quinta-feira, 27 de novembro de 2025 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Olho no olho

Postado em 26 de novembro de 2025
Foto: Reprodução

Fernanda Dias Jacintho, secretária de Educação de Canelinha, decidiu encarar o plenário e defender a pasta na sessão desta terça-feira (26). Pediu oficialmente o uso da tribuna e subiu preparada para o embate – e deixou claro já na primeira frase que levaria “a verdade sobre os fatos vivenciados no Natal Luz 2025”.

Ela rebateu, de imediato, a narrativa de que o município teria gasto R$ 500 mil no evento. Disse que o valor nunca existiu, que o montante não passa nem perto da realidade e que tudo nasceu de uma interpretação distorcida sobre a inscrição de um projeto em um programa federal de fomento à cultura – projeto que, inclusive, não foi contemplado.

E deixou uma cutucada na conta: ninguém precisa saber tudo, mas seria bom “ter humildade e respeito para buscar orientações e compreender verdadeiramente o que ocorreu”. O recado foi todo endereçado ao vereador Robinson Carvalho Lima (UNIÃO), que havia falado sobre o tema na sessão anterior.

Fernanda explicou que o Natal de Canelinha não se sustenta em cifras fabulosas. É montado com empresas parceiras, comércio local, doações de materiais, serviços, estrutura, mão de obra e patrocínio, cada qual arcando com uma parte.

Para a secretária, a história dos “meio milhão” surgiu para arranhar a seriedade do seu trabalho, do seu nome e da pasta que ela comanda. E garantiu que não pretende ceder terreno para manobras. “A politicagem jamais ganhará força naquilo que eu estiver presente”.

Foi olho no olho. Sem meia-volta. E disposta ao enfrentamento.

Disputa interna

Postado em 26 de novembro de 2025
Foto: CMT/Divulgação

O ano se aproxima do fim, e as articulações para a presidência da Câmara Municipal de Tijucas em 2026 tomam os bastidores do poder. Tal qual neste início de legislatura, quando tudo parecia definido e as surpresas deram o tom, o processo interno pode, mais uma vez, ter uma reviravolta.

O atual presidente Cláudio Eduardo de Souza (MDB) tem boas chances de reeleição. Ele quer, e a maior parte da bancada governista não se opõe – baseada na gestão equilibrada, na afinidade criada entre parlamento e Executivo, e na ausência de interessados com o mesmo perfil, de conciliação com a claque oposicionista, da qual, inclusive, faz parte.

O revide da trincheira rival esfriou. Desde que o prefeito Maickon Campos Sgrott (PP) conquistou a maioria no Legislativo – com adesões de eleitos na oposição, como Flávio Henrique Souza (MDB) e Écio Hélio de Melo (PL) –, o grupo adversário compreendeu que a disputa seria inviável. Se apresentar uma opção, seria apenas por resistência e sem perspectivas.

POSTULANTE

A alternativa que ganha força tem sido, nas últimas semanas, Maurício Poli (UNIÃO). O Casca de Bala, como foi alcunhado na campanha de 2024 por conta da proximidade com Campos Sgrott, passou a especular a gestão do Legislativo no próximo ano.

E tem se reunido frequentemente com os situacionistas para oficializar essa disposição. Caso não haja objeção do atual presidente, que poderia engrossar o caldo, o ingresso do unionista no comando da Casa do Povo em 2026 seria apenas questão de protocolo.

Lei rigorosa

Postado em 25 de novembro de 2025
Foto: CMT/Divulgação

O vereador Júlio César Bucoski (PP), voz ativa em defesa da causa animal, conseguiu emplacar uma mudança importante na legislação tijuquense. Aprovado por unanimidade na sessão desta segunda (24), o projeto de lei de sua autoria – acompanhado de uma emenda – endurece as regras para quem maltrata animais e tenta ocupar cargos públicos em Tijucas.

Pela nova norma, qualquer pessoa condenada por maus-tratos fica impedida de assumir função efetiva, temporária ou comissionada na administração municipal. A lei também obriga que editais de concurso e contratos tragam cláusulas específicas vetando a contratação de condenados.

A emenda proposta por Bucoski acrescentou um detalhe fundamental. O prazo de impedimento será de oito anos após o trânsito em julgado da sentença, evitando sanções perpétuas e adequando o texto ao que prevê a Constituição Federal.

Em caso de contratação irregular, o ato será automaticamente anulado. Além disso, os órgãos municipais deverão exigir certidões criminais e antecedentes de todos os candidatos antes da nomeação.

Com o aval do plenário, o texto segue para sanção e publicação oficial. Uma vitória simbólica para o vereador, que tem feito da bandeira da causa animal uma marca de seu mandato.

Em pé de guerra

Postado em 21 de novembro de 2025
Fotos: Arquivo

A temperatura política subiu no plenário da Câmara de Itapema. Os vereadores Saulo Salustiano Ramos Neto (PP) e Márcio Silva (DC) vivem um duelo com novos capítulos, e que agora ameaça respingar até na legislação municipal.

