sexta-feira, 5 de junho de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Nem cá, nem lá

Postado em 3 de junho de 2026
Foto: CMC/Divulgação

O vereador Eloir João Reis (PSD), de Canelinha, viveu recentemente a “maior decepção” da sua história na política. Não revelou detalhes, mas avisou que não militaria mais na bancada governista; e nem se juntaria aos opositores. Na manhã seguinte, para completar, renunciou ao posto de primeiro secretário da mesa diretora da Câmara Municipal.

Nos bastidores, especula-se que o motivo seja um projeto do qual foi autor e que não encontrou apoios nem entre os correligionários e tampouco na oposição. “A gente pensa que tem amigos…”, lamentou Lico, que, isolado, pediu que a proposta fosse retirada da pauta e, em seguida, declarou independência na tribuna do Legislativo.

Não foi a primeira – e pode não ter sido a última – vez que o ex-prefeito, conhecido pela personalidade forte e, em algumas ocasiões, pela casmurrice, opta pela emancipação. Na legislatura passada, eleito na oposição e enquanto o grupo decidia por que caminho seguir, fez o próprio itinerário e abraçou o governo de Diogo Francisco Alves Maciel (PL). Mas o discurso, a propósito, naquela feita, também era de “liberdade”.

Conquista territorial

Postado em 2 de junho de 2026
Foto: Divulgação

Com a desistência do prefeito Diogo Francisco Alves Maciel, de Canelinha, da disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa nestas eleições, o PL catarinense passou a considerar que o Vale do Rio Tijucas deva ter um candidato a deputado estadual. E tem feito investidas, principalmente em São João Batista, para preencher essa lacuna.

Nos últimos dias, o empresário Felipe Lemos, presidente do partido na Capital Catarinense do Calçado, tem sido recorrentemente assediado por interlocutores do governador Jorginho Mello. A ideia do voto local tem sido uma constante na cúpula do PL estadual.

Para o convite ao batistense, a executiva do partido teria observado o desempenho de um conterrâneo de Lemos nas eleições de 2022. Os 20.110 votos de Daniel Netto Cândido (então no PODEMOS) poderiam, na conta de estrategistas liberais, ser mantidos na região e realocados no projeto de reeleição do governador e na bancada do partido na Alesc.

O empresário, entretanto, depois de seguidas reuniões com a executiva do PL em Santa Catarina na semana passada, decidiu declinar. Aos mais próximos, Lemos tem revelado que uma candidatura a deputado estadual sem o planejamento adequado poderia afetar negativamente o projeto de 2028, quando pretende concorrer novamente à prefeitura de São João Batista.

Outros nomes na região, de um ex-vereador, de uma pastora evangélica e de um ex-servidor em cargo de confiança no governo de Jair Bolsonaro, continuam sendo avaliados no PL catarinense para o preenchimento da vaga.

Falta sentida

Postado em 15 de maio de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Não se deixou de perceber a ausência do vice-prefeito de Canelinha, Antonio Carlos Machado Junior, da lista de principais lideranças do PSD na região, na recepção ao pré-candidato a governador do partido, João Rodrigues, quarta-feira (13), em Tijucas. Embora tenha sido um dos primeiros a defender a postulação do ex-prefeito de Chapecó ao Executivo estadual, o adjunto canelinhense decidiu reconsiderar.

O recuo, obviamente, foi estratégico. E tem fundamento no bloco político a que Machado Junior pertence no município. O vice-prefeito depende da base, com liderança do prefeito Diogo Francisco Alves Maciel (PL) – ativo estrutural do projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) no Vale do Rio Tijucas – para ser o representante consensual do grupo no pleito municipal de 2028.

Ao Blog, questionado, Machado Junior disse que, embora nutra “enorme carinho” por Rodrigues, “a sequência do trabalho de Jorginho é fundamental”. O adjunto acrescentou, entretanto, que segue alinhado a outras pré-candidaturas do PSD, como a de Napoleão Bernardes para a Assembleia Legislativa e a de Júlio Garcia para a Câmara Federal, e que esse seria “independente de questões políticas, um reconhecimento a quem reconhece Canelinha”.

