sexta-feira, 9 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Ruptura ideológica

Postado em 4 de agosto de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

A advogada Jadna Matias da Silva, de Bombinhas, finalmente revelou os motivos pelos quais declinou da candidatura a deputada federal nestas eleições. A decisão foi tomada semanas antes da convenção do NOVO, mas as razões da desistência, desde então, eram incógnitas.

Sábado (1º), no entanto, assim que os correligionários foram alinhados, ela resolveu se explicar. E as especulações foram confirmadas. A dissidência entre a bombinense e a direção do partido em Santa Catarina foi a causa basal.

O estopim do conflito teria sido o desconvite ao candidato a presidente da República do NOVO, Romeu Zema, para o encontro estadual do partido, no início de julho. A regência novista em Santa Catarina entendeu que as críticas que ele fez ao suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro poderiam tumultuar a aliança local com o PL e melindrar a presença do governador Jorginho Mello (PL) no evento. Jadna, diante do imbróglio, posicionou-se firmemente contra o comando da legenda – do qual, inclusive, era membro, como coordenadora regional na Grande Florianópolis.

Nas redes sociais, a advogada justificou o abandono da candidatura. “Recusei dispensar meu presidente Romeu Zema da campanha em Santa Catarina. Recusei subir em palanque ao lado de figuras que não condizem com os valores que sempre defendi”, publicou.

O texto, além de ratificar o motivo – a defesa circunstancial de Zema –, expõe, de modo sutil, as fissuras acarretadas na gestão estadual do partido. “Sigo no NOVO, alinhada ao diretório nacional e na direção que acredito, sem atalhos que levem ao caminho oposto”, sublinhou Jadna, indicando o rompimento com o núcleo catarinense.

Firme e decidida

Postado em 22 de julho de 2026
Foto: CMT/Divulgação

A vereadora Lizandra Dadam (NOVO), de Tijucas, elucida a nota “Pleito repensado”, de anteontem no Blog, e diz que, apesar do impasse entre a regência do partido e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, segue como pré-candidata a deputada estadual nestas eleições. Ela revela, inclusive, que já enviou toda a documentação para o comando da legenda e que deve confirmar a candidatura em convenção.

A tijuquense foi uma entre muitos novistas de Santa Catarina que defenderam a autonomia de Zema – nas críticas que fez ao suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro – em detrimento da aliança local com o PL. Ao Blog, ela reforça que continua apoiando o mineiro na disputa da presidência da República, e que, ainda que hajam dissidências, o posicionamento da executiva estadual do NOVO não afeta a nominata proporcional. “Não sou de voltar atrás nas minhas decisões”, pontuou.

Na região, Lizandra deve dobrar com o vereador André de Oliveira (NOVO), de Itapema, que vai concorrer a uma cadeira na Câmara Federal.

Pleito repensado

Postado em 20 de julho de 2026
Lizandra, à direita, pode tomar o mesmo caminho de Jadna, a primeira, em apoio a Zema (C) | Foto: Divulgação

A candidatura da vereadora Lizandra Dadam (NOVO), de Tijucas, a deputada estadual nestas eleições, está em xeque. Não porque o partido questione, mas porque ela mesma teria reconsiderado a decisão.

A tijuquense fazia coro na defesa do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), que criticou publicamente o suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro e foi desconvidado do encontro estadual do partido, no início do mês. A regência do NOVO em Santa Catarina entendeu que a presença do líder mineiro pudesse tumultuar a aliança local com o PL. Lizandra, a propósito, não participou do evento.

O imbróglio provocou uma divisão interna no NOVO catarinense. Onze núcleos municipais da legenda, inclusive, protestaram contra o tratamento da executiva estadual a Zema e ameaçaram boicotar o encontro. Poucos, no entanto, cumpriram o aviso.

Por conta da dissidência, a advogada Jadna Matias da Silva (NOVO), de Bombinhas, que era pré-candidata a deputada federal, retirou-se da disputa. Lizandra estava inclinada a fazer o mesmo, mas, até o momento, segue como pré-candidata.

Posição definida

Postado em 22 de junho de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Ainda que tenha uma eleição para a Câmara Federal a disputar e que, estrategicamente, houvesse de se preservar, a advogada Jadna Matias da Silva (NOVO), de Bombinhas, não se calou diante do polêmico desconvite da executiva do NOVO em Santa Catarina ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para o encontro estadual do partido, em 4 de julho. A bombinense saiu em defesa do pré-candidato novista à presidência da República e se transformou em principal voz de contraponto entre os correligionários diante do imbróglio.

O posicionamento não passou despercebido para a importante Revista Oeste, que repercutiu o caso e destacou, recentemente, uma das declarações de Jadna, de que “o diretório estadual não está sabendo separar as coisas”, para ilustrar o conflito. Ontem, a propósito, a advogada voltou a reafirmar, nas redes sociais, apoio ao líder novista, a quem definiu como “gestor excelente e homem honesto”.

Zema foi desconvocado do evento porque, em suma, criticou publicamente a suposta relação entre Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras. A regência estadual do NOVO entende que a manifestação do ex-governador mineiro pode prejudicar a aliança local com o PL. As objeções de Jadna, porém, ressoaram.

Na sexta-feira (19), mais de uma dezena de núcleos do NOVO em Santa Catarina emitiram comunicados em favor de Zema. Entre eles, dois da região: Tijucas e Bombinhas. Alguns, inclusive, ameaçam “não participar do encontro estadual” caso a decisão da executiva catarinense se mantenha.

A camiseta e o tiro no pé

Postado em 27 de maio de 2026
Foto: Vitor Souza/AFP

Flávio Bolsonaro subiu ao palco em Santa Catarina com uma camiseta que dizia “O PIX é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. Dias depois, a imprensa divulgou a troca de mensagens entre o pré-candidato a preseidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ligado a escândalos financeiros.

O slogan envelheceu rápido e Flávio passou a enfrentar uma crise em sua pré-campanha. Mas esse desgaste pode colocar sua candidatura em risco? Acredito que não. Pesquisas que sucederam a polêmica mostram que o impacto se deu principalmente no eleitorado independente — menos ideologizado e mais pragmático. Esses eleitores, porém, não migraram para outro candidato; o número de indecisos, brancos e nulos foi que aumentou.

Ou seja, Flávio caiu, mas Lula não cresceu. Apesar do desgaste, ele dificilmente será ameaçado por outro pré-candidato da direita. A base bolsonarista se mantém fiel ao filho de Jair Bolsonaro e não deve mudar sua posição. Essa base repele qualquer acusação contra Flávio, assim como a base lulopetista rejeitava as acusações contra Lula na Lava Jato. Há uma fatia de eleitores ideologizados praticamente imune a acusações contra políticos de sua preferência.

O problema é que Flávio perdeu eleitores entre aqueles que já desconfiavam dele, mas o viam como a melhor opção. A imagem de alguém contrário ao “sistema” é atingida por um telhado de vidro que o coloca ao lado de figuras repudiadas e amarradas ao banqueiro fraudador.

Com dificuldade para administrar a crise, Flávio viajou aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump. Um desvio estratégico para que se afaste momentaneamente da imprensa e das perguntas sobre Vorcaro. A pré-campanha de Flávio enfrenta um paradoxo: é a que tem melhores condições de enfrentamento a Lula, mas também a mais vulnerável. Sua vidraça segue exposta a novas pedradas, o que pode reduzir as chances de uma vitória da direita, mesmo contra um governo capenga.