segunda-feira, 22 de julho de 2019 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Birra

Postado em 13 de maio de 2019

Acusado por grande parte dos emedebistas de “trair o partido” nas eleições de 2016 – quando, supostamente, teria apoiado Elói Mariano Rocha (PSD) contra o correligionário Elmis Mannrich (MDB) –, o ex-prefeito Valério Tomazi vem confessando a gente próxima que nem pensa em deixar o MDB e que, se voltar à cena política de Tijucas, será pelo MDB.

Tomazi é o único ex-prefeito periquito, ainda vivo, não contemplado na tradição de integrar a executiva municipal do partido. E vez ou outra volta à pauta do diretório, sempre que o tema “expulsão” vem à tona.

Zebra amarela de cola preta

Postado em 12 de dezembro de 2018

Surpresa na eleição da presidência da Câmara Municipal de Canelinha, ontem. No frigir dos ovos, com as atenções todas voltadas ao presidente Fernando de Souza (PRB), que planejava a reeleição, e o provável concorrente, Antonio Carlos Machado Junior (MDB), que seria, em acordo prévio, o próximo da linha de sucessão, a zebra entrou no plenário.

A manobra do MDB deu à luz Arlindo Simas (PR), que, apesar de eleito na oposição, sempre manteve o discurso neutro. O objetivo dos emedebistas, que precisaram sacrificar o comando da mesa, era a derrota do atual presidente, acusado de traição ao tratado de alternância dos governistas. Deu certo. O republicano, que foi candidato à prefeitura de Canelinha por quatro vezes e jamais venceu o pleito municipal, assume, em 2019, a presidência do Legislativo da Cidade das Cerâmicas. A ex-secretária de Saúde – agora definitiva – Neli Ferreira (MDB) ficou com a vice-presidência, enquanto Adair “Dica” da Conceição Lopes Filho (MDB) e Eli Martins (PT) ocupam a primeira e segunda secretarias da Casa respectivamente.

Presidência da Câmara

Postado em 19 de novembro de 2018

De um vereador governista, ao Blog, em off: “o vereador Vilson Natálio Silvino (PP) é o próximo presidente da Câmara Municipal de Tijucas, haja o que houver. Temos tudo sob controle”.

As cartas já estavam na mesa. Desde sempre. Assim que conseguiram ser maioria, os situacionistas definiram Juarez Soares (PPS) em 2018, Vilsinho em 2019 e Maria Edésia da Silva Vargas (PT) ou Rudnei de Amorim (DEM) em 2020. O primeiro terço da tarefa foi cumprido, mas o atual presidente quebrou o protocolo, negociou com os opositores e assumiu candidatura à reeleição.

Soares justifica que decidiu concorrer novamente à presidência da Casa porque, quando precisou, no momento em que se lançou pré-candidato a deputado estadual, não encontrou apoios na administração municipal e sequer nos colegas de bancada. Para os confrades de vereança, “é um tiro no pé”. Parlamentares de situação entendem que o rótulo de “traidor” pode abreviar a promitente carreira política do atual presidente.

BASTIDORES

Enquanto o chefe da mesa diretora do Legislativo rema, a bancada situacionista atira a âncora. Nos bastidores da eleição, marcada para 13 de dezembro, as negociações seguem à toda. Não será surpresa – como nunca foi, e tem sido recorrente – se um, ou até dois opositores acompanharem o presidente do PP na votação. Quem viver, verá!

Guerra interna

Postado em 24 de outubro de 2018

Aquele buliçoso passarinho incolor, que tudo sabe e tudo vê, chega para detalhar o trâmite da eleição para a presidência da Câmara Municipal de Tijucas. De acordo com a ave sinistra, o tratado entre os vereadores Juarez Soares (PPS) – atual presidente do Legislativo – e Vilson Natálio Silvino (PP) para a sucessão do comando da Casa do Povo foi para as cucuias. O pepessista deve mesmo quebrar o protocolo e assumir a candidatura à reeleição, independente de convenções preestabelecidas.

Silvino, que já estaria ciente da perfídia, vem confirmando a postulação e acreditando que consegue, ainda assim, levar no peito e assumir a gerência do Legislativo tijuquense em 2019.

ULTIMATO

Diz o passarinho, ainda, que Soares procurou a bancada situacionista para apresentar a proposta: a reeleição e a consequente manutenção da mesa diretora, com os governistas Maria Edésia da Silva Vargas (PT) e Rudnei de Amorim (DEM) na triarquia de comando. E que, se não houver conformidade, deve pinçar os companheiros de mesa entre os apoios que receber, sejam eles governistas ou opositores da administração municipal.

