domingo, 4 de janeiro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Dito pelo não dito

Postado em 19 de dezembro de 2025
Fotos: Divulgação

O jogo político ganha contornos mais interessantes quando o Executivo é obrigado a conviver com oposição ativa. É nesse ambiente que nascem narrativas, versões concorrentes e o debate público propriamente dito. Foi exatamente isso que se viu em Itapema nesta semana, após a aprovação de alterações no mecanismo de reajuste do IPTU – decisão suficiente para colocar a cidade em estado de efervescência.

De um lado, o vereador André Oliveira (NOVO) correu para as redes sociais e acusou a Câmara de ter assinado um “cheque em branco” ao prefeito para aumentar o imposto. Não só votou contra, como expôs nominalmente os colegas que apoiaram a proposta, associando a medida a um cenário de crise econômica e desgaste da população.

Segundo André, o projeto permitiria aumentos expressivos – de 10%, 15%, 20% ou até 30% – por decreto, enquanto a cidade, nas palavras dele, estaria “pedindo socorro”. O vereador ainda levantou suspeitas sobre um possível recuo estratégico do Executivo, questionando por que aprovar uma lei se não havia intenção de aplicá-la.

Poucas horas depois, veio o contra-ataque. Direto de Brasília, o prefeito Carlos Alexandre “Xepa” Ribeiro (PL) usou as redes para rebater o discurso, chamando as acusações de “tendenciosas” e “mentirosas”. Segundo ele, a votação não criou aumento algum, nem autorizou reajuste imediato, apenas adequou a legislação municipal ao que já é permitido por lei federal.

Xepa classificou a polêmica como mais um episódio de “politicagem”, atribuindo a narrativa a personagens que, segundo ele, vivem de espalhar desinformação. E assim foi mais um capítulo da política em sua forma mais pura: versões opostas, redes sociais em ebulição e a população no meio do fogo cruzado.

Dorme-se com um barulho desses – mas é exatamente assim que o jogo se joga.

Arrecadação em alta

Postado em 25 de novembro de 2025
Foto: Divulgação

Os números não mentem, e em Tijucas, eles falam alto. O demonstrativo financeiro atualizado no Portal da Transparência revela que o município já embolsou 94,27% de tudo o que previa arrecadar em 2025. De um orçamento de R$ 349,3 milhões, a prefeitura já contabiliza R$ 329,3 milhões, um desempenho que supera projeções e confirma o fôlego econômico da cidade antes mesmo do calendário avançar.

O motor dessa aceleração? O de sempre – mas em rotação máxima. O mercado imobiliário, que virou vitrine regional, impulsionou o ITBI a um salto estrondoso. Foram R$ 11,6 milhões, número que representa 137,20% do estimado. Reflexo direto de um município onde negociar terrenos e apartamentos virou rotina diária.

No rastro desse crescimento, o setor de serviços também acelerou. O ISS registrou alta acima do esperado, alcançando 131,75% da previsão. As transferências da União e do Estado continuam como a grande coluna de sustentação da receita municipal, mas agora dividem protagonismo com as receitas próprias, que ganharam musculatura.

A fotografia fiscal mostra um caixa consistente, com arrecadação firme em praticamente todas as frentes. Os desafios permanecem, claro – dívida ativa volumosa e descontos do IPTU ainda drenam parte do potencial de receita. Mas o saldo geral aponta para um encerramento de ano acima do planejado, com espaço para investimentos e sem sobressaltos para 2026.

Contribuinte decide

Postado em 11 de novembro de 2025
Foto: Divulgação

Se o imposto é do cidadão, a decisão também passa a ser. Maickon Campos Sgrott (PP) anunciou um movimento pouco usual e vai abrir o cofre do IPTU para que o tijuquense diga onde o dinheiro deve ser aplicado – rua por rua, bairro por bairro, sem rodeios e sem consulta ornamental.

Batizado de “O IPTU é Seu”, o programa promete inverter a lógica. Primeiro o morador aponta prioridades, depois o governo executa. Ponto. Sem aquela velha história do “vamos estudar”.

Secretários e equipes técnicas acompanharão as reuniões comunitárias, que começam ainda este mês e seguem até dezembro, passando por todos os cantos da cidade – Areias, Santa Luzia, Centro, Morretes, Timbé, Sul do Rio, Itinga e demais regiões urbanas e rurais.

