segunda-feira, 12 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Memória afetiva

Postado em 29 de setembro de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Para a classe política, nada que surpreenda. Mas quem não participa ativamente do bastidor eleitoral de Canelinha, fica estupefato com o nome do farmacêutico Filipi Rodrigues entre as opções de maior apelo nas pesquisas para a disputa da prefeitura em 2028. O levantamento mais recente chegou nesta manhã aos interessados.

Os dados, inclusive, foram apresentados em reunião do grupo governista, e, entre as alternativas da base, colocam-se bem, ainda, o vice-prefeito Antonio Carlos Machado Junior (PSD) e o vereador Leandro Mafra (PL), nesta ordem. Mas tem sido a preferência de parte do eleitorado canelinhense por Rodrigues, chamado carinhosamente de “médico da cidade” e jamais experimentado nas urnas, que desperta atenção.

Embora estranho ao processo eleitoral, o farmacêutico teve, em 2020, papel fundamental na constituição do PSL local – que naquela eleição respaldaria o advogado Diogo Francisco Alves Maciel ao comando do município. Feito que, de acordo com os números, segue como credencial para a simpatia dos conterrâneos.

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NA TRAVE

Chipa, como ficou conhecido popularmente, quase foi o candidato a vice-prefeito, em 2020, em chapa com Alves Maciel, quando as disputas internas se acirraram no extinto PSL.

A maior parte dos convencionais, entretanto, preferiu Machado Junior.

O fator Augusto Cury

Postado em 1 de setembro de 2026
Foto: Renato Pizzutto/Band

Ainda distante do segundo turno, Augusto Cury (AVANTE) pode se tornar mais importante do que seus números atuais sugerem. A campanha eleitoral no rádio e na televisão começou, e um novo nome ganhou força na última semana para a presidência da República: o dele.

Após sua participação em um debate esvaziado na televisão, Cury conseguiu transformar uma oportunidade aparentemente secundária em projeção nas redes sociais. O resultado foi imediato: crescimento nas pesquisas e a conquista de índices de dois dígitos, ultrapassando candidatos que até então disputavam o espaço da chamada terceira via, como Renan Santos (MISSÃO), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO).

Médico psiquiatra e escritor de grande sucesso editorial, o candidato do AVANTE surge como uma alternativa para um eleitorado que procura escapar da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Seu crescimento evidencia algo que já vinha sendo percebido, mas que ainda precisava ser personificado.

Há uma parcela relevante da população brasileira que é, ao mesmo tempo, anti-Lula e anti-Bolsonaro.

Os números recentes indicam que Cury tem retirado votos dos dois polos, mas principalmente de Flávio Bolsonaro. Esse movimento acende um sinal de alerta na campanha do PL, que precisa consolidar e fidelizar o eleitorado de direita para evitar dispersão.

É evidente que o candidato do AVANTE ainda está distante de ameaçar, diretamente, a presença de Flávio em um eventual segundo turno. Mas seria um erro tratá-lo como irrelevante. Em uma eleição polarizada, alguns pontos percentuais podem ser decisivos — seja para definir quem vai ao segundo turno, ou para determinar quem chega mais forte a ele.

Se continuar crescendo, Cury poderá se tornar mais importante no segundo turno do que aparenta ser hoje no primeiro. Tanto Lula quanto Flávio terão de calibrar seus ataques, evitando transformar o candidato do AVANTE e seus eleitores em adversários irreconciliáveis.

A política costuma ensinar uma lição simples: eleições têm dois tempos. Primeiro, disputa-se o voto. Depois, busca-se apoio.

Como diz uma velha frase atribuída ao mundo político: “nunca ofenda no almoço alguém de quem você pode precisar no jantar.”

Brasil congelado e polarizado

Postado em 19 de agosto de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr

Quatro anos depois, a disputa presidencial continua presa à mesma polarização, mas com uma diferença decisiva: o cenário de 2026 é muito mais apertado.

Com o início da campanha eleitoral, fiz o exercício de resgatar as pesquisas realizadas em 2022 e compará-las com os levantamentos de 2026, considerando períodos semelhantes. O resultado chama atenção: os números do primeiro turno são praticamente os mesmos.