TIRA E PÕE

Quem quer que seja o representante da bancada de situação no pleito interno da Câmara, o adversário, pelo menos, está definido. A ave bisbilhoteira garante que Esaú Bayer (MDB) já reuniu as tropas e declarou oposição, tanto a Juarez Soares quanto a Vilson Silvino.

As condições mudariam, no entanto, se os parlamentares situacionistas lançassem candidaturas avessas. Ou seja: se o pepessista e o presidente municipal do PP forem adversários na concorrência do Legislativo, Bayer se resguardaria e apoiaria a reeleição do atual presidente.

Fogo amigo

Postado em 19 de junho de 2018

Entre os progressistas de São João Batista paira a unanimidade: o suplente de vereador Tarcísio Soares (PP) seria um “traidor”. Ele pediu à Câmara Municipal a cassação do mandato do titular, Carlos Francisco da Silva (PP), para, quem sabe, passar os próximos 30 meses na vereança.

A decisão está nas mãos da presidente do Legislativo, vereadora Rúbia Alice Tamanini Duarte (PSD), que deve assinar o despacho entre esta e a próxima semana. Para requerer o afastamento do titular, Soares desenterrou registros de crimes ambientais cometidos por Silva no início da década. A defesa do vereador garante que as penas já teriam sido cumpridas e que o caso não é passível de cassação.

De acordo com fontes próximas de ambos – que, além de correligionário, eram amigos –, o suplente teria sido convencido por adversários políticos do PP a protocolar o pedido na Câmara. O advogado Cristiano Silva, que ocupa o cargo de assessor jurídico no gabinete do prefeito Daniel Netto Cândido (PSD), a propósito, é quem faz a defesa de Tarcísio Soares nesse processo. Pois, então?!

Amplo domínio

Postado em 6 de fevereiro de 2018

Por estratégia ou coincidência, os vereadores de situação dominaram as Comissões Parlamentares em Tijucas, eleitas ontem. Os oposicionistas, enfurecidos, renunciaram qualquer papel nos órgãos internos.

Meia hora antes da sessão – a primeira do ano, em que seriam escolhidas as Comissões –, o presidente Juarez Soares (PPS) convocou todos os vereadores para uma reunião. Nessa assembleia, se formariam as equipes num acordo previamente estabelecido. E assim aconteceu. Cartas na mesa, olhos nos olhos, e contentamento geral. Os opositores, a propósito, ficariam com a CAA (Comissão de Agricultura e Meio Ambiente), sob a tutela de Fernando Fagundes (MDB), Odirlei Resini (MDB) e Oscar Lopes (MDB). Mas, já no plenário, a história foi outra.

Arrependida, a vereadora Elizabete Mianes da Silva (PSD) decidiu voltar atrás. Soares, o presidente, (aparentemente) surpreso, concedeu cinco minutos de recesso para que o consenso fosse restabelecido. Mas não houve jeito. No anúncio de que as Comissões seriam refeitas, eleitas democraticamente, voto a voto, os oposicionistas sentiram-se atraiçoados e comunicaram a renúncia. Pois, então?!

Fogueira acesa

Postado em 23 de outubro de 2017

O processo que começou conturbado, sovado em negociações e conciliações, trouxe um tópico a mais para as discussões: a traição. Sábado (21), na convenção municipal do PMDB, as rupturas se evidenciaram. De um lado do salão, o ex-prefeito Elmis Mannrich e o vereador Fernando Fagundes – único candidato à presidência do partido em Tijucas, indicado pelo atual comando – saudavam os filiados, que unanimemente votaram “sim” para a oficialização do parlamentar no posto. Na outra ponta, os proponentes da renovação integral do diretório, liderados pela vereadora Fernanda Melo e apoiados pelo ex-vereador Edson Souza.

Independente das dissonâncias, a homologação da presidência do diretório jamais esteve em cheque. Fagundes havia conquistado o consentimento dos contrários, desde que a chefe de gabinete da Câmara Municipal, Elenita Mara Alexandre, fosse contemplada na secretaria geral do partido. Existia, inclusive, um tratado, avalizado e concordado entre o atual comando e os propositores da renovação.

A tórrida surpresa chegou em seguida do escrutínio das cédulas, na divulgação do corpo diretivo do PMDB de Tijucas para o biênio 2018-2019. Na secretaria geral, para revolta, principalmente, da chefe de gabinete da Câmara e da vereadora, anunciou-se Rafaela Marques – que mantém estreitas relações com a ex-secretária geral do partido, Flávia Fagundes, irmã do novo presidente.

Num grupo de conversação do PMDB municipal, Fernanda Melo publicou, em seguida, que “a formula do sucesso está invertida mais uma vez. A democracia traz o sucesso, e a autocracia, o fracasso”.

