sexta-feira, 26 de junho de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Ação e reação

Postado em 25 de junho de 2026
Foto: Arquivo pessoal

A publicação da deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC), de que ingressaria com ação na Justiça para anular a concessão da Medalha de 100 Anos do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina a Carlos Bolsonaro (PL), provocou a ira do presidente do PL em São João Batista, empresário Felipe Lemos. Em resposta nas redes sociais, no estilo react, o batistense repudiou a iniciativa da petista.

“Aproveite e peça à Justiça para que seu ‘ex-condenado’ – em clara referência ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – devolva o dinheiro do mensalão, do petrolão, da Lava Jato…”, desafiou Lemos, antes de advertir a deputada: “poderias ter ficado quieta”.

Bolsonarista convicto, o presidente do PL na Capital Catarinense do Calçado tem sido, desde sempre, um dos principais combatentes do movimento de esquerda no Vale do Rio Tijucas. Recentemente, foi designado a coordenar as campanhas dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – Carlos para o Senado e Jair Renan para a Câmara Federal – na região. O que, obviamente, intensificou a defesa dos Bolsonaro em todos os níveis.

João Santana e o Brasil pragmático

Postado em 25 de junho de 2026
Foto: Compol 2026/Divulgação

O maior evento de comunicação política do Brasil, o Compol 2026, recebeu uma das figuras mais influentes do marketing eleitoral mundial. João Santana, o publicitário responsável pelas campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, subiu ao palco e, em poucos minutos, colocou em xeque boa parte das premissas que orientam as estratégias eleitorais em curso no país.

Apelidado de “O Mago” ou “O Bruxo” — pela capacidade quase mítica de reverter cenários altamente desfavoráveis e eleger candidatos dados como inelegíveis —, Santana não veio relembrar campanhas históricas. Veio com uma tese: o Brasil não é um país polarizado.

Contrariando pesquisadores, jornalistas e lideranças políticas, Santana sustentou que a divisão que se observa no debate público não é ideológica, mas socioeconômica e territorial. Para ele, o eleitorado brasileiro é majoritariamente pragmático e ideologicamente inconsistente — ou seja, a maior parte dos eleitores não compreende as diferenças reais entre esquerda e direita e, na prática, defende pautas dos dois campos simultaneamente. A polarização, afirmou, existe, mas ocorre nas elites sociais e nos meios de comunicação, não nas ruas.

A provocação de Santana tem implicação direta no ciclo eleitoral de 2026: se a maioria das estratégias está sendo construída sobre a premissa de um eleitorado polarizado, elas podem estar mirando o alvo errado.

A plateia deixou o evento encantada — e confusa. Talvez seja essa a verdadeira feitiçaria de João Santana: não entregar respostas, mas plantar dúvidas em quem chegou com certezas demais. Quem passou os últimos meses construindo estratégia eleitoral sobre a premissa da polarização saiu do Compol 2026 com uma pedra no sapato. E a sensação incômoda de que pode ter errado o diagnóstico antes mesmo de começar a campanha.

Aqui em Santa Catarina, o recado ressoa com urgência. No estado mais bolsonarista do país, há pré-candidatos que fazem pré-campanha sem conseguir decolar. Para alguns, estratégia já não basta — vão precisar de magia. E o primeiro passo pode ser ligar para João Santana.

Palanque honorífico

Postado em 23 de junho de 2026
Foto: Divulgação

Se o vereador Écio Hélio de Melo (PL) queria chamar atenção, conseguiu. A ideia de homenagear, com Moção de Louvor, o jovem Renan Jair Valle Bolsonaro, filho caçula do ex-presidente Jair Bolsonaro, entrou para a lista das principais polêmicas dos últimos tempos no Legislativo tijuquense.

Bolsonaro Jr., como se apresenta nas redes sociais, ou Zero Quatro, na alcunha militaresca da família, cumpre o primeiro mandato como vereador em Balneário Camboriú e assumiu recentemente a presidência do PL Jovem em Santa Catarina. Para o proponente da moção, “é um menino bom” e merece o laurel por “ter escolhido Santa Catarina para viver e prestar seus serviços”. A justificativa, entretanto, foi o que dividiu opiniões na comunidade – e na própria Câmara, que aprovou a homenagem com o registro de um voto contrário e duas abstenções.

