terça-feira, 10 de dezembro de 2019 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Nem mesmo os mais otimistas acreditavam que o prefeito Valério Tomazi (PMDB) pudesse vencer a pré-convenção do partido, em 26 de abril. O favorito, ex-prefeito Elmis Mannrich (PMDB), tinha o diretório nas mãos e contava com amplo prestígio na cúpula peemedebista, além de manter precisas relações na estrutura pública do município. A distância entre o vitorioso e o derrotado especialmente no quesito aptidão política ficou comprovada na abertura da urna. Das 54 indicações possíveis, o presidente do PMDB de Tijucas assegurou 34; e as outras 20 foram direcionadas ao atual chefe do Executivo municipal.

Os dois concorrentes adotaram estratégias peculiares nas abordagens aos convencionais. Mannrich se sustentou no carisma, na proximidade com os partidários, e pautou o discurso nas pesquisas de opinião pública a respeito da administração municipal vigente que, de acordo com os institutos contratados, trazia índices de reprovação aterradores. O prefeito, no entanto, em desvantagem, tentou marcar o território com advertências intimidadoras aos comissionados que participavam da executiva peemedebista. Nas reuniões do alto escalão do município, Tomazi era claro quanto às consequências que uma derrota na pré-convenção provocaria. Palavras como “exoneração”, “demissão” e “dispensa” passaram a ser repetidas sistematicamente nos corredores do paço, sempre acompanhadas de outras como “vingança” e “retaliação”.

Na véspera do pleito interno do PMDB, o chefe do Executivo municipal revisitou praticamente todos os membros do diretório. De um a um exceto daqueles que não dependiam do governo e haviam manifestado abertamente preferência por Mannrich , ele recebeu promessas de voto na pré-convenção. Se pelo menos a maioria mantivesse a palavra, a sequência do projeto de reeleição estava assegurada. No entanto, depois da abertura da urna, a confiança de outrora transformou-se em frustração e mágoa. Tomazi não perdeu apenas uma disputa partidária. Perdeu amigos, e sentiu no âmago o indecoroso pesar da traição. A temporada de caça às bruxas, contudo, estava oficialmente aberta.

Findadas as férias do prefeito que serviram fundamentalmente para articular a desejada vitória na pré-convenção , em 5 de maio, ele voltou ao trabalho. Durante o expediente, o clima era de apreensão. Tomazi não saiu do gabinete naquele dia. Às 17h, porém, os protestos incontidos da secretária de Finanças do município, Rosângela de Fátima Leal da Veiga, pelos corredores da prefeitura anunciavam que as ameaças estavam sendo cumpridas. Além dela, mais seis comissionados da estrutura municipal perderam o emprego naquela primeira chamada. Outras quatro cartas de exoneração foram entregues nos dias seguintes; e dezenas de nomes ainda permaneciam numa lista pessoal do mandatário tijuquense. Embora qualquer poste de Tijucas tivesse certeza que as demissões foram motivadas pelos desgastes da pré-convenção, o chefe do Executivo municipal tratava o assunto, nas entrevistas e incursões públicas, como atenção a um plano de contenção de despesas do município.

A prefeitura operava normalmente, mas com portas fechadas para Mannrich. O candidato a prefeito do PMDB era persona non grata nas seções da administração municipal desde o embate interno do partido. Tomazi, nos encontros seguintes com o funcionalismo em comissão, fazia novas advertências. “Se eu souber que alguém deu um prego, vai ter que pedir emprego lá no Imetro (autarquia estadual que o ex-prefeito presidia na época)” era uma delas. Não se pode dizer, no entanto, que o aviso servisse para os eleitores de ambos os postulantes ao cargo máximo do município. O professor Elói Mariano Rocha (PSD) era oficializado como candidato da oposição na concorrência majoritária e recebia, inclusive, a bênção do mandatário tijuquense. O prefeito chegou a apresentar o oposicionista, de gabinete em gabinete, no paço municipal, como representante do governo de Tijucas na corrida eleitoral de 2016.

