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Brasil congelado e polarizado

Postado em 19 de agosto de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr

Quatro anos depois, a disputa presidencial continua presa à mesma polarização, mas com uma diferença decisiva: o cenário de 2026 é muito mais apertado.

Com o início da campanha eleitoral, fiz o exercício de resgatar as pesquisas realizadas em 2022 e compará-las com os levantamentos de 2026, considerando períodos semelhantes. O resultado chama atenção: os números do primeiro turno são praticamente os mesmos.

Em 2022, Lula (PT) liderava os cenários estimulados de primeiro turno com uma vantagem de 7% sobre o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). No recorte atual, a diferença entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) também tem sido de sete pontos percentuais. Em ambos os casos, os dados considerados são de levantamentos BTG Pactual/Nexus.

A diferença mais significativa, porém, está nos cenários de segundo turno. Em 2022, no início da campanha, Lula apresentava vantagem de 12% sobre Jair Bolsonaro. Mas agora a distância entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro é de apenas 3% — um cenário muito mais próximo de um empate técnico.

O contexto, portanto, parece ter mudado de lado. Na eleição passada, Lula se beneficiou do desgaste acumulado do governo Bolsonaro, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e de seus efeitos econômicos e sociais. Agora, o chamado “telhado de vidro” está sobre seu próprio governo. Pela terceira vez no comando da Nação, o presidente enfrenta o desafio de apresentar algo novo capaz de mobilizar o eleitorado e justificar o desejo por um quarto mandato.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, que em 2022 não conseguiu transformar a força da máquina pública em vitória eleitoral, chega a 2026 tendo consolidado sua influência sobre a direita brasileira e transferido parte significativa de seu capital político para o filho, Flávio, escolhido pelo núcleo familiar para disputar a sucessão.

Mas o candidato do PL não herda apenas o capital político do sobrenome Bolsonaro. Herda também sua rejeição. E esse fator ajuda a transformar a eleição em uma disputa marcada menos pela paixão por um nome e mais pela rejeição ao adversário — o conhecido dilema do “menos pior”.

O fato político mais relevante, portanto, é que o Brasil parece continuar congelado entre o antilulismo e o antibolsonarismo. Uma disputa altamente polarizada, equilibrada e incerta, na qual cada novo acontecimento, declaração ou crise pode alterar os números e, consequentemente, o resultado das eleições.