PINGUE-PONGUE

Ao blog, a ex-secretária Flávia Fagundes afirma que desconhece qualquer negociação prévia e que “renovar é uma coisa, mas, a história não pode ser excluída”. Depois, porém, revelou ter tomado conhecimento sobre um pedido para que Elenita Alexandre fosse empossada secretária adjunta do partido.

Consultada, a vereadora Fernanda Melo mantém a primeira versão, e enfatiza que o tratado foi descumprido. “Aceitamos o acordo com Elenita na secretaria geral, e Lays Zimermann na secretaria adjunta! Cobramos do ex-prefeito Elmis Mannrich em seguida. Ele nos respondeu, em bom tom: ‘eu tenho o diretório, sou o líder, e eu mando’. Mudaram tudo na hora, sem comunicar ninguém”, conta.

TELEGRAMA

Aquele passarinho incolor revela, ainda, que o presidente estadual do PMDB, deputado federal Mauro Mariani, recebeu as reclamações com preocupação, e pretende vir a Tijucas com alguns extintores de incêndio na bagagem.

Pula-pula

Postado em 3 de fevereiro de 2017

O termo “traição” recorria em cochichos, ontem, nas elucubrações da primeira sessão ordinária da legislatura 2017-2020 em Tijucas. Parlamentares de oposição supunham, quase com certeza, que, embora sete, mais tarde seriam apenas seis e perderiam a maioria na Câmara. O jogo, entretanto, viraria num looping de montanha russa; com desmanche, inclusive, da mesa diretora – eleita com três oposicionistas e somente uma representação pró-governo.

No recesso da reunião – de 15 minutos que duraram 40 –, as atenções se voltaram para o fiel da balança. Assim que as bancadas se dividiram nos característicos ajuntamentos ideológicos, sobrou, solitário, o vice-presidente do Poder Legislativo atual, vereador Jean Carlos de Sieno dos Santos (PSC), eleito na oposição e predisposto à mudança.

Na volta do intervalo, os planos se clarificaram. O requerimento assinado pelos vereadores Fernanda Melo (PMDB) e Esaú Bayer (PMDB) – que convocava a secretária de Educação do município, Neide Maria Reis, para esclarecimentos sobre o transporte de estudantes universitários – recebeu, num primeiro momento, intervenção do vice-presidente da mesa diretora; e, em seguida, rejeição da maioria, em 7 a 6, com voto convicto do mais recente defensor do Executivo no parlamento tijuquense.

Nem mesmo os mais otimistas acreditavam que o prefeito Valério Tomazi (PMDB) pudesse vencer a pré-convenção do partido, em 26 de abril. O favorito, ex-prefeito Elmis Mannrich (PMDB), tinha o diretório nas mãos e contava com amplo prestígio na cúpula peemedebista, além de manter precisas relações na estrutura pública do município. A distância entre o vitorioso e o derrotado especialmente no quesito aptidão política ficou comprovada na abertura da urna. Das 54 indicações possíveis, o presidente do PMDB de Tijucas assegurou 34; e as outras 20 foram direcionadas ao atual chefe do Executivo municipal.

Os dois concorrentes adotaram estratégias peculiares nas abordagens aos convencionais. Mannrich se sustentou no carisma, na proximidade com os partidários, e pautou o discurso nas pesquisas de opinião pública a respeito da administração municipal vigente que, de acordo com os institutos contratados, trazia índices de reprovação aterradores. O prefeito, no entanto, em desvantagem, tentou marcar o território com advertências intimidadoras aos comissionados que participavam da executiva peemedebista. Nas reuniões do alto escalão do município, Tomazi era claro quanto às consequências que uma derrota na pré-convenção provocaria. Palavras como “exoneração”, “demissão” e “dispensa” passaram a ser repetidas sistematicamente nos corredores do paço, sempre acompanhadas de outras como “vingança” e “retaliação”.

Na véspera do pleito interno do PMDB, o chefe do Executivo municipal revisitou praticamente todos os membros do diretório. De um a um exceto daqueles que não dependiam do governo e haviam manifestado abertamente preferência por Mannrich , ele recebeu promessas de voto na pré-convenção. Se pelo menos a maioria mantivesse a palavra, a sequência do projeto de reeleição estava assegurada. No entanto, depois da abertura da urna, a confiança de outrora transformou-se em frustração e mágoa. Tomazi não perdeu apenas uma disputa partidária. Perdeu amigos, e sentiu no âmago o indecoroso pesar da traição. A temporada de caça às bruxas, contudo, estava oficialmente aberta.