MIGRAÇÃO

Nos bastidores, ventilou-se, porém, que a falta de Machado Junior ao evento estivesse relacionada a um ajuste partidário com o PL, e que, inclusive, o vice-prefeito de Canelinha pudesse se filiar ao partido do governador Jorginho Mello no futuro próximo.

“Existem conversas, sim, e, se entendermos que o melhor para Canelinha seja essa mudança, assim faremos. Temos um grande articulador, que é o prefeito Diogo, e confio muito nele”, revelou, ao Blog, o vice-prefeito.

Firme e forte

Postado em 27 de abril de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Na seara local, quase ninguém entende porque o engenheiro agrônomo Thiago Vinícius Leal, candidato do MDB a prefeito de Canelinha em 2024, continua empregado no governo estadual. Foi alçado ao cargo por intermédio do presidente estadual do partido, Carlos Chiodini – que rompeu com o governador Jorginho Mello (PL), deixou o comando da Secretaria de Estado da Agricultura em janeiro e passou a circular com João Rodrigues (PSD) –, mas, diferentemente de outros emedebistas na estrutura do Estado, permanece ativo na folha.

Leal, que cumpre expediente na gerência de Projetos da Agricultura estadual com remuneração bruta na casa dos R$ 13,9 mil, foi admitido em março de 2025, quando Chiodini ainda era secretário e o MDB apoiava a proposta de reeleição de Jorginho. Relações que, a propósito, foram desfeitas.

Nas rodas de especulação, conjetura-se que o canelinhense seja muito competente no que faz, a ponto de assumir status de indispensabilidade, ou que, nesse meio tempo, tenha construído relações no governo que o mantenham no cargo independentemente da ruptura política entre MDB e PL.

Patrulha digital

Postado em 23 de abril de 2026
Foto: Rodrigo Romeo/Flickr/Alesp

Que se cuidem os prefeitos Maickon Campos Sgrott, de Tijucas, Diogo Francisco Alves Maciel, de Canelinha, Maxiliano de Oliveira, de Nova Trento, e Carlos Alexandre “Xepa” de Souza Ribeiro, de Itapema, assim como os vice-prefeitos Ailto Neckel de Souza, de Porto Belo, e Saulmir Benoni Zunino, de Major Gercino. O segundo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato a senador por Santa Catarina, vem fazendo uma varredura nas redes sociais das principais lideranças do PL que não divulgam a pré-candidatura do irmão, Flávio Bolsonaro, à presidência da República.

“Estou fazendo um levantamento (…) e é estarrecedor perceber que a esmagadora maioria não tem sequer uma postagem sobre o tema há mais de quatro meses”, escreveu Carlos em seu perfil do Instagram. O comentário, a propósito, atinge diretamente os representantes do PL em cargos de maior importância na região, que, de fato, não fizeram referência a Flávio nesse tempo. O majorense Saulmir Zunino, aliás, nem conta nas plataformas sociais tem.

“Se os senhores também perceberem isso na sua cidade, estado e em outros locais, cobrem e exponham respeitosamente, sempre com bom senso. Assim se faz política, se exerce a democracia e se faz grupo, e não oportunidade momentânea. Espero não ter sido agressivo”, completou Carlos – que, pelo menos, quando esteve no Vale do Rio Tijucas, em março, foi recebido e reverenciado por toda a claque do PL regional.

O pré-candidato ao Senado avisou, ainda, que, se preciso, levaria o assunto à executiva do partido “para tentar corrigir o óbvio”.

Pleito atendido

Postado em 9 de abril de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

Embora muita gente assuma a SC-410 como bandeira política, os resultados práticos quase nunca aparecem. Elencada entre as rodovias com mais acidentes fatais em Santa Catarina, a estrada que liga Tijucas a Nova Trento sempre esteve entre os problemas de primeira ordem na região. Mas, de acordo com o vereador tijuquense Maurício Poli (UNIÃO), as preocupações, pelo menos no nexo com Canelinha, podem ser minimizadas a partir de maio.