Será o contribuinte dizendo se prefere pavimentação ou iluminação, posto de saúde ou lazer, trânsito ou segurança e a administração ouvindo, anotando e se comprometendo a botar na rua. Um ensaio prático de orçamento participativo, com cronograma, formato e o que se espera: entrega.

Se a promessa vingar, Tijucas entra na lista das cidades que romperam com o velho ritual de “prefeito sabe tudo” e colocaram o cidadão de fato no jogo das decisões.

Ouvidos moucos

Postado em 29 de setembro de 2025
Foto: CMT/Divulgação

Nem os protestos nas galerias, com faixas e adesivos pedindo a rejeição, seguraram o aval do Legislativo. Em sessão extraordinária realizada na noite de sexta-feira (26), a Câmara de Tijucas aprovou o projeto do Executivo que reajusta o IPTU (Imposto Predial e Teritorial Urbano).

O texto original recebeu uma emenda que muda o ritmo do aumento. Em vez de ser aplicado em dois anos, o reajuste será diluído em três etapas: 40% em 2026, 30% em 2027 e os últimos 30% em 2028, até atingir o total de 100%. A justificativa é de suavizar o baque no bolso do contribuinte.

A votação não surpreendeu, apesar do barulho nas redes sociais e a manifestação em plenário. Foram favoráveis os vereadores Júlio César Bucoski (PP), Maria Edésia da Silva Vargas (PP), Maurício Poli (UNIÃO), Nadir Olindina Amorim (PSD), Écio Hélio de Melo (PL), Flávio Henrique Souza (MDB) e Paulo César Pereira (PSD). Já os contrários foram Renato Laurindo Júnior (PL), Lizandra Dadam (NOVO), Esaú Bayer (PL), Fabiano Morfelle (MDB) e José Vicente de Souza e Silva (PL).

Agora, a proposta e a emenda seguem para sanção do prefeito Maickon Campos Sgrott (PP).

Contrariedade

Postado em 25 de setembro de 2025
Foto: Reprodução

Embora o prefeito Maickon Campos Sgrott (PP) tenha argumentado que o polêmico reajuste do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) não seja propriamente um aumento, mas a valorização dos imóveis no município, a justificativa parece não ter sido suficiente para convencer políticos e partidos de oposição.

Alguns deles, inclusive, têm se posicionado nas redes sociais e orientado sua base a rejeitar a proposta assim que for posta em avaliação na Câmara.

Caso, a propósito, do REPUBLICANOS, recém-instituído em Tijucas, atrelado ao PL e em linha de oposição branda – com trânsito livre na prefeitura e dinâmica de parceria, com recursos do deputado federal Jorge Goetten direcionados aos cofres do município –, que decidiu publicar manifesto nas redes sociais.

Seu presidente, empresário Alberto Carlos Dolorini, popular Tito, assina a nota e diz que “penalizar o contribuinte não é o caminho para o desenvolvimento sustentável de Tijucas”. O comunicado do REPUBLICANOS pede, ainda, “fundamentação técnica sólida” que justifique o reajuste, tratado pela regência do partido como “desproporcional”.

Outras agremiações políticas do município que usaram o mesmo artifício para refutar o aumento no IPTU foram o MDB, o PL e o NOVO.

Tapete preto

Postado em 8 de fevereiro de 2019
Foto: Divulgação/PMT

O asfaltamento da avenida à beira-rio, em Tijucas, deixa, agora, de ser uma promessa de campanha e passa à lista de realizações futuras da administração municipal. O contrato com a Caixa Econômica Federal, por meio do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), foi assinado nesta manhã, na prefeitura, pelo prefeito Elói Mariano Rocha (PSD).

A partir de agora, o município tem R$ 10 milhões para a pavimentação asfáltica entre a Ponte Sobre o Rio Tijucas, na divisa dos bairros Centro e Praça, e a Ponte Sobre o Rio Oliveira, no acesso à SC-410, no Joáia. O mandatário tijuquense estima que a obra seja entregue à comunidade ainda neste ano.

Na foto, Mariano Rocha celebra o acordo com o gerente regional da Caixa Econômica Federal na Grande Florianópolis, Genésio Fernandes

PLANEJAMENTO

O governo municipal pretende, ainda, neste 2019, o asfaltamento da Rua Geraldo Rebelo – popular Rua das Carreiras –, que lidera, há anos, a lista de demandas infraestruturais da cidade. Para esta, os recursos arrecadados com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), na ordem dos R$ 4 milhões, seriam direcionados, se necessário, integralmente.