Findadas as férias do prefeito que serviram fundamentalmente para articular a desejada vitória na pré-convenção , em 5 de maio, ele voltou ao trabalho. Durante o expediente, o clima era de apreensão. Tomazi não saiu do gabinete naquele dia. Às 17h, porém, os protestos incontidos da secretária de Finanças do município, Rosângela de Fátima Leal da Veiga, pelos corredores da prefeitura anunciavam que as ameaças estavam sendo cumpridas. Além dela, mais seis comissionados da estrutura municipal perderam o emprego naquela primeira chamada. Outras quatro cartas de exoneração foram entregues nos dias seguintes; e dezenas de nomes ainda permaneciam numa lista pessoal do mandatário tijuquense. Embora qualquer poste de Tijucas tivesse certeza que as demissões foram motivadas pelos desgastes da pré-convenção, o chefe do Executivo municipal tratava o assunto, nas entrevistas e incursões públicas, como atenção a um plano de contenção de despesas do município.

A prefeitura operava normalmente, mas com portas fechadas para Mannrich. O candidato a prefeito do PMDB era persona non grata nas seções da administração municipal desde o embate interno do partido. Tomazi, nos encontros seguintes com o funcionalismo em comissão, fazia novas advertências. “Se eu souber que alguém deu um prego, vai ter que pedir emprego lá no Imetro (autarquia estadual que o ex-prefeito presidia na época)” era uma delas. Não se pode dizer, no entanto, que o aviso servisse para os eleitores de ambos os postulantes ao cargo máximo do município. O professor Elói Mariano Rocha (PSD) era oficializado como candidato da oposição na concorrência majoritária e recebia, inclusive, a bênção do mandatário tijuquense. O prefeito chegou a apresentar o oposicionista, de gabinete em gabinete, no paço municipal, como representante do governo de Tijucas na corrida eleitoral de 2016.

As demissões de peemedebistas cessaram, mas alguns aliados da oposição passaram a receber espaço na administração municipal e, evidentemente, atuaram em favor de Mariano Rocha, ou pelo menos impediram que a máquina pública fosse usada em benefício de Mannrich. A guerra declarada entre o prefeito e seu antecessor trouxe consequências violentas ao PMDB e seu projeto de manutenção do poder. O candidato do partido remava exaustivamente contra uma corrente chamada “mudança”, e não suportou quando o principal tripulante decidiu abandonar o barco.

Um: O rompimento com o PT

Postado em 4 de outubro de 2016

Da série “Os 15 motivos”  onde o blog, num trabalho de pesquisa, memória e coleta exclusiva, pretende fundamentar os equívocos capitais do PMDB de Tijucas, desde a retomada do poder, que culminaram na acabrunhante derrota de domingo (2) , segue o primeiro capítulo:

Vereador por três legislaturas consecutivas, o advogado Elmis Mannrich (PMDB), ainda que não fosse unanimidade nas bases do partido, conquistou a prefeitura em 2004, numa virada extraordinária sobre Uilson Sgrott (PFL), que concorria à reeleição e ostentava favoritismo absoluto. Fragilizado e dividido, o PMDB passava por sérias divergências internas e sofria com a falta de crédito e apoio econômico. O candidato a vice-prefeito na chapa, advogado Roberto Vailati (PT), trouxe, além da militância petista que começava a se fortalecer em Tijucas pela popularidade incontestável do presidente da República à época, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os primeiros indícios de aporte financeiro à campanha. Outros reforços de caixa foram conquistados no decorrer da caminhada pela atuação ora temerária do advogado Marcio Rosa, que presidia o partido no município e assumiu todos os riscos. Às 17h do dia 3 de outubro daquele ano, a cidade ficou verde.

Mannrich iniciou o governo na primeira manhã de 2005 com grandes expectativas. E não decepcionou. Comparado ao antecessor, que teve gestão contestada inclusive pelos correligionários, o prefeito do PMDB não tardou a cair nas graças dos munícipes com ações animadoras e obras públicas de grande aprovação popular. Os recursos federais passaram a ser presentes e frequentes em Tijucas, e reza a lenda que Vailati, o vice-prefeito, tenha méritos significativos nesse processo.

Tudo caminhou às mil maravilhas até a metade do mandato. Com expressiva aceitação entre os tijuquenses, o prefeito e o então procurador geral do município, Marcio Rosa, decidiram e convenceram a cúpula do partido que descumpririam o compromisso firmado com o vice-prefeito dois anos antes de que Vailati seria o candidato a prefeito em 2008 com Mannrich como vice , e que caminhariam para a reeleição com ou sem o PT. Havia, inclusive, um documento assinado pelas lideranças dos dois partidos, que, no fim das contas, de nada valeu. O adjunto anunciou o rompimento com o PMDB, contou a perfídia aos jornais, e todos os petistas, um a um, foram deixando os cargos que ocupavam na administração municipal.

Desde então, Mannrich e o PMDB deram à luz um inimigo mortal. Roberto Vailati e o PT começavam, naquele momento, uma força-tarefa para arrancar os periquitos do poder. Domingo (2 de outubro de 2016), uma década depois, eles finalmente conseguiram.