domingo, 13 de setembro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Brasil congelado e polarizado

Postado em 19 de agosto de 2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr

Quatro anos depois, a disputa presidencial continua presa à mesma polarização, mas com uma diferença decisiva: o cenário de 2026 é muito mais apertado.

Com o início da campanha eleitoral, fiz o exercício de resgatar as pesquisas realizadas em 2022 e compará-las com os levantamentos de 2026, considerando períodos semelhantes. O resultado chama atenção: os números do primeiro turno são praticamente os mesmos.

Em 2022, Lula (PT) liderava os cenários estimulados de primeiro turno com uma vantagem de 7% sobre o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL). No recorte atual, a diferença entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL) também tem sido de sete pontos percentuais. Em ambos os casos, os dados considerados são de levantamentos BTG Pactual/Nexus.

A diferença mais significativa, porém, está nos cenários de segundo turno. Em 2022, no início da campanha, Lula apresentava vantagem de 12% sobre Jair Bolsonaro. Mas agora a distância entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro é de apenas 3% — um cenário muito mais próximo de um empate técnico.

O contexto, portanto, parece ter mudado de lado. Na eleição passada, Lula se beneficiou do desgaste acumulado do governo Bolsonaro, especialmente em razão da pandemia de Covid-19 e de seus efeitos econômicos e sociais. Agora, o chamado “telhado de vidro” está sobre seu próprio governo. Pela terceira vez no comando da Nação, o presidente enfrenta o desafio de apresentar algo novo capaz de mobilizar o eleitorado e justificar o desejo por um quarto mandato.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, que em 2022 não conseguiu transformar a força da máquina pública em vitória eleitoral, chega a 2026 tendo consolidado sua influência sobre a direita brasileira e transferido parte significativa de seu capital político para o filho, Flávio, escolhido pelo núcleo familiar para disputar a sucessão.

Mas o candidato do PL não herda apenas o capital político do sobrenome Bolsonaro. Herda também sua rejeição. E esse fator ajuda a transformar a eleição em uma disputa marcada menos pela paixão por um nome e mais pela rejeição ao adversário — o conhecido dilema do “menos pior”.

O fato político mais relevante, portanto, é que o Brasil parece continuar congelado entre o antilulismo e o antibolsonarismo. Uma disputa altamente polarizada, equilibrada e incerta, na qual cada novo acontecimento, declaração ou crise pode alterar os números e, consequentemente, o resultado das eleições.

Linha de frente

Postado em 18 de agosto de 2026
Foto: Divulgação

O suplente de deputado estadual e ex-prefeito de São João Batista, Daniel Netto Cândido (PSD), tem uma prioridade nestas eleições: elevar o capital eleitoral da dobradinha Júlio Garcia (PSD) e Marlene Fengler (PSD) na região. O presidente da Assembleia Legislativa concorre, agora, a uma cadeira na Câmara Federal, enquanto a ex-deputada estadual tenta retornar ao parlamento catarinense.

Amanhã, a propósito, Cândido tem agenda com seus representados no Vale. Garcia e Marlene começam o dia em Tijucas, na Apae (Associação de Pais e Amigos do Excepcionais) e na AMA (Associação de Pais e Amigos do Autista) e, em seguida, vão a Canelinha, São João Batista e Nova Trento.

Nas eleições de 2022, quando se candidatou a deputado estadual, o batistense somou 20.110 votos. Na região, ficou entre os primeiros colocados. A ideia, agora, é que ele consiga transferir parte do eleitorado que conquistou para os candidatos apoiados. E o roteiro no Vale marca, efetivamente, o início dessa empreitada.

Paralelamente, Cândido atua na equipe de coordenação da campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo estadual. Outra das frentes que podem dizer, nas entrelinhas, se o ex-prefeito tem, ainda, lenha para queimar principalmente em São João Batista.

Vizinhança

Postado em 24 de julho de 2026
Foto: Divulgação

Embora a ex-prefeita Nilza Simas (PL) tenha anunciado pré-candidatura a deputada estadual nestas eleições, e obviamente a estrutura municipal de Itapema, que é de continuidade, seja suporte da campanha, parte do funcionalismo público prefere o projeto do portobelense Emerson Stein (MDB). O registro da reunião de anteontem comprova.

O ex-secretário de Estado do Meio Ambiente, que postula uma das 40 cadeiras da Assembleia Legislativa, encontrou-se com cerca de 30 apoiadores em Itapema – parte deles, servidores da prefeitura. O grupo se forma, ainda, com vereadores, suplentes, empresários e lideranças locais.