Em 2022, Lula (PT) liderava os cenários estimulados de primeiro turno com uma vantagem de 7% sobre o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). No recorte atual, a diferença entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) também tem sido de sete pontos percentuais. Em ambos os casos, os dados considerados são de levantamentos BTG Pactual/Nexus.

A diferença mais significativa, porém, está nos cenários de segundo turno. Em 2022, no início da campanha, Lula apresentava vantagem de 12% sobre Jair Bolsonaro. Mas agora a distância entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro é de apenas 3% — um cenário muito mais próximo de um empate técnico.

O contexto, portanto, parece ter mudado de lado. Na eleição passada, Lula se beneficiou do desgaste acumulado do governo Bolsonaro, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e de seus efeitos econômicos e sociais. Agora, o chamado “telhado de vidro” está sobre seu próprio governo. Pela terceira vez no comando da Nação, o presidente enfrenta o desafio de apresentar algo novo capaz de mobilizar o eleitorado e justificar o desejo por um quarto mandato.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, que em 2022 não conseguiu transformar a força da máquina pública em vitória eleitoral, chega a 2026 tendo consolidado sua influência sobre a direita brasileira e transferido parte significativa de seu capital político para o filho, Flávio, escolhido pelo núcleo familiar para disputar a sucessão.

Mas o candidato do PL não herda apenas o capital político do sobrenome Bolsonaro. Herda também sua rejeição. E esse fator ajuda a transformar a eleição em uma disputa marcada menos pela paixão por um nome e mais pela rejeição ao adversário — o conhecido dilema do “menos pior”.

O fato político mais relevante, portanto, é que o Brasil parece continuar congelado entre o antilulismo e o antibolsonarismo. Uma disputa altamente polarizada, equilibrada e incerta, na qual cada novo acontecimento, declaração ou crise pode alterar os números e, consequentemente, o resultado das eleições.

SC e o cabresto eleitoral 2.0

Postado em 27 de fevereiro de 2026
Foto: Divulgação

O PL confirmou na última quarta-feira (25) as candidaturas de Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro na disputa pelas vagas catarinenses ao Senado nas eleições de outubro, baixando a fervura, ao menos por enquanto, em torno da formação da chapa com Jorginho Mello.

A política brasileira já viveu sob a tutela do chamado “voto de cabresto”, onde a elite política, simbolizada pelos coronéis, impunha em quem as pessoas deveriam votar.

Santa Catarina parece viver uma nova fase desse mesmo voto de cabresto. Uma forma mais dissimulada, que começou com uma indicação imposta pelos coronéis (ou seriam capitães?), e que agora segue sob a sombra da candidatura daquela que, até aqui, aparece como a preferida dos barrigas-verdes.

Pode ter cartinha. Pode ter entrevista coletiva. Pode ter contrato com firma reconhecida em cartório. Mas uma coisa é certa: a candidatura de Carol ao Senado dependerá diretamente do desempenho de Carlos Bolsonaro nas pesquisas de opinião até as convenções partidárias em agosto.

Ela terá que trabalhar em conjunto — grudadinha — com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro para fazer com que os votos dele aumentem ou, no mínimo, ultrapassem a votação dela.

Caso contrário, se a candidatura de Carlos não decolar ou estiver ameaçada por outro nome, como Esperidião Amin (PP) ou Décio Lima (PT), por exemplo, uma coisa é certa: detonam De Toni – com o perdão do trocadilho – e anunciam qualquer outro candidato.

O objetivo central parece ser claro: concentrar os votos do PL no ex-vereador carioca e garantir sua eleição ao Senado por Santa Catarina. Ainda que isso signifique sacrificar uma aliada no caminho.

Resumindo: o apoio do catarinense a Carlos Bolsonaro será no cabresto. Quem quiser Carol De Toni como candidata terá de apoiar Carlos Bolsonaro — sem qualquer tipo de críticas públicas, sem dissensos estratégicos, sem ruídos. Porque, se ele cair nas pesquisas, quem cai é ela.

