sexta-feira, 26 de junho de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Posição definida

Postado em 22 de junho de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Ainda que tenha uma eleição para a Câmara Federal a disputar e que, estrategicamente, houvesse de se preservar, a advogada Jadna Matias da Silva (NOVO), de Bombinhas, não se calou diante do polêmico desconvite da executiva do NOVO em Santa Catarina ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, para o encontro estadual do partido, em 4 de julho. A bombinense saiu em defesa do pré-candidato novista à presidência da República e se transformou em principal voz de contraponto entre os correligionários diante do imbróglio.

O posicionamento não passou despercebido para a importante Revista Oeste, que repercutiu o caso e destacou, recentemente, uma das declarações de Jadna, de que “o diretório estadual não está sabendo separar as coisas”, para ilustrar o conflito. Ontem, a propósito, a advogada voltou a reafirmar, nas redes sociais, apoio ao líder novista, a quem definiu como “gestor excelente e homem honesto”.

Zema foi desconvocado do evento porque, em suma, criticou publicamente a suposta relação entre Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras. A regência estadual do NOVO entende que a manifestação do ex-governador mineiro pode prejudicar a aliança local com o PL. As objeções de Jadna, porém, ressoaram.

Na sexta-feira (19), mais de uma dezena de núcleos do NOVO em Santa Catarina emitiram comunicados em favor de Zema. Entre eles, dois da região: Tijucas e Bombinhas. Alguns, inclusive, ameaçam “não participar do encontro estadual” caso a decisão da executiva catarinense se mantenha.

A camiseta e o tiro no pé

Postado em 27 de maio de 2026
Foto: Vitor Souza/AFP

Flávio Bolsonaro subiu ao palco em Santa Catarina com uma camiseta que dizia “O PIX é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. Dias depois, a imprensa divulgou a troca de mensagens entre o pré-candidato a preseidente e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ligado a escândalos financeiros.

O slogan envelheceu rápido e Flávio passou a enfrentar uma crise em sua pré-campanha. Mas esse desgaste pode colocar sua candidatura em risco? Acredito que não. Pesquisas que sucederam a polêmica mostram que o impacto se deu principalmente no eleitorado independente — menos ideologizado e mais pragmático. Esses eleitores, porém, não migraram para outro candidato; o número de indecisos, brancos e nulos foi que aumentou.

Ou seja, Flávio caiu, mas Lula não cresceu. Apesar do desgaste, ele dificilmente será ameaçado por outro pré-candidato da direita. A base bolsonarista se mantém fiel ao filho de Jair Bolsonaro e não deve mudar sua posição. Essa base repele qualquer acusação contra Flávio, assim como a base lulopetista rejeitava as acusações contra Lula na Lava Jato. Há uma fatia de eleitores ideologizados praticamente imune a acusações contra políticos de sua preferência.

O problema é que Flávio perdeu eleitores entre aqueles que já desconfiavam dele, mas o viam como a melhor opção. A imagem de alguém contrário ao “sistema” é atingida por um telhado de vidro que o coloca ao lado de figuras repudiadas e amarradas ao banqueiro fraudador.

Com dificuldade para administrar a crise, Flávio viajou aos Estados Unidos para encontrar Donald Trump. Um desvio estratégico para que se afaste momentaneamente da imprensa e das perguntas sobre Vorcaro. A pré-campanha de Flávio enfrenta um paradoxo: é a que tem melhores condições de enfrentamento a Lula, mas também a mais vulnerável. Sua vidraça segue exposta a novas pedradas, o que pode reduzir as chances de uma vitória da direita, mesmo contra um governo capenga.