quarta-feira, 20 de maio de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Com quem andas

Postado em 23 de fevereiro de 2026
Foto: CMT/Divulgação

As relações da vereadora Maria Edésia da Silva Vagas (PP) – que assume a Secretaria Municipal de Assistência Social de Tijucas em março – com figuras basais do PT em Santa Catarina foram postas na mesa por representantes locais do PL em tom de reprovação. Os vereadores Esaú Bayer (PL) e Renato Laurindo Júnior (PL) recorreram às redes sociais para manifestar o desagrado com o gesto do prefeito Maickon Campos Sgrott (PL).

Laurindo Júnior, inclusive, lembrou, no protesto, que pediu publicamente ao chefe do Executivo municipal que “respeitasse as diretrizes do PL”.

Déda, a propósito, foi eleita em 2016 para a Câmara Municipal filiada ao PT, que, na ocasião, compunha a aliança governista com o então vice-prefeito Adalto Gomes (PT). Cunhada do advogado e ex-vice-prefeito Roberto Carlos Vailati, expoente do movimento de esquerda no município, ela carrega, ainda, as marcas do passado. E nunca omitiu. Não raro, aparece ombreada com o casal Décio Lima e Ana Paula Lima, bastiões do petismo no estado, em publicações sociais.

Campos Sgrott, por sua vez, preferiu dar tempo ao tempo. Evitou a polêmica forjada na polarização nacional e cruzou os braços diante das críticas dos recém-amealhados correligionários. Fez como seu tutor, o governador Jorginho Mello (PL), que, nos tempos de deputado federal, para manter a paz e o equilíbrio – principalmente o emocional –, e atingir o fim esperado, deu-se bem com todos, principalmente com a líder da ocasião, presidente Dilma Rousseff (PT). Pois então…

Carnaval e civismo: o erro do palanque

Postado em 20 de fevereiro de 2026
Foto: Riotur.Rio

Em Biografia do Abismo, o cientista político Felipe Nunes descreve como o Brasil atravessa um processo de extrapolação da polarização política. Ele o define como “calcificação política”: condição em que a divisão ideológica transborda as urnas, instala-se nas mais diversas esferas da sociedade e passa a gerar rupturas sociais profundas.

Os sinais estão por toda parte. A política já contaminou símbolos nacionais, marcas de consumo e até manifestações culturais. O desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reacendeu o debate sobre os limites entre expressão artística e palanque político.

Levar a idolatria a figuras políticas para o Carnaval é um erro. Independentemente de eventual tipificação eleitoral, o culto à personalidade é sintoma de uma sociedade que ainda carece de maturidade política. Trata-se da crença perigosa em figuras messiânicas, capazes de solucionar problemas complexos sob uma aura de sacralidade, ignorando as imperfeições inerentes à condição humana.

Populismo e egocentrismo são traços transversais à esquerda e à direita brasileiras. Seus líderes contemporâneos apreciam ser reverenciados como figuras acima de qualquer imperfeição terrena, não como mandatários temporários, mas como líderes infalíveis.

O roteiro não é inédito. Em 2022, durante as celebrações do bicentenário da Independência, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou o 7 de Setembro como plataforma política. Posteriormente, foi declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político. O precedente jurídico reforça que símbolos nacionais e eventos públicos não podem ser instrumentalizados eleitoralmente.

O ponto central não é Lula ou Bolsonaro. O Brasil não precisa de um salvador da pátria. Precisa de projeto. Precisa de planejamento de Estado, estabilidade institucional e maturidade democrática.

É imperativo evitar que a calcificação política atue como catalisadora de uma ruptura social irreversível. O Carnaval carioca ofereceu uma resposta técnica e simbólica ao mundo político: ao rebaixar a Acadêmicos de Niterói para o grupo de acesso, sinalizou que a folia — espaço
de crítica e liberdade — não deve ser confundida com palanque de adoração.

Vermelho da sorte

Postado em 30 de agosto de 2024
Foto: Arquivo Pessoal

Em tempos de extrema polarização ideológica no Brasil, o prefeito e candidato à reeleição, Joel Orlando Lucinda (MDB), de Porto Belo, deixou a condição de lado e relembrou uma tradição: o uso da mesma camisa vermelha nos materiais de campanha.

Antes mesmo da cor ser atribuída ao PT e aos movimentos de esquerda, Lucinda já utilizava vestimentas vermelhas. O mandatário explica que a cada novo pleito buscava a “boa e velha camisa da sorte” para trazer boas energias ao processo.

“Em todas as minhas eleições como vereador, fiz as fotos do santinho e da urna com a mesma camisa vermelha. Era a minha camisa da sorte. Com o passar dos anos, as pessoas me perguntavam se eu iria usá-la novamente. Em 2022 e neste ano, precisei mudar. Mas continuo fazendo a foto”, revelou.

REGISTRA-SE: Antes de disputar a prefeitura nas eleições suplementares, Lucinda concorreu sete vezes ao Legislativo e conquistou uma das cadeiras da Câmara de Vereadores de Porto Belo em todas as oportunidades, entre 1996 e 2020.

Reunidos

Postado em 30 de agosto de 2023
Foto: Arquivo Pessoal

O frio e a chuva das últimas horas em Tijucas não atrapalharam os planos do ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB), de reunir lideranças emedebistas em um encontro com militantes e simpatizantes de outras legendas.

Os periquitos mais tradicionais que ano após ano participam das decisões do grupo estiveram presentes. Destaque para os vereadores Fernando Fagundes e Esaú Bayer, e para o ex-prefeito Valério Tomazi.

Entre os convidados, ainda estavam representantes do PDT, do PT e do PV – partidos que já compuseram aliança com o MDB em projetos passados. A presença do segundo colocado nas eleições de 2020 e pré-candidato a prefeito Thiago Peixoto dos Anjos (PDT) chamou atenção.

Ao Blog, Mannrich, presidente do MDB tijuquense, revelou que vem trabalhando para manter a união da militância e para reafirmar possíveis conjunturas. Para isso, segundo ele, os embates ideológicos que vêm polarizando a política nacional precisam ser deixados de lado. “Sempre prego que deixo livre a questão federal e estadual. Foco na questão municipal”, diz.