Desde então, Ecinho tem sido questionado e, ocasionalmente, apupado pela indicação. No perfil social, onde publicou foto com Jair Renan durante a entrega do galardão, o parlamentar vem colecionando termos desagradáveis como “vergonha” e “piada”. Mas o salvaguardo também aparece, com manifestações do tipo “pior se fosse o filho do Lula” e “quando for deputado vai ajudar muito Tijucas”.

Para o filho do ex-presidente, entretanto, a publicidade pode ser interessante. Pré-candidato a deputado federal nestas eleições, a máxima “falem bem ou mal, mas falem de mim” costuma ser bem-vinda principalmente em período eleitoral. Pois então!

A camiseta e o tiro no pé

Postado em 27 de maio de 2026
Foto: Vitor Souza/AFP

Flávio Bolsonaro subiu ao palco em Santa Catarina com uma camiseta que dizia “O PIX é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. Dias depois, a imprensa divulgou a troca de mensagens entre o pré-candidato a preseidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ligado a escândalos financeiros.

O slogan envelheceu rápido e Flávio passou a enfrentar uma crise em sua pré-campanha. Mas esse desgaste pode colocar sua candidatura em risco? Acredito que não. Pesquisas que sucederam a polêmica mostram que o impacto se deu principalmente no eleitorado independente — menos ideologizado e mais pragmático. Esses eleitores, porém, não migraram para outro candidato; o número de indecisos, brancos e nulos foi que aumentou.

Ou seja, Flávio caiu, mas Lula não cresceu. Apesar do desgaste, ele dificilmente será ameaçado por outro pré-candidato da direita. A base bolsonarista se mantém fiel ao filho de Jair Bolsonaro e não deve mudar sua posição. Essa base repele qualquer acusação contra Flávio, assim como a base lulopetista rejeitava as acusações contra Lula na Lava Jato. Há uma fatia de eleitores ideologizados praticamente imune a acusações contra políticos de sua preferência.

O problema é que Flávio perdeu eleitores entre aqueles que já desconfiavam dele, mas o viam como a melhor opção. A imagem de alguém contrário ao “sistema” é atingida por um telhado de vidro que o coloca ao lado de figuras repudiadas e amarradas ao banqueiro fraudador.

Com dificuldade para administrar a crise, Flávio viajou aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump. Um desvio estratégico para que se afaste momentaneamente da imprensa e das perguntas sobre Vorcaro. A pré-campanha de Flávio enfrenta um paradoxo: é a que tem melhores condições de enfrentamento a Lula, mas também a mais vulnerável. Sua vidraça segue exposta a novas pedradas, o que pode reduzir as chances de uma vitória da direita, mesmo contra um governo capenga.

Três mulheres e todas as opções

Postado em 8 de maio de 2026
Imagem gerada em inteligência artificial

Três representantes da Costa Esmeralda se colocaram na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. O que não deve faltar para os eleitores da região são opções de escolha. E, a considerar o espectro político ideológico, até aqui tudo indica que teremos candidatas de todas as frentes: de esquerda, de centro e de direita.

A primeira a anunciar pré-candidatura foi a ex-prefeita de Bombinhas e deputada estadual em segundo mandato consecutivo Ana Paula da Silva, a Paulinha. Ela iniciou a trajetória no PDT, na centro-esquerda, e caminhou para a centro-direita com a migração, em 2022, para o PODEMOS, partido do qual é presidente em Santa Catarina.

Também veio de Bombinhas o segundo anúncio na concorrência por uma cadeira na Câmara Federal. A advogada Jadna Matias da Silva foi candidata a prefeita em 2024 e, desde então, tem se dedicado à atuação partidária no NOVO. Filha da ex-vice-prefeita e atual vereadora Lourdes Matias (NOVO), ela tem se destacado na defesa de pautas da direita e, especialmente, do liberalismo econômico.

