domingo, 19 de maio de 2019 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Casaca virada

Postado em 14 de maio de 2019

Ao tempo em que assina exonerações no colegiado, o prefeito Elói Mariano Rocha (PSD), de Tijucas, vem cedendo cabos eleitorais para a oposição. Pelo menos é o que mostram a ex-secretária de Ação Social, Rosely Steil – que passou a integrar o grupo de conversação online “Muda Tijucas” e criticar sistematicamente a administração municipal –, e o ex-diretor de Trânsito e Transportes do município, Alvino Aurélio Müller – que, segundo um passarinho verde, seria, atualmente, o mais novo aliado do MDB na Capital do Vale.

Rosely foi substituída por Bianca Bibiani Machado em novembro de 2017 por, de acordo com informações extraoficiais, “dificuldade de impor liderança à equipe”; e, da mesma maneira surpreendente que foi anunciada no início do governo, deixou o cargo. Müller, por sua vez, era um dos mais elogiados servidores do alto escalão municipal até o pedido de demissão, em março, por “problemas particulares”. Pois, então?!

Carta de adeus

Postado em 17 de abril de 2019

Três meses e seis dias. Este foi o tempo em que a secretária de Saúde do município de Canelinha, Maria Jucélia Grippa Sousa, permaneceu no posto. O pedido de demissão chegou à mesa do prefeito Moacir Montibeller (MDB) ontem, no fim da tarde. A notícia surpreendeu, sobretudo, governistas e vereadores de situação.

Os motivos ainda são desconhecidos. Nos porões do poder, comenta-se que a secretária tenha entrado em desacordo com Montibeller sobre mudanças no orçamento da pasta e decidido deixar o cargo. Até o momento, a administração municipal não se manifestou oficialmente sobre o assunto. Publicações, em tom de despedida, de colegas de trabalho nas redes sociais, no entanto, confirmam o fato.

Fake news

Postado em 30 de outubro de 2018

O prefeito de São João Batista, Daniel Netto Cândido (PSD), se diz vítima das famigeradas fake news nestas eleições. Ele usou o Facebook, domingo (28), para pedir que as pessoas “não participem dessa corrente do mal”. Segundo o mandatário batistense, alguns perfis falsos foram criados na rede social unicamente para “espalhar notícias mentirosas sobre a gestão” da Capital Catarinense do Calçado.

Na publicação, Cândido não especifica quais são as fake news que atormentaram, recentemente, o governo de São João Batista; mas o Blog, que tem fontes de A a Z, apurou. Uma das postagens perniciosas informava que servidores comissionados do município estavam sofrendo perseguição e sendo exonerados porque não aceitavam declarar apoio ao candidato a governador Gelson Merisio (PSD), para quem o prefeito fez campanha. E, de fato, não é fato. Não há registros, pelo menos oficiais, de demissões na administração batistense nas últimas semanas.

Da FCF para a FME

Postado em 19 de setembro de 2017

Quem imaginou que com a conclusão, sábado (16), sem maiores problemas, do Campeonato Municipal de Futebol Amador principal competição esportiva de Tijucas a contestada gestão da FME (Fundação Municipal de Esportes) encontrasse a paz e o sossego, pode ter se enganado. Passarinho incolor, empoleirado na cumeeira do paço, revela que as conversas por alterações no comando do departamento continuam.

Diz a ave sinistra que o ex-coordenador da Comissão de Arbitragem da FCF (Federação Catarinense de Futebol), Júnior Moresco, com raízes e família em Tijucas, mais precisamente na localidade de Oliveira, pode surgir, em breve ou nunca, na superintendência da fundação.


Moresco, aliado e amigo particular do finado presidente Delfim Pádua Peixoto Filho, anunciou em janeiro a saída da FCF. Disse, pelo Twitter, que o atual mandatário do futebol catarinense, Rubens Angelotti, não respeitou sua história de 15 anos na federação, e que decidiu, por “caráter” e “falta de compatibilidade”, se desligar completamente da entidade.

Nem mesmo os mais otimistas acreditavam que o prefeito Valério Tomazi (PMDB) pudesse vencer a pré-convenção do partido, em 26 de abril. O favorito, ex-prefeito Elmis Mannrich (PMDB), tinha o diretório nas mãos e contava com amplo prestígio na cúpula peemedebista, além de manter precisas relações na estrutura pública do município. A distância entre o vitorioso e o derrotado especialmente no quesito aptidão política ficou comprovada na abertura da urna. Das 54 indicações possíveis, o presidente do PMDB de Tijucas assegurou 34; e as outras 20 foram direcionadas ao atual chefe do Executivo municipal.