O bom trânsito na gestão itapemense tem porquê. Stein destinou, como deputado estadual e figura de primeiro escalão do governo, R$ 12,5 milhões para Itapema nos últimos anos. Logicamente, o prefeito Carlos Alexandre “Xepa” de Souza Ribeiro (PL), sucessor de Nilza, independentemente do compromisso com a ex-prefeita, não tem como impedir que alguns dos seus subordinados acompanharem o projeto do portobelense. É do jogo.

Convocação

Postado em 27 de maio de 2026
Foto: Divulgação

Ex-vice-prefeito de Tijucas, o engenheiro Sérgio Fernandes Cardoso (PSD) vai coordenar a campanha do amigo e pré-candidato a governador Gelson Merisio (PSB) na região. Ontem, reuniu apoiadores sob a tutela da tijuquense Ilse Gallotti para apresentar o plano de trabalho e traçar metas.

Coisa Querida, como ficou popularmente conhecido, decidiu colocar a gratidão acima do ajuste partidário. Apesar da estreita relação com o correligionário João Rodrigues (PSD), foi por Merisio que chegou ao Sebrae, onde fez carreira como gerente regional e diretor administrativo financeiro. “Me ajudou quando mais precisei. Tenho o dever de retribuir”, justificou o ex-vice-prefeito durante o encontro.

O apoio de Cardoso ao xaxiense tem sido constante, desde os anos 2000, nas campanhas ao parlamento catarinense e, mais recentemente, em 2018, na disputa do governo estadual.

Atuação paralela

Postado em 4 de março de 2026
Foto: TopElegance

O vereador Maurício Poli, líder-mor do UNIÃO BRASIL em Tijucas, recebeu um convite – quase convocação – do partido para atuar na coordenação regional dos candidatos unionistas no pleito de 2026. Embora ainda não tenha confirmado, ele sabe da responsabilidade e, internamente, vem preparando o grupo para uma mudança de rota nos próximos meses.

O trabalho demandaria, sobretudo, dedicação máxima ao projeto e, portanto, a cedência da cadeira na Câmara Municipal a um suplente. A vaga seria oferecida ao segundo da lista, Cláudio de Oliveira, uma vez que o substituto imediato José Roberto “Betinho” Giacomossi continuaria, por opção, no comando do Procon municipal. A licença do Legislativo duraria 120 dias.

Assim que se afastar da Câmara, e estiver oficialmente em campanha, as incumbências de Poli seriam principalmente as reeleições de Fábio Schiochet (UNIÃO-SC) para a Câmara Federal e Sérgio Guimarães (UNIÃO) na Alesc, com sobras do fluxo local para Gean Loureiro (UNIÃO), que também deve concorrer ao parlamento catarinense.

Danos mínimos

Postado em 17 de fevereiro de 2026
Foto: Agência AL

Fator que impacta diretamente os planos do portobelense Emerson Stein (MDB) nestas eleições, o retorno do secretário de Estado da Infraestrutura, Jerry Comper (MDB), para a Alesc tem data definida: 2 de março. O prazo foi decidido em reunião da bancada do MDB, semanas atrás, seguindo orientação da executiva do partido, que se desligou do governo de Jorginho Mello (PL).

Os danos, aliás, são quase nulos para Stein. Na programação original, março seria, de fato, o dead line para a entrega da cadeira ao titular, que já pretendia passar um período no parlamento – mesmo que os emedebistas mantivessem a aliança com o governador.

Assim que deixar o Legislativo estadual, o ex-prefeito de Porto Belo deve se dedicar integralmente ao trabalho de campo, com visitas a lideranças, articulação política e apresentação de resultados. Stein, que se dividiu entre a Assembleia e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente nestes três anos, sempre deixou claro que seu objetivo era uma das 40 vagas ao parlamento catarinense em 2026. Desta vez, sem os percalços da suplência.

Para tanto, precisa, pelo menos, manter a supremacia eleitoral na região, quando foi o mais votado na soma dos oito municípios do Vale do Rio Tijucas e da Costa Esmeralda, com 16.525 indicações. A conferir.

Aula prática

Postado em 6 de dezembro de 2024
Foto: Luan Lucas | Arquivo | LINHA DE FRENTE

Ainda que não tenha alcançado o objetivo proposto, de ser eleita prefeita de Bombinhas, a advogada Jadna Matias da Silva (NOVO) segue atuante na orientação política-eleitoral do cidadão bombinense. Técnica, conhecedora das leis, ela tem usado as redes sociais – que ganharam mais visibilidade durante a campanha – para guiar aqueles que têm dúvidas sobre o papel do agente público no dia a dia do município.