A mais recente pré-candidatura anunciada foi a da também advogada Rosana Schlichta (PV), que concorreu em 2024 à prefeitura de Porto Belo pelo PSB. Ela tem sido apresentada como alternativa regional na frente de apoio à proposta de continuidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sinalizando sua posição à esquerda do espectro político ideológico.

Mais do que uma disputa eleitoral tradicional, a corrida à Câmara dos Deputados na Costa Esmeralda simboliza um momento raro de pluralidade política e protagonismo feminino na região. A presença de três mulheres com trajetórias, discursos e visões ideológicas distintas transforma a eleição de 2026 em uma oportunidade para o eleitorado local ampliar sua representação nacional e afirmar, em Brasília, a força política de um território que cresce econômica, populacional e eleitoralmente a cada ciclo.

Discretamente

Postado em 13 de março de 2026
Foto: Divulgação

Quase ninguém soube da visita, hoje, do presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, à Casa do Empresário, sede da Acit (Associação Comercial e Industrial de Tijucas) e CDL (Câmara dos Dirigentes Logistas). Embora a agenda estivesse confirmada, os perfis sociais das entidades não anunciaram e, até o momento, pouco repercutiram o evento.

Sinais evidentes, especula-se, do correlacionamento entre a proposta institucional e o peso político da recepção a um dos mais atuantes defensores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na seara barriga-verde. A publicidade do ato, a propósito, foi sensivelmente relativizada se comparada ao destaque que se deu em ocasiões semelhantes – quando, por exemplo, da acolhida ao ativismo do empresário Luciano Hang e do então candidato a senador Jorge Seif (PL), em 2022.

Nada de anormal no ambiente polarizado da política brasileira. Os mais de 70% de catarinenses que rejeitam o movimento de esquerda estão claramente representados na diretoria da Acit. Os dirigentes da associação, conscientes e civilizados, obviamente compreendem a importância do ato e a valia do presidente nacional do Sebrae no associativismo local. Mas sabem que, principalmente para os negócios, a propaganda costuma ser uma ferramenta crucial.

Acordados

Postado em 5 de março de 2026
Foto: Divulgação

Uma comitiva da região, com participação ativa da advogada Jadna Matias da Silva, de Bombinhas, coordenadora do NOVO na Grande Florianópolis, esteve mais uma vez na passeata do movimento “Acorda Brasil”, domingo (1º), na capital catarinense. Destaque, no grupo, para o vereador André de Oliveira (NOVO), de Itapema, que deve concorrer a uma cadeira na Câmara Federal nestas eleições.

Os representantes da Costa Esmeralda têm sido constantes no protesto, que, desta vez, na Avenida Beira-Mar, reuniu cerca de mil pessoas com gritos de ordem contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o que chamam de “abusos” do STF (Supremo Tribunal Federal). Eles seguiram um dos três caminhões-locomotivas do evento, relevado com membros do NOVO catarinense. Os outros dois foram evidenciados com a presença do governador Jorginho Mello (PL) e com a ala denominada “Conservadores”, presente na maioria dos atos da direita no Brasil.

O protesto, embora se origine de uma iniciativa político-social, tem, obviamente, de maneira ainda mais acentuada neste momento, teor eleitoral. Tanto que a participação de pré-candidatos – como o vereador Cryslan de Moraes (NOVO), o mais votado da história de São José, que deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa nestas eleições, na foto com Oliveira e Jadna – se tornou uma demanda. O que não implica, porém, na legitimidade do ato.

Carnaval e civismo: o erro do palanque

Postado em 20 de fevereiro de 2026
Foto: Riotur.Rio

Em Biografia do Abismo, o cientista político Felipe Nunes descreve como o Brasil atravessa um processo de extrapolação da polarização política. Ele o define como “calcificação política”: condição em que a divisão ideológica transborda as urnas, instala-se nas mais diversas esferas da sociedade e passa a gerar rupturas sociais profundas.

Os sinais estão por toda parte. A política já contaminou símbolos nacionais, marcas de consumo e até manifestações culturais. O desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reacendeu o debate sobre os limites entre expressão artística e palanque político.