Os dois concorrentes adotaram estratégias peculiares nas abordagens aos convencionais. Mannrich se sustentou no carisma, na proximidade com os partidários, e pautou o discurso nas pesquisas de opinião pública a respeito da administração municipal vigente que, de acordo com os institutos contratados, trazia índices de reprovação aterradores. O prefeito, no entanto, em desvantagem, tentou marcar o território com advertências intimidadoras aos comissionados que participavam da executiva peemedebista. Nas reuniões do alto escalão do município, Tomazi era claro quanto às consequências que uma derrota na pré-convenção provocaria. Palavras como “exoneração”, “demissão” e “dispensa” passaram a ser repetidas sistematicamente nos corredores do paço, sempre acompanhadas de outras como “vingança” e “retaliação”.

Na véspera do pleito interno do PMDB, o chefe do Executivo municipal revisitou praticamente todos os membros do diretório. De um a um exceto daqueles que não dependiam do governo e haviam manifestado abertamente preferência por Mannrich , ele recebeu promessas de voto na pré-convenção. Se pelo menos a maioria mantivesse a palavra, a sequência do projeto de reeleição estava assegurada. No entanto, depois da abertura da urna, a confiança de outrora transformou-se em frustração e mágoa. Tomazi não perdeu apenas uma disputa partidária. Perdeu amigos, e sentiu no âmago o indecoroso pesar da traição. A temporada de caça às bruxas, contudo, estava oficialmente aberta.

Findadas as férias do prefeito que serviram fundamentalmente para articular a desejada vitória na pré-convenção , em 5 de maio, ele voltou ao trabalho. Durante o expediente, o clima era de apreensão. Tomazi não saiu do gabinete naquele dia. Às 17h, porém, os protestos incontidos da secretária de Finanças do município, Rosângela de Fátima Leal da Veiga, pelos corredores da prefeitura anunciavam que as ameaças estavam sendo cumpridas. Além dela, mais seis comissionados da estrutura municipal perderam o emprego naquela primeira chamada. Outras quatro cartas de exoneração foram entregues nos dias seguintes; e dezenas de nomes ainda permaneciam numa lista pessoal do mandatário tijuquense. Embora qualquer poste de Tijucas tivesse certeza que as demissões foram motivadas pelos desgastes da pré-convenção, o chefe do Executivo municipal tratava o assunto, nas entrevistas e incursões públicas, como atenção a um plano de contenção de despesas do município.

A prefeitura operava normalmente, mas com portas fechadas para Mannrich. O candidato a prefeito do PMDB era persona non grata nas seções da administração municipal desde o embate interno do partido. Tomazi, nos encontros seguintes com o funcionalismo em comissão, fazia novas advertências. “Se eu souber que alguém deu um prego, vai ter que pedir emprego lá no Imetro (autarquia estadual que o ex-prefeito presidia na época)” era uma delas. Não se pode dizer, no entanto, que o aviso servisse para os eleitores de ambos os postulantes ao cargo máximo do município. O professor Elói Mariano Rocha (PSD) era oficializado como candidato da oposição na concorrência majoritária e recebia, inclusive, a bênção do mandatário tijuquense. O prefeito chegou a apresentar o oposicionista, de gabinete em gabinete, no paço municipal, como representante do governo de Tijucas na corrida eleitoral de 2016.

As demissões de peemedebistas cessaram, mas alguns aliados da oposição passaram a receber espaço na administração municipal e, evidentemente, atuaram em favor de Mariano Rocha, ou pelo menos impediram que a máquina pública fosse usada em benefício de Mannrich. A guerra declarada entre o prefeito e seu antecessor trouxe consequências violentas ao PMDB e seu projeto de manutenção do poder. O candidato do partido remava exaustivamente contra uma corrente chamada “mudança”, e não suportou quando o principal tripulante decidiu abandonar o barco.

Nona queda

Postado em 20 de maio de 2016

Secretário de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente na segunda gestão de Elmis Mannrich (PMDB), e, mais recentemente, secretário interino da pasta – que ficou vaga com a saída de Odirlei Resini (PMDB) para a disputa das eleições proporcionais deste ano –, Nelso Vicentini recebeu, agora há pouco, a carta de exoneração.

Coincidências à parte, é a nona baixa no quadro de servidores comissionados do município desde que o prefeito Valério Tomazi (PMDB) perdeu a disputa interna com Mannrich na pré-convenção do partido. Vicentini, nem se precisa dizer, é aliado do ex-prefeito.