quinta-feira, 14 de maio de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Inimigos íntimos

Postado em 14 de maio de 2026
Foto: Léo Nunes

De todos os inusitismos do alinhamento entre PSD, MDB e PP – que reveste a pré-campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo estadual – as junções de figuras heterogêneas, historicamente divergentes nos municípios, tem chamado atenção. E ontem, em Tijucas, as excentricidades foram elevadas ao primeiro nível.

Nunca se imaginou que os ex-prefeitos Elmis Mannrich (MDB) e Eloi Mariano Rocha (PSD) pudessem, em qualquer cenário, frequentar o mesmo palanque. Era impossível, para qualquer militante ou observador curioso, romper o passado, de embates acirrados e acusações severas, com tamanha facilidade. Mas eles tiraram de letra – com espasmos isolados de constrangimento, a bem da verdade.

A iniciativa, de acordo com relatores da linha do tempo, teria sido de Mariano Rocha, que telefonou para Mannrich nas vésperas do encontro e pediu para “reunir a liderança do MDB” na recepção. Durante o evento, os rivais estiveram quase sempre juntos. O incômodo do emedebista, entretanto, era nítido.

O embaraço foi habilidosamente desfeito por Rodrigues, que, ao posicionar os ex-prefeitos na dianteira do palco, ficou entre eles e disse que era “para não dar briga”. As risadas dos presentes suavizaram o clima, que ganhou ainda mais cordialidade nos aplausos dos colas-brancas ao manifesto ardoroso de Mannrich em favor da reeleição de Esperidião Amin (PP) ao Senado. Pois então!

NA HISTÓRIA

Embora pareça estranho, a mistura entre agremiações – e líderes – desconformes em Tijucas teve outros capítulos. O próprio MDB, com Valério Tomazi, venceu uma eleição, em 2012, aliado ao PSD, com representação do candidato a vice-prefeito Ailton Fernandes. A diferença, na ocasião, foi que os colas-brancas não acompanharam a proposta e se uniram a Adalto Gomes (PT) na trincheira rival.

Em condição muito semelhante à atual, o advogado Marcio Rosa, presidente do MDB tijuquense em 2010, chegou a coordenar a campanha de Raimundo Colombo (no extinto DEM) ao governo estadual na região. Naquela feita, parte da liderança historicamente rival se uniu, embora outra parcela dos colas-brancas, de militância mais conservadora, houvesse acompanhado a candidatura de Ângela Amin (PP) e recusado a tríplice-aliança instruída por Luiz Henrique da Silveira (MDB).


No registro histórico, réquiem a personagens icônicos e inspiradores da política catarinense, como Luiz Henrique da Silveira, e local, a exemplo dos citados Adalto Gomes e Marcio Rosa, que, ainda que tenham partido, continuam nas nossas melhores referências

Do PL ao PSD

Postado em 20 de abril de 2026
Thiago Peixoto dos Anjos, Marlene Fengler, Júlio Garcia e Claudemir Correia, na Alesc | Foto: Divulgação

O empresário Thiago Peixoto dos Anjos, candidato a prefeito de Tijucas em 2020 e 2024, esteve com o presidente da Assembleia Legislativa e liderança exponencial do PSD em Santa Catarina, deputado estadual Júlio Garcia, semana passada, e aguçou a curiosidade da claque política local. Nas rodas de especulação, as conversas davam conta do possível ingresso do ex-PL nas fileiras pessedistas e consequente assunção do comando do partido no município, atualmente sob a batuta do ex-prefeito Eloi Mariano Rocha.

As conjeturas, no entanto, foram prontamente negadas por Peixoto dos Anjos. Ao Blog, ele declarou o voto em João Rodrigues (PSD) para a disputa do governo estadual, mas rechaçou qualquer movimento de bastidores em torno da legenda. “Como saí do PL, naturalmente tenho sido convidado por outros partidos. Mas não devo tomar nenhuma decisão nos próximos meses”, finalizou.