As demissões de peemedebistas cessaram, mas alguns aliados da oposição passaram a receber espaço na administração municipal e, evidentemente, atuaram em favor de Mariano Rocha, ou pelo menos impediram que a máquina pública fosse usada em benefício de Mannrich. A guerra declarada entre o prefeito e seu antecessor trouxe consequências violentas ao PMDB e seu projeto de manutenção do poder. O candidato do partido remava exaustivamente contra uma corrente chamada “mudança”, e não suportou quando o principal tripulante decidiu abandonar o barco.

10 Comentários em “Doze: A letra V, de Valério e de vingança”

  1. cachaceiro. disse:

    Só mesmo muito “burro” que não analisa que qualquer um de oposição venceria as eleições. Não precisaria nem coligação.
    A maior zebra foi a vitória do Elói. Nem ele mesmo acredita, pensa que é um sonho pesado,

  2. Pinguço disse:

    Hahahaha é verdade Cachaceiro, mas nem nos seus piores pesadelos o seu Elmis imaginava perder para o professor….hahahaha….tanto que nem campanha fez e ainda se deu ao luxo de meter o pé na bunda de amigos e eleitores fiéis hahahaha

  3. Adalto Reis disse:

    Mais só na cabeça da família Fagundes que diziam que o Prefeito Valério só tinha 1000 votos, mais esqueceram que o homem tinha a caneta na mão e soube usala!! Está na hora desses novos Vereadores e lideranças novas fazerem uma limpeza no diretório, tirando muitos que se acham donos e não escutando ninguém!!

    1. Observador disse:

      De acordo. Assino embaixo.

  4. Ricardo Brandao disse:

    Éra muita prepotência do Elmis, ele só teve o que mereceu, aqui no meu prédio vai ter eleições para síndico e parece que o Elmis vai se caandidatar.
    ” Meu voto ele não leva “

  5. Antonio lopes disse:

    Fazer o que o Sr. Elmis fez com a ex-vereadora Marilu que 1 mês antes das eleições de 2012 fez uma reunião com todos os Comissionados da saúde dizendo que só existia um candidato da saúde que era Sérgio Cordeiro e depois qdo. Faltava 15 dias para eleição sair com a Sra. Scheila dizendo que não precisava voltar na vereadora Marilu pois a mesma estava eleita foi menosprezar a mesma apesar dos 1401 votos da mesma! E agora o Sr. Sérgio e a Scheila deram as costas pro mesmo, é não valorizam a vereadora!!!

  6. Adalto Reis disse:

    – Por essas e por outras que a ex-vereadora não fez muita força, o Sr. Elmis ta igual ao pinus eliote, nada se cria ao redor, somente a familia Fagundes!!

  7. Águia Que Sobrevoa disse:

    Sabe-se, nas “internas” do PMDB que Elmis só validou a candidatura Valério porque este seria o único nome que “obedeceria” o ex, nas nomeações e na gestão – inclusive interna – da Prefeitura. Nenhum outro nome seria “confiável”.
    Valério assumiu e nada mexeu na estrutura, nem deixou de se aconselhar com o “padrinho”.
    Mas o que ele, Valério, não sabia, é que Elmis iria impor a sua volta. Tentou “conversando”, mas Valério – naturalmente – se apresentou candidato…
    O resto todos sabem… E o colunista está PERFEITO em suas crônicas sucessivas… Esta, até, impecável!
    Nem mesmo a aguerrida militância e a história “verde” em Tijucas pôde segurar a onda de mudança…
    Elmis até tentou se “projetar” como “mudança” em relação a Valério, mas nenhum (ou quase) trouxa acreditou nesta lorota… “Filho” de peixe, peixinho seria… Até a “disputa”…

    1. Jeferson Savedra disse:

      A onda de mudança até teve (mudar faz bem), mas não seria suficiente para desbancar a candidatura do PMDB.

      O golpe fatal na eleição do PMDB foi VALÉRIO TOMAZI ao garantir apoio da máquina pública ao projeto do PSD, Professor Elói.

      Sem o apoio de VALÉRIO TOMAZI e da máquina pública municipal, PROFESSOR ELÓI jamais seria Prefeito de Tijucas. Pelo menos não em 2016…

  8. Clesio disse:

    Quero ver em janeiro quando o Professor Elói assumir a prefeitura, até onde vai esse amor pelo Valério.
    Aguardem quem viver verá, ele deu as costas para militância que fez dele prefeito, agora aguarde as consequências…..

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