Tudo começou com uma provocação. Márcio, em tom de ironia, sugeriu que o colega “cumprisse as promessas de campanha”. Saulo não deixou barato. Da tribuna, devolveu o golpe com força, chamando de “a pior lei da história de Itapema” a legislação de autoria de Silva que reconhece a manobra de empinar motocicleta – o famoso “grau” – como prática esportiva no município.

Saulo foi além. Prometeu apresentar uma nova lei para revogar a chamada “Lei do Grau”, cumprindo, segundo ele, um compromisso assumido com o eleitorado: “eliminar normas inúteis e que não trazem benefício algum à cidade”.

A lei em questão, aprovada em 2023, permite a realização de eventos de “grau” em áreas públicas ou privadas, desde que licenciadas pela prefeitura. Ramos, no entanto, questiona a seriedade da proposta e acusa Márcio de legislar para atender “interesses pessoais e de pessoas ligadas ao gabinete”.

O embate entre os dois promete se arrastar. A revogação ainda precisa ser formalizada e passar pelas comissões da Casa antes de chegar ao plenário – o que significa mais combustível para os discursos inflamados e cutucadas públicas.

Martelo batido

Postado em 19 de novembro de 2025
Foto: Reprodução

Está decidido. O presidente da Câmara, Cláudio Eduardo de Souza (MDB), fez o anúncio que encerra anos de discussões sobre o futuro endereço do Legislativo tijuquense.

A nova sede será erguida no loteamento Central Park, com acesso pelas avenidas Emília Ramos e Bayer Filho. Já o prédio histórico, tombado e símbolo da política local, passará a abrigar a Secretaria Municipal de Educação assim que as obras forem concluídas.

Como o Blog já noticiou, o projeto ganhou força depois de tentativas frustradas de conseguir um terreno federal – travadas pela burocracia de Brasília. Com a escolha de uma área já pertencente ao município, o trâmite promete ser mais ágil e viável.

Com a decisão do terreno, agora entram em campo a elaboração do projeto e só depois, sem data definida, o início das obras.

SAIBA MAIS:

Escolha feita

Pautas populares

Postado em 10 de novembro de 2025
Foto: Reprodução

Em Santa Catarina, certos temas viraram fetiche e quando um prefeito abraça, o vizinho corre para não ficar para trás. Internação involuntária é o caso mais recente. Mas em Bombinhas, o prefeito Alexandre da Silva (PSD) decidiu ir além, surfando na onda de Jorginho Mello (PL) e sua lei que pune o uso de drogas em espaços públicos. Aliás, a governança do “ordem e cuidado” virou mantra.

Na prática, o pacote enviado ao Legislativo mira duas frentes. A primeira visa proibir o consumo de bebidas alcoólicas em praças, parques e áreas públicas – salvo quando houver evento autorizado. O discurso é familiar. Preservar espaços de lazer, garantir segurança às famílias, evitar cenas desconfortáveis e “bagunça”.

A segunda iniciativa trata da internação voluntária ou involuntária de pessoas em situação de rua com dependência química. O município fala em acolhimento, tratamento humanizado e suporte técnico para reabilitação. A justificativa repousa no argumento da vulnerabilidade extrema. Há casos, diz a gestão, em que o indivíduo “não consegue mais se dominar” e precisa de intervenção especializada.

Os anúncios foram feitos ao lado da secretária de Assistência Social, Carla Lazzarin, que destacou o trabalho diário das equipes de abordagem social. São pautas sensíveis, polarizadoras – e politicamente sedutora.

Duas tacadas

Postado em 10 de novembro de 2025
Foto: Divulgação

Quando o assunto é articulação política, Joel Lucinda (MDB) mostrou que ainda conhece cada centímetro do tablado legislativo de Porto Belo. Em uma mesma sessão, garantiu duas vitórias estratégicas. A aprovação da revisão do Plano Diretor e a adequação do regime previdenciário dos servidores municipais às regras da Reforma da Previdência.

E não foi operação à distância, já que o prefeito foi pessoalmente à Câmara, subiu à tribuna e fez defesa dos projetos. A reforma, aliás, teve como base técnica o escritório do advogado Alesson Alexandre Cardozo, que deixou recentemente a procuradoria da Câmara de Tijucas.

O ponto sensível da discussão é um déficit mensal de cerca de R$ 400 mil, herança das aposentadorias concedidas antes da criação do regime municipal. A proposta, segundo a administração, busca justamente equilibrar essa conta – missão que, sem mudanças, tende a explodir em pouco tempo.

Lucinda reforçou que a medida protege o futuro dos servidores, e que sustentar aposentadorias com 20 anos de contribuição, no sistema atual, é receita certa para o colapso.

Experiência conta – e quem já foi sete vezes vereador sabe como costurar consenso quando necessário.

Sinais claros

Postado em 6 de novembro de 2025
Foto: Divulgação

Se política vive de gestos, em Tijucas as mensagens andam sendo entregues sem bilhete – e com destinatários bem definidos. A autointitulada bancada de oposição se reuniu para alinhar votos e estratégias, mas decidiu que nem todo mundo merecia cadeira à mesa. Três vereadores simplesmente não foram chamados.