Sincerão

Postado em 1 de novembro de 2024
Foto: Rádio Clube

O ex-prefeito de São João Batista e candidato vencido no pleito recente, Daniel Netto Cândido (PSD), creditou seu insucesso na tentativa de retornar à chefia do Executivo municipal ao poderio econômico das campanhas adversárias.

Em entrevista ao Na Boca do Povo, da Rádio Clube, o peessedista afirmou que as pesquisas de intenção de voto internas apontavam para a sua vitória no pleito, mas a coligação não teve estrutura financeira para a manutenção da liderança.

“Aconteceu o que tem acontecido desde 2004, quando o poder econômico entrou nas eleições. Fazíamos pesquisas internas semanais, mas não registramos porque não tínhamos dinheiro. Em todas liderávamos, do início à última semana. Mas não tivemos estrutura financeira pra aguentar a pressão do poder econômico da eleição”, afirmou o ex-mandatário.

PRÓXIMOS PASSOS

Sem mandato, Netto Cândido foi aprovado recentemente no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pretende se dedicar à carreira, embora garanta que tenha recebido convites para trabalhar na Assembleia Legislativa e sondagens para servir ao Governo do Estado.

“Vou advogar e abrir um escritório. Tenho capacidade pra isso, muitos relacionamento e uma parceria com um dos maiores escritórios de Brasília. Vou advogar e tratar da política de forma paralela. Tive convites pra voltar pra Assembleia Legislativa e para conversar com o governador Jorginho Mello, mas só vou aceitar esses convites se for pra usar meu conhecimento em favor da comunidade”, justificou.

Margem de acerto

Postado em 7 de outubro de 2024
Foto: Luan Lucas

No fim das contas, e para bem de uma verdade que jamais será absoluta, todas as pesquisas publicadas em Tijucas estiveram corretas ou redondamente erradas. Acertaram de acordo com o momento em que foram realizadas ou se perderam na margem de erro, que, mostrou-se nas urnas, antecipavam um equilíbrio que os mais céticos sempre duvidaram.

Foram 616 votos de diferença entre o vencedor, vereador Maickon Campos Sgrott (PP), e o primeiro vencido, empresário Thiago Peixoto dos Anjos (PL). A distância para o ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB), que se previa capaz de movimentar a disputa no voto a voto com quem quer que fosse, é que talvez tenha sido o ponto discrepante da maioria dos levantamentos contratados por todos os grupos.

Pouca gente imaginou, mesmo com o crescimento populacional do município e com a diversificação do eleitorado – que não se conhece mais a olho nu –, que haveria espaço para que três movimentos, assim como nas grandes cidades, chegassem ao pleito com chances claras e dependentes de pequenos percentuais para a glória ou o fracasso.

Venceu o favorito, com méritos, claro! Mas quem pode negar, agora, que os outros dois eram, cada qual no seu momento e fora da bolha, favoritos também?

PL definido

Postado em 5 de julho de 2024
Foto: Arquivo Pessoal

Na seara liberalista de Tijucas, os vagões se alinharam nos trilhos. E a locomotiva deve ser, ao que tudo indica, o empresário Thiago Peixoto dos Anjos.

Os últimos dias foram de conversas apuradas, reuniões com a cúpula do PL estadual e ajustes internos. O potencial de votos registrado nas pesquisas, somado ao recall do pleito de 2020, foi determinante para que Peixoto dos Anjos assumisse a condição de alternativa mais viável do partido para a disputa da prefeitura.

O martelo foi batido na noite de ontem. As definições envolvem ainda outra questão: o PL vai concorrer nestas eleições com chapa pura. E a composição do dueto liberalista cabe ao vereador Fernando Fagundes, que assentiu à proposta e deve se candidatar a vice-prefeito.

Mais fumaça

Postado em 25 de junho de 2024
Foto: Divulgação

Se havia um favoritismo do empresário Felipe Lemos, de São João Batista, na disputa interna para representar o PL no pleito de outubro, ele foi confirmado nesta terça-feira (25), em reunião na Capital do Estado.

