Jackson Laurindo
O fator Augusto Cury
Foto: Renato Pizzutto/Band
Ainda distante do segundo turno, Augusto Cury (AVANTE) pode se tornar mais importante do que seus números atuais sugerem. A campanha eleitoral no rádio e na televisão começou, e um novo nome ganhou força na última semana para a presidência da República: o dele.
Foto: Renato Pizzutto/BandApós sua participação em um debate esvaziado na televisão, Cury conseguiu transformar uma oportunidade aparentemente secundária em projeção nas redes sociais. O resultado foi imediato: crescimento nas pesquisas e a conquista de índices de dois dígitos, ultrapassando candidatos que até então disputavam o espaço da chamada terceira via, como Renan Santos (MISSÃO), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO).
Médico psiquiatra e escritor de grande sucesso editorial, o candidato do AVANTE surge como uma alternativa para um eleitorado que procura escapar da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Seu crescimento evidencia algo que já vinha sendo percebido, mas que ainda precisava ser personificado.
Há uma parcela relevante da população brasileira que é, ao mesmo tempo, anti-Lula e anti-Bolsonaro.
Os números recentes indicam que Cury tem retirado votos dos dois polos, mas principalmente de Flávio Bolsonaro. Esse movimento acende um sinal de alerta na campanha do PL, que precisa consolidar e fidelizar o eleitorado de direita para evitar dispersão.
É evidente que o candidato do AVANTE ainda está distante de ameaçar, diretamente, a presença de Flávio em um eventual segundo turno. Mas seria um erro tratá-lo como irrelevante. Em uma eleição polarizada, alguns pontos percentuais podem ser decisivos — seja para definir quem vai ao segundo turno, ou para determinar quem chega mais forte a ele.
Se continuar crescendo, Cury poderá se tornar mais importante no segundo turno do que aparenta ser hoje no primeiro. Tanto Lula quanto Flávio terão de calibrar seus ataques, evitando transformar o candidato do AVANTE e seus eleitores em adversários irreconciliáveis.
A política costuma ensinar uma lição simples: eleições têm dois tempos. Primeiro, disputa-se o voto. Depois, busca-se apoio.
Como diz uma velha frase atribuída ao mundo político: “nunca ofenda no almoço alguém de quem você pode precisar no jantar.”
Jackson Laurindo é cientista político, analista do cenário eleitoral da região, de Santa Catarina e do país, e publica periodicamente no Blog do Léo Nunes
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