Ontem, por exemplo, a liderança municipal do NOVO compartilhou o que sabe e o que entende que precisa ser dito sobre o trabalho do vereador. E provocou o eleitor a observar se, de fato, seu representante na Câmara Municipal cumpre adequadamente as tarefas de legislar e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos. “Uma primeira análise que se pode fazer para verificar se o seu vereador estará em condições de agir de modo independente, atuando em favor da comunidade, é apurando se ele fez ou fará a indicação de familiares, amigos ou apoiadores políticos para cargos no Executivo ou no Legislativo”, apontou.

A instrução do eleitor e o aperfeiçoamento da política em geral são diretrizes do NOVO, legenda que Jadna representa, e condições que assumiu como mantras de campanha e que, ao que mostra, pretende levar adiante como liderança local. E ela tem, a partir de janeiro, na mãe, vereadora eleita Lourdes Matias (NOVO), a prova viva para demonstrar na prática tudo o que vem dizendo e pregando. A conferir.

Período integral

Postado em 27 de novembro de 2024
Foto: Internet

Uma das discussões da primeira reunião oficial entre o prefeito eleito Maickon Campos Sgrott (PP) e o colegiado da próxima gestão, ontem, foi sobre os horários de funcionamento da prefeitura.

Decidiu-se, quase que unanimemente – salvo por um membro da equipe, que argumentou economia com despesas das repartições -, que tanto a sede administrativa quanto os departamentos sequentes atenderiam em período comercial. Diferentemente do expediente atual, a propósito, das 7h às 13h.

A proposta vem ao encontro da opinião popular, raramente mencionada em campanha, mas sempre debatida na comunidade. Apoiadores de Sgrott, inclusive, cobravam a mudança caso o resultado da eleição fosse favorável.

O prefeito eleito, embora mantenha parte do time de Eloi Mariano Rocha (PSD), e em atenção ao recado das urnas, inicia o mandato remexendo uma polêmica e, por ora, contentando significativa parcela da população.

Descontente

Postado em 25 de novembro de 2024
Foto: Arquivo Pessoal

O experiente vereador reeleito de Canelinha, Eloir João Reis (PSD), o Lico, não digeriu bem o tratado de divisão da presidência do Legislativo arquitetado por cinco parlamentares eleitos na base governista, da qual também fazia parte. Pelo contrário.

Ao ouvir a proposta e descobrir que não seria contemplado no projeto, dias atrás, o ex-prefeito e ex-vice-prefeito – conhecido pelo perfil moderado -, elevou o tom com os correligionários. Reis argumentava que sua “história política” tinha que ser “respeitada” e que, por isso, deveria presidir a Casa do Povo por pelo menos um ano.

O grupo, que já somava o número de votos necessários para a vitória na eleição interna, não desistiu da ideia e manteve o acordo. Alguns, inclusive, lembraram o atual presidente do parlamento canelinhense que, no passado, apoiaram seus projetos políticos, com trabalhos, votos e até aportes financeiros para as campanhas.

CONTRA-ATAQUE

Especula-se que, desde a fatídica reunião, Lico estaria buscando apoio na trincheira oposicionista da próxima legislatura. Com os três votos da ala somados ao próprio sufrágio, o ex-prefeito dependeria apenas de um dissidente da aliança governista para alcançar novamente o posto.

As primeiras sondagens, a propósito, já teriam acontecido, mas as respostas, segundo apurado pelo Blog, foram negativas.

Manutenção

Postado em 11 de novembro de 2024
Foto: Divulgação

Se o prefeito eleito Maickon Campos Sgrott (PP) estiver, de fato, seguindo o conceito de competência e tecnicidade para os cargos de primeiro escalão do próximo governo de Tijucas, o atual mandatário Eloi Mariano Rocha (PSD) parece ter acertado sem querer no fim da gestão.

Servidora efetiva da administração municipal, a professora Sheila Dias foi nomeada secretária de Educação em 13 de setembro e vai seguir no cargo a partir de 2025. O “sim” foi dado agora à noite para Sgrott e para o vice-prefeito eleito Rudnei de Amorim (PSD).

Sheila, antes, foi coordenadora de Defesa Civil do município e assumiu a Educação há quase dois meses, assim que a pasta ficou vaga.

Para os próximos governantes, ela cumpre todos os requisitos basais do posto e abrange outra das diretrizes apontadas: a valorização do servidor concursado, que tanto Sgrott quanto Amorim prenunciavam em campanha.