A pré-candidatura de Lemos foi a escolhida pela executiva catarinense, que tinha ainda os vereadores Mário Antônio Garcia Teixeira e Gustavo Grimm, ambos postulantes ao mesmo cargo, como opções.

Fontes do Blog justificam que o empresário foi escolhido por uma série de fatores, entre eles, o trabalho intenso de filiações e estruturação do partido, a representação dos ideais conservadores e, por fim, em atenção ao “crescimento exponencial” de Lemos nas pesquisas de opinião pública.

PRÓXIMOS PASSOS

Encontros com o governador do Estado, Jorginho Mello, e o presidente de honra do PL, Jair Bolsonaro, devem ocorrer nas próximas semanas, com intuito de avalizar o projeto do grupo batistense.

A relevância das duas lideranças no cenário político de Santa Catarina, a propósito, pode ser levada em consideração para a definição do futuro candidato a prefeito. Especula-se que, com apoio de Jorginho e Bolsonaro, dificilmente o PL não teria protagonismo a altura na chapa. Pois então…

Nada feito

Postado em 7 de junho de 2024
Foto: Divulgação

O que antes era uma certeza, hoje é uma dúvida. O bloco de oposição em Nova Trento, encabeçado por PL e composto por PP, PSDB e UNIÃO, pode sofrer a baixa de um dos mais tradicionais partidos do município: o PSDB.

Fontes do Blog revelavam há algumas semanas um certo desconforto pela preferência dos liberalistas, sobretudo do pré-candidato a prefeito pela legenda, Maxiliano de Oliveira, em indicar um candidato a vice-prefeito do PP. O nome favorito, aliás, era o do empresário e ex-vereador Edson Hugen.

Os tucanos reclamam, ainda, de uma sugerida falta de protagonismo nos blocos, desde 2012, quando acompanharam o PP em chapa liderada por Gian Francesco Voltolini (PP), fato repetido em 2016 na reeleição do progressista e, na última eleição, quando o grupo foi vencido por Tiago Dalsasso (MDB).

Recentemente, lideranças e simpatizantes do PSDB anunciaram que podem deixar o bloco e ameaçaram lançar uma candidatura própria, caso a pesquisa de opinião pública não seja levada em consideração na escolha do candidato a vice-prefeito.

“A pesquisa tem que ser criteriosa e nos mostrar números reais de cada pré-candidato a vice. Se aparecer outro candidato com melhor índice, apoiaremos. Mas não aceitaremos imposição de ninguém”, declarou o vereador e presidente tucano, Gabriel Battisti, em entrevista a uma rádio local.

Primeiro da fila

Postado em 19 de abril de 2024
Foto: Luan Lucas

As pesquisas quantitativas e qualitativas são o termômetro de qualquer postulação pré-eleitoral, e determinam quem chega ao pleito com chances de êxito. As métricas das opiniões do eleitorado, potencial de votos e rejeição, neste momento, decidem, além dos nomes, as estratégias que os partidos e coalizões devem adotar.

Embora as definições estejam marcadas apenas para as convenções, 45 dias antes do pleito, em Tijucas tanto situação quanto oposição têm uma certeza: o ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB) vem liderando o quadro desde que as empresas de estatísticas passaram a atuar na cidade.

E, apesar da propaganda desconcertante ao rival, mesmo os governistas admitem que este, na atualidade, seria o ponto de combate. Ter “melhores chances depois do Elmis” se transformou em discurso corriqueiro para os demais pretendentes ao pleito majoritário.

Para os estudiosos, Mannrich se vale do recall – foi prefeito por dois mandatos consecutivos e atuou decisivamente na vitória do sucessor, Valério Tomazi (MDB), em 2012 –, lidera uma base partidária tradicional e de militância robusta, e, hoje, com as fadigosas indefinições nos movimentos concorrentes, continua sendo o mais lembrado por quem se mostra descontente com as ações do governo de Eloi Mariano Rocha (PSD).

Ninguém pode prever, entretanto, que os números se mantenham durante a campanha ou, principalmente, na abertura das urnas.