DESAGRADO

A apuração do Blog, a propósito, denota o descontentamento de Garcia com a postura de Mariano Rocha. O ex-prefeito e seu principal representante na gestão local, vice-prefeito Rudnei de Amorim (PSD), têm manifestado apoio ao projeto da deputada estadual Ana Paula da Silva (PODEMOS) para a Câmara Federal, o que teria provocado divergências – e cobranças – entre a cúpula pessedista no estado e a regência do partido no município.

De acordo com gente próxima do presidente da Alesc e pré-candidato a deputado federal, a linha de sucessão, entretanto, caso houvesse uma intervenção, seria respeitada e o comando do PSD tijuquense oferecido ao ex-vice-prefeito Sérgio “Coisa Querida” Cardoso.

Desabono

Postado em 14 de abril de 2026
Foto: Arquivo/Divulgação

As contas do exercício de 2023 do ex-prefeito Eloi Mariano Rocha (PSD) foram rejeitadas ontem na Câmara Municipal de Tijucas. Eram necessários dois terços – ou nove votos – do parlamento para que ele se livrasse da malha do Legislativo, mas apenas cinco vereadores optaram pela aprovação. Cinco indicações contrárias e duas abstenções deram o resultado final.

Inicialmente, a recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) era para que o desempenho financeiro da prefeitura em 2023 fosse aprovado, mas, no parecer, havia ressalvas. Contudo, a orientação do Ministério Público de Contas, mais rigorosa, foi de rejeição.

A condição política de Mariano Rocha, a propósito, não muda. Para que ele atingisse o patamar de inelegibilidade, as contas precisariam ser rejeitadas por dois terços do parlamento – ou nove vereadores. Portanto, e independentemente da mancha no currículo, o ex-prefeito estaria apto se quisesse se candidatar nestas eleições.

Veja como votaram os vereadores de Tijucas nesse caso:

Por aprovação das contas de 2023 da prefeitura: Júlio César Bucoski (PP), Lizandra Dadam (NOVO), Nadir Olindina Amorim (PSD), Paulo César Pereira (PSD) e Vilson José Porcíncula (PP);

Por rejeição: Cláudio Eduardo de Souza (MDB), Esaú Bayer (PL), Fabiano Morfelle (MDB), José Vicente de Souza e Silva (PL) e Renato Laurindo Júnior (PL);

Abstenções: Écio Hélio de Melo (PL) e Flávio Henrique Souza (MDB);

Ausência: Maurício Poli (UNIÃO), em Brasília a serviço do Legislativo.

Cobertura

Postado em 8 de janeiro de 2026
Foto: VipSocial

O movimento da família Poli, que comanda o UNIÃO BRASIL em Tijucas e reivindicava a Secretaria Municipal de Obras, Transportes e Serviços Públicos desde o início da gestão do prefeito Maickon Campos Sgrott (PL), começa a ter resultados práticos. O pleito do vereador Maurício Poli (UNIÃO) na Câmara Municipal sobre a ausência de abrigos de ônibus para a rede pública de ensino finalmente foi atendido.

O secretário Jhone Renner Poli, sobrinho do parlamentar, que assumiu a pasta de Obras em outubro, abriu licitação para a compra do material e deve, ainda antes do início do ano letivo, entregar o serviço. As reclamações na tribuna do Legislativo vinham de cinco anos, ainda na gestão de Eloi Mariano Rocha (PSD), a quem os Poli acompanharam na reeleição.

Rejeição unânime

Postado em 18 de dezembro de 2025
Foto: Arquivo

Deixar o governo não significa virar a página. O ex-prefeito de Tijucas, Elói Mariano Rocha (PSD), vai começar o próximo ano sob forte pressão após o Tribunal de Contas de Santa Catarina recomendar, por unanimidade, a rejeição das contas do último ano de sua gestão. O julgamento aconteceu no dia 15, ou seja, um presente de Natal indigesto.

