguarda a definição do vice e busca apoio para ser percebida como viável.

…

DISPUTA ESTADUAL

Em Santa Catarina, o tabuleiro está desenhado. Jorginho Mello (PL) busca a reeleição com Adriano Silva (NOVO), o que se pode considerar uma evolução frente à chapa pura de 2022.

João Rodrigues (PSD) lidera a oposição com Carlos Chiodini (MDB) de vice.

À esquerda, Gelson Merisio (PSB) tem Angela Albino (PDT) na chapa – o PT fica fora, mas compondo na corrida ao Senado.

Na prática, as convenções decidem quem fica no caminhão. Depois delas, não cabem mais melancias. As dúvidas parecem estar na disputa pelas vagas ao Senado, mas isso fica para uma próxima coluna.

Ação e reação

Postado em 25 de junho de 2026
Foto: Arquivo pessoal

A publicação da deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC), de que ingressaria com ação na Justiça para anular a concessão da Medalha de 100 Anos do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina a Carlos Bolsonaro (PL), provocou a ira do presidente do PL em São João Batista, empresário Felipe Lemos. Em resposta nas redes sociais, no estilo react, o batistense repudiou a iniciativa da petista.

“Aproveite e peça à Justiça para que seu ‘ex-condenado’ – em clara referência ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – devolva o dinheiro do mensalão, do petrolão, da Lava Jato…”, desafiou Lemos, antes de advertir a deputada: “poderias ter ficado quieta”.

Bolsonarista convicto, o presidente do PL na Capital Catarinense do Calçado tem sido, desde sempre, um dos principais combatentes do movimento de esquerda no Vale do Rio Tijucas. Recentemente, foi designado a coordenar as campanhas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – Carlos para o Senado e Jair Renan para a Câmara Federal – na região. O que, obviamente, intensificou a defesa dos Bolsonaro em todos os níveis.