Levar a idolatria a figuras políticas para o Carnaval é um erro. Independentemente de eventual tipificação eleitoral, o culto à personalidade é sintoma de uma sociedade que ainda carece de maturidade política. Trata-se da crença perigosa em figuras messiânicas, capazes de solucionar problemas complexos sob uma aura de sacralidade, ignorando as imperfeições inerentes à condição humana.

Populismo e egocentrismo são traços transversais à esquerda e à direita brasileiras. Seus líderes contemporâneos apreciam ser reverenciados como figuras acima de qualquer imperfeição terrena, não como mandatários temporários, mas como líderes infalíveis.

O roteiro não é inédito. Em 2022, durante as celebrações do bicentenário da Independência, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou o 7 de Setembro como plataforma política. Posteriormente, foi declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político. O precedente jurídico reforça que símbolos nacionais e eventos públicos não podem ser instrumentalizados eleitoralmente.

O ponto central não é Lula ou Bolsonaro. O Brasil não precisa de um salvador da pátria. Precisa de projeto. Precisa de planejamento de Estado, estabilidade institucional e maturidade democrática.

É imperativo evitar que a calcificação política atue como catalisadora de uma ruptura social irreversível. O Carnaval carioca ofereceu uma resposta técnica e simbólica ao mundo político: ao rebaixar a Acadêmicos de Niterói para o grupo de acesso, sinalizou que a folia — espaço
de crítica e liberdade — não deve ser confundida com palanque de adoração.

Chá-revelação

Postado em 26 de janeiro de 2026
Foto: Divulgação

Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Santa Catarina parecem ter encontrado a opção de “centro-direita” que teoricamente buscavam para concorrer ao governo estadual: o ex-pessedista Gelson Merisio, agora no SOLIDARIEDADE.

Durante atividade de planejamento do mandato da deputada federal Ana Paula Lima (PT-SC) em Itapema, sexta-feira (23), Merisio posou com ela e com o marido, Décio Lima (PT), presidente nacional do Sebrae, em clara manifestação de que estaria disposto a representar o grupo na corrida à Casa d’Agronômica nestas eleições.

Antes, os petistas teriam aberto conversas com o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e com o ex-senador Paulo Bauer, que se desfiliou do PSDB no início de 2024. Ambos, no entanto, desinteressados na proposta.

A parceria, aliás, não traz novidades. Nas eleições gerais de 2022, Décio, candidato ao governo, teve o apoio de Merisio na conquista do inédito segundo turno, vencido por Jorginho Mello (PL). Apenas o bastão, agora, muda de mãos.

Nas redes sociais, o casal Lima deixou o recado: “Sextamos com o encontro afetuoso e de compromisso com Santa Catarina e com a democracia”.

Provocação

Postado em 5 de dezembro de 2025
Foto: Reprodução

Felipe Lemos, empresário e presidente do PL de São João Batista, voltou a agitar as redes e, de quebra, inflamar a militância da esquerda. Nesta quinta-feira, ele publicou uma imagem de um avião sobrevoando a cidade e o emblemático edifício Ilha de Bali, com uma faixa que trazia a frase: “Lula ladrão”.

Fiel ao seu estilo provocador, Lemos marcou o perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, na legenda, lançou um desafio: ofereceu uma “costela com chope liberado” a quem informasse o contato do dono da aeronave. O post viralizou em minutos.

Na sequência, o dirigente do PL afirmou que o STF “manda em tudo e todos”, e ironizou: “Quero ver se anotaram a placa desse avião.” A provocação remeteu a um episódio semelhante, quando o empresário Luciano Hang, dono da Havan, foi condenado a indenizar Lula por financiar faixas com a mesma mensagem no litoral catarinense.

Felipe, no entanto, não esconde suas posições. Seu perfil nas redes é uma vitrine de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador Jorginho Mello (PL). Uma das fotos fixadas é justamente com os dois.

Candidato a prefeito em 2024, quando obteve 3.616 votos e ficou em terceiro lugar, Lemos segue ativo na política local, organizando o partido para as eleições de 2026 e já de olho em 2028. O estilo, como se vê, continua o mesmo.