O julgamento da Prestação de Contas de 2024 apontou um conjunto de falhas consideradas graves pelo Tribunal: atraso de 131 dias na entrega dos documentos, silêncio do ex-prefeito mesmo após prazo concedido pelo TCE e despesas liquidadas sem lastro financeiro suficiente – um rombo equivalente a mais de 30 dias de arrecadação.

O relatório, relatado pelo conselheiro Aderson Flores, ainda destacou déficit orçamentário, desequilíbrio no Regime Próprio de Previdência Social (4,34% da receita) e descumprimento do mínimo constitucional na educação básica, que ficou em 88% frente aos 90% exigidos. Houve, também, problemas no balanço consolidado, incapaz de refletir com clareza a situação patrimonial do município.

Com o voto do relator acompanhado integralmente pelos conselheiros, a recomendação de rejeição foi unânime. Agora, a bola está no campo político. Caberá à Câmara de Vereadores de Tijucas dar a palavra final. E, nesse capítulo, a articulação do ex-prefeito deve entrar em jogo.

Encolhimento

Postado em 21 de novembro de 2025
Foto: PMT/Divulgação

Dominante até 2024, com chapa pura no Executivo e maioria partidária na Câmara, o PSD vive, agora, um processo de esfarelamento na política de Tijucas. Conseguiu, a duras penas, emplacar o vice-prefeito Rudnei de Amorim, e reduziu a quantidade de cadeiras no Legislativo à metade.

A situação, no entanto, ainda pode piorar. O vereador Paulo César “Frango” Pereira, um dos remanescentes pessedistas no parlamento tijuquense, vem revelando a amigos e eleitores que pretende deixar o partido na janela de março. O descontentamento parte da falta de mobilização do diretório, ainda sob o comando do ex-prefeito Eloi Mariano Rocha.

O parlamentar reclama que nunca recebeu convite para as reuniões estratégicas do PSD em Tijucas desde que se filiou, há nove anos.

DESTINO
Ciente do caso, o vereador Maurício Poli, que controla as ações do UNIÃO BRASIL no município, pôs a ficha de filiação na mesa do colega.
Ontem, na abertura da Tijufest, eles estiveram juntos, no mesmo camarote, durante toda a noite.

Paulo Frango, no entanto, disse ao Blog que ainda não definiu seu futuro, mas confirmou o desconforto no PSD.

Obras retomadas

Postado em 14 de novembro de 2025
Foto: Divulgação

Depois de uma longa espera e uma disputa judicial que travou o andamento da reforma, as obras da Escola de Ensino Fundamental Professora Ondina Maria Dias, em Tijucas, enfim sairão do papel. A nova ordem de serviço foi assinada nesta sexta-feira (14), após dez meses de negociações e readequações legais conduzidas pela atual gestão.

Quando assumiu o governo, o prefeito Maickon Campos Sgrott (PP) encontrou o canteiro de obras parado e uma série de pendências jurídicas que impediam o avanço da ampliação. Segundo ele, a administração teve que aguardar todo o trâmite judicial para poder lançar um novo edital e destravar o projeto.

Vale lembrar que uma tentativa anterior havia sido feita em fevereiro de 2024, ainda na gestão de Elói Mariano Rocha (PSD), quando foi assinada uma ordem de serviço que acabou não avançando justamente por conta das disputas legais. Uma nova licitação teve que ser realizada pela atual gestão.

Em tempo: os sete vereadores da “base governistas” estiveram presentes na solenidade e posaram para registro com o prefeito e vice Rudinei de Amorim (PSD).

Ganha daqui, perde dali

Postado em 14 de outubro de 2025
Foto: Arquivo

As recentes mudanças no alto escalão do governo de Tijucas contentaram uns, mas comprometeram outros. De pronto, o prefeito Maickon Campos Sgrott (PP) se livrou de um tormento: a pressão da família Poli, que comanda o UNIÃO BRASIL no município, da aliança governista, que reivindicava a Secretaria de Obras desde o início da gestão.