O encontro tratou de 21 projetos enviados pelo Executivo, além de seis textos complementares em análise, incluindo a criação da Fundação Municipal do Meio Ambiente e a outorga onerosa, pautas que prometem debates duros no plenário. Houve alinhamento para votações futuras e, claro, demarcação territorial.

Estiveram no encontro Lizandra Dadam (NOVO), Renato Laurindo (PL), Fabiano Morfelle (MDB), José Vicente de Souza e Silva (PL) e Esaú Bayer (PL). Ausentes – e não por agenda, mas por opção do grupo –, Cláudio Eduardo de Souza (MDB), Ecio Helio de Melo (PL) e Flávio Henrique Souza (MDB).

Nos bastidores, o comentário é direto: não houve esquecimento, mas recados. Os emedebistas já enfrentam desgaste interno no partido por aproximação com o governo de Maickon Campos Sgrott (PP). Ecinho, por sua vez, vem circulando no mesmo eixo governista, e isso bastou para que o trio fosse tratado como corpo estranho no bloco oposicionista.

Fundo próprio

Postado em 5 de novembro de 2025
Foto: Arquivo

Os legisladores de Tijucas querem porque querem uma nova sede. E, para isso, prometem economizar. Um projeto de autoria do vereador Cláudio Eduardo de Souza (MDB) foi aprovado com 11 votos favoráveis, criando um fundo específico para financiar a construção do novo prédio da Câmara.

A proposta determina que todo o saldo financeiro anual da Casa seja depositado em conta exclusiva, vedando outras destinações. A verba será usada para o compra de um terreno, a construção, a mobília e os equipamentos da futura sede. A lógica é simples: transformar economia administrativa em investimento permanente.

O texto também prevê o destino do atual prédio da Câmara. Após a mudança, o imóvel será doado ao Executivo e repassado à Secretaria Municipal de Educação.

Na mesma sessão, outro projeto – este da Mesa Diretora – também passou por 11 votos, autorizando crédito suplementar de R$ 200 mil para ajustes orçamentários internos da Casa. O recurso será realocado da dotação antes prevista para a obra da sede, garantindo o funcionamento administrativo enquanto o fundo específico é estruturado.

Uma decisão pragmática.

Orçamento impositivo

Postado em 5 de novembro de 2025
Fotos: CMT/Divulgação

A velha disputa por protagonismo entre Legislativo e Executivo ganhou novo capítulo em Tijucas. Um Projeto de Emenda à Lei Orgânica promete mudar o equilíbrio de forças, ao tornar obrigatória a execução das emendas parlamentares individuais, o chamado Orçamento Impositivo. Um sonho antigo dos edis.

O texto, assinado por 12 dos 13 vereadores, impõe à prefeitura a execução orçamentária e financeira das programações incluídas pelos parlamentares no projeto da LOA (Lei Orçamentária Anual). Na prática, as emendas que antes dependiam da boa vontade do Executivo passam a ser de execução obrigatória.

Assinaram o projeto os vereadores Ecio Helio de Melo, Esaú Bayer, José Vicente de Souza e Silva e Renato Laurindo Júnior do PL, Cláudio Eduardo de Souza, Flavio Henrique Souza e Fabiano Morfelle do MDB, Júlio César Bucoski e Maria Edésia da Silva Vargas do PP, Nadir Olindina Amorim e Paulo Cesar Pereira do PSD e Mauricio Poli (UNIÃO). Lizandra Dadam (NOVO) não subscreveu a proposta.

O debate, contudo, foi interrompido na sessão de segunda-feira (3), após Júlio Bucoski pedir vistas ao projeto, adiando a discussão por prazo regimental. A proposta deve voltar à pauta nas próximas semanas.

Pelo texto, o limite de emendas fica fixado em 1,2% da Receita Corrente Líquida, sendo metade destinada obrigatoriamente à Saúde. O projeto proíbe o contingenciamento dos recursos e estabelece que, em caso de impedimento técnico ou legal, o vereador terá 30 dias para redirecionar o valor. Persistindo o problema, o montante deverá ser aplicado em serviços de saúde do município.

TRAMITAÇÃO

Após o pedido de vistas de Bucoski, a discussão foi pausada. Em conversa com o Blog, o vereador disse que o tema entrou como projeto “ordinário” e, só depois, ganhou contornos mais complexos. Houve debate interno e consulta ao jurídico, mas algumas dúvidas permaneceram.

O parlamentar progressista ainda sugeriu que a consultora da prefeitura participasse da reunião para esclarecer pontos sensíveis, mas o presidente da Câmara, Cláudio do Jornal, não acolheu o pedido. Para o vereador, a relevância do tema justifica cautela. “Apreciar e aprovar em quatro dias seria muito rápido. Vamos analisar, fazer ajustes se necessário, e devolver para tramitar o quanto antes.”