Cinco: A deposição do rei
Eleitos com diferença de 1.146 votos, Valério Tomazi (PMDB) e Ailton Fernandes (PSD) não encontraram facilidade no pleito majoritário de 2012 em Tijucas. Nem nas urnas e tampouco na campanha. Contavam com o favoritismo natural, com a maior militância, com o apoio do então prefeito Elmis Mannrich (PMDB) e da máquina pública, e concorriam contra uma dupla que se formou num sobressalto, dada a fragilidade da oposição à época – o próprio candidato a vice-prefeito adversário, ex-vereador Antônio Zeferino Amorim, admitia, semanas antes da votação, que a formação da chapa oposicionista não inspirava grandes expectativas no início. “Eu e o Adalto (Gomes, candidato a prefeito vencido naquele ano) era dois ovo que nem cascava. Mas nós casquemo e já tamo esgravatando sozinho“, dizia, com simplicidade peculiar.
A disputa, que parecia decidida na apresentação dos competidores, ganhou contornos dramáticos nos últimos momentos. Fatores extraordinários que nasciam e se replicavam nos bastidores da corrida eleitoral foram preponderantes para a desaceleração da campanha situacionista. Além do desembarque do PSD – por conta de negociações fracassadas com o presidente municipal do partido, Jilson José de Oliveira –, havia também o desgaste com o presidente do PMDB em Tijucas, Marcio Rosa, desde a pré-convenção dos periquitos, relatada com detalhes no episódio anterior, “Quatro: O partido em duas frentes“. Na reta final, apenas Fernandes permanecia no time da situação. Gil, Sérgio “Coisa Querida” Cardoso e os demais peessedistas deram as mãos a Adalto Gomes e Tonho Polícia.
Nas estâncias do PMDB, partido que administrava a Capital do Vale e concorria novamente à sucessão municipal, as dificuldades eram ainda maiores. Nome à frente das demandas do partido, Rosa abandonou os correligionários tijuquenses e partiu para Nova Trento, onde era coordenador de campanha da ex-prefeita Sandra Regina Eccel (PMDB) no pleito majoritário. Empenhos no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e uma série de documentos, além de cheques, que necessitavam da assinatura do líder peemedebista em Tijucas se acumulavam, sem resolução, e dificultavam ainda mais os planos dos periquitos na corrida eleitoral. Cabia, naquela época, ao atual secretário de Obras, Transportes e Serviços Públicos do município, Artur Tomazoni Filho – que era tão próximo do presidente do PMDB quanto de Mannrich e Tomazi –, a coleta das assinaturas; mesmo que com alguma resistência e indolência do comandante.
Marcio Rosa recebeu, por vezes durante a campanha de 2012, porta-vozes da cúpula peemedebista em Tijucas. Os recados eram sempre os mesmos: “Afaste-se ou renuncie à presidência do partido”. E a resposta também se repetia: “Só saio se me expulsarem”.
Enfim, vencidas as eleições, Elmis Mannrich reuniu o PMDB municipal no auditório da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), semanas depois do pleito, para tratar dos rumos do partido. Marcio Rosa não recebeu convite; justamente porque não fazia parte dos planos futuros da agremiação em Tijucas. Quase todos os membros da executiva estiveram presentes e decidiram, depois de expostos os motivos, que o comando do diretório haveria de ser revisto. O presidente, além de deposto, foi expulso das fileiras peemedebistas. E o então prefeito, que coordenou a campanha de Valério & Ailton naquela feita, assumiu a chefia de uma recém-instituída comissão provisória.
Rosa voltou às boas com Mannrich e com o PMDB recentemente, mas esses quatro anos de arguições, de uma inimizade exacerbada, ganhou audiência e trouxe consequências. Se houve, por um momento, alguma esperança de comover a plateia, as urnas mostraram que a estratégia estava equivocada. A paz, sempre bem-vinda, reinou mais uma vez; graças aos deuses da fraternidade. Mas a política, que não é tão benevolente, ainda não assimilou essa súbita reaproximação.
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Léo, mesmo antes do fim da série, é preciso que se elogie. Na onda do jornalismo literário, os textos estão muito bons e com um conteúdo incrível, que dificilmente seria veiculado na imprensa tradicional. São as vantagens da internet, quem sabe… Eu, que muitas vezes sou crítico ao teu trabalho (ao conteúdo e não à maneira que escreves, friso), considero essa série uma das melhores coisas produzidas pela mídia de Tijucas em um período bastante considerável. Parabéns!
Chora, pode chorar, pode chorar, mas chora…
E lá se vai o reinado do PMDB e já vai tarde . A validade estava vencida e faria mau ao povo . Felizmente este acordou e escolheu a mudança . Tem gente chorando até agora . ui ui uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
A prosa sempre foi da soberba , nariz empinado , achando que por estar atuando na Justiça dava direito a ser o maioral . Foi banido e voltou com a cola atrás das pernas e agora levou o chute do “povo tijucano” .
E acreditem , foi só o começo , na próxima não conseguem fazer o número do sapato que calçam e com isso um breve recado : trabalho árduo de sol a sol engrandece .
Vão carpi um lote , aliás aqueles que “lotes” que deram origem a briga……
É o que temos dito… Caciques… Um e outro… Guerreando sempre, somente com a leitura de suas próprias realidades e, também, com os olhos (e vísceras) voltadas para seus interesses particulares. Como diria uma manezinha invocada: – com os zóio viradu para seu imbigo!
Felizmente, dia 2.10.16 fica na história por ter, com uma só tacada, feito a cidade se livrar de dois déspotas. O primeiro que sempre mandou no “emedebê” local e o segundo que foi estafeta daquele, sem nunca ter tido vôo solo. Porque quando a criatura se enraiveceu por não ter espaço e luzes, o criador foi lá e cortou-lhe as asas!!!