Os questionamentos recaem sobre o recém-alocado gestor da pasta, Jhone Renner Poli, que deixa a Secretaria de Desenvolvimento para assumir a infraestrutura municipal. Sobrinho do vereador Maurício Poli, figura basal do UNIÃO, ele estava entre os personagens menos representativos do colegiado e, subitamente, passou a gerir um dos principais departamentos do governo. Menos mal que Campos Sgrott tenha, recentemente, limitado os poderes da secretaria e designado o chefe da Agricultura, Odirlei Resini, aos serviços estruturais do interior. Talvez o prefeito estivesse preparando o terreno.

A contrapartida, no entanto, demanda mais atenção. A agora ex-secretária de Obras, Loisiane dos Santos, atuante no maneio do PP tijuquense, somava aptidão, formação e experiência – estava no cargo desde a gestão anterior, de Eloi Mariano Rocha (PSD) –, e conseguia, entre altos e baixos, manter os níveis de satisfação popular controlados em um dos setores de maior exigência na comunidade. Com a manobra, ela passa ao Desenvolvimento, pasta com a qual jamais conversou, sem a mínima familiaridade, e tem que se recriar.

Politicamente, o chefe do Executivo municipal, que tem demonstrado habilidade nessa seara, cresce internamente com a contemplação de aliados; mas corta na carne do próprio partido, uma vez que Obras era a única secretaria genuinamente progressista na gestão tijuquense. E a reação no seio da legenda, com vereadores imbuídos na tentativa de reversão e gabinetes da Assembleia Legislativa em contato frequente com Campos Sgrott, sugere uma fissura que precisa ser reparada.

O bálsamo, entretanto, poderia ser o cumprimento da promessa de autonomia da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano, atualmente integrada a Obras, Transportes e Serviços Públicos. As alterações estariam previstas para janeiro, e Loisiane, com expertise no setor, seria nome certo, de acordo com as tratativas internas, para assumir o posto.

Passagem relâmpago

Postado em 3 de outubro de 2025
Foto: Arquivo Pessoal

Durou menos que um suspiro a passagem de Fernando Steil pela Secretaria Adjunta da Educação. Nomeado na quinta-feira (02), pediu exoneração já na sexta (03), após a repercussão negativa cair como avalanche. Oficialmente, Steil alegou “motivos pessoais” em nota, mas nos corredores a leitura é outra: a pressão foi grande demais.

Desde a publicação no diário oficial, o nome do ex-diretor do Samae provocou reações duras. Professores, vereadores e setores da comunidade não aceitaram bem a escolha. Ao portal VipSocial, o prefeito Maickon Campos Sgrott (PP) confirmou que não restou alternativa a não ser atender ao pedido.

Steil seria o braço direito de Sheila Dias na Educação. Antes disso, comandou o Samae em duas oportunidades — uma no governo do ex-prefeito Elói Mariano Rocha (PSD) e, mais recentemente, no início da gestão de Sgrott, até junho, quando passou o bastão ao engenheiro Tiago Suckow da Silva Camargo Guimarães.

Por enquanto, pelo menos, não há sinal de que Steil ganhe outro cargo na administração. Fica tudo em stand by.

Sobre a nomeação:

Da água aos livros

Da água aos livros

Postado em 2 de outubro de 2025
Foto: Top Elegance

Depois de atravessar meses turbulentos à frente do abastecimento de água em Tijucas, Fernando Steil troca de cenário e assume uma nova missão na gestão de Maickon Campos Sgrott (PP). Agora, será o adjunto de Sheila Dias na Secretaria de Educação.

A nomeação foi publicada no diário oficial desta quinta-feira (02). Steil comandou o Samae até o mês de junho quando entregou a função ao engenheiro sanitarista e ambiental Tiago Suckow da Silva Camargo Guimarães.

Fernando esteve no comando da autarquia em três momentos. Duas vezes na gestão do ex-prefeito Elói Mariano Rocha (PSD), e permaneceu no início da administração de Sgrott.

Uma mudança de ares interessante.