Segundo o parlamentar, o trabalho desenvolvido desde 2021, quando estreou na Câmara, surtiu efeito. Poli promoveu audiência pública, realizou levantamento de dados e levou um relatório de acidentes no trecho ao governo estadual. O pleito, ao que parece, foi ouvido.

Nas redes sociais, o vereador contou, orgulhoso, que três trevos e a melhoria da iluminação na SC-410, entre Tijucas e Canelinha, foram demandadas no Estado, e que as obras teriam início no próximo mês. O processo licitatório foi aberto e os prazos estabelecidos na Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade.

Homilia

Postado em 9 de abril de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

Se o senador Esperidião Amin (PP-SC) tem a oratória – impecável, diga-se de passagem – como uma das suas ferramenta de sucesso eleitoral, faltou espaço na gravação do vereador Eloir João Reis (PSD), de Canelinha, para que ele pudesse exibir esse dote. Em vídeo de 2 minutos e 35 segundos, filmado ontem em Brasília, o canelinhense falou exatos 1 minuto e 46 segundos antes que o ex-governador de Santa Catarina tivesse a vez. Até abraço para o pai, Seu Osni, Lico mandou, sob olhar jocoso do anfitrião.

Espirituoso, Amin agradeceu o “sermão” do vereador e, no pouco tempo que restou, destacou a relação com Canelinha e disse que analisaria “com o dever e o carinho de sempre” os pleitos da comitiva da Cidade das Cerâmicas.

Ao lado de Lico, na visita ao senador, estiveram os vereadores Fabrícia da Silva Betinelli (MDB), Robinson Carvalho Lima (UNIÃO) e David Leal (MDB). Os três, a propósito, durante a homilia do Cabeça Branca, não deram um pio – porque não quiseram ou porque, assim como Amin, não puderam.

Pleito indireto

Postado em 25 de março de 2026
Foto: Arquivo pessoal

O prefeito de Canelinha, Diogo Francisco Alves Maciel (PL), que se colocava como alternativa para a disputa do parlamento catarinense nestas eleições, declinou. Anunciou ontem, em pronunciamento na Câmara Municipal, que vai prestar apoio ao deputado estadual e pré-candidato à reeleição Carlos Humberto Metzner Silva (PL).

Ao Blog, com exclusividade, Alves Maciel disse que a decisão é definitiva. O mandatário canelinhense justificou que o Vale do Rio Tijucas precisa de alguém que defenda as causas da região na Assembleia Legislativa e citou a viabilidade eleitoral como ponto fundamental. “Confio muito na reeleição do deputado Carlos Humberto e conto com ele, homem de palavra que é, no compromisso que tem com o Vale”, pontuou.

A postulação a uma cadeira na Alesc, entretanto, continua no radar. O chefe do Executivo da agora oficialmente Capital Catarinense do Motrocross considera que o trabalho institucional de Metzner Silva, de solidificação das bases, pode “abrir portas” para lideranças locais. “Se amanhã houver essa oportunidade, meu nome segue à disposição”, finalizou.

Congratulação

Postado em 24 de março de 2026
Foto: Divulgação

Se a laureada Canelinha, que ostentava o vulgo de Cidade das Cerâmicas, tem, hoje, o título de Capital Catarinense do Motocross, deve-se muito ao deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva (PL). Foi ele quem, ao lado do prefeito Diogo Francisco Alves Maciel (PL), labutou para que a Lei Estadual 19.532, que requalificou a história do município em novembro passado, fosse proposta e aprovada. Os agradecimentos vêm, agora, em forma de Moção de Aplausos e Reconhecimento na Câmara canelinhense.

O parlamento municipal, por indicação dos vereadores Jackson Miguel Machado (PL), Clodoaldo Mafra (PL) e Valdeli Mário Melo (PSD), confere o galardão a Carlos Humberto hoje, em sessão especial.

Para justificar a distinção, os proponentes afirmam, no manifesto da moção, que “ao transformar uma tradição em lei, o deputado não apenas homenageia o passado glorioso de pilotos e organizadores (de eventos de motocross na cidade), mas impulsiona o futuro do turismo esportivo e da economia local”.

O desafio de Amin em Canelinha

Postado em 26 de fevereiro de 2026
Foto: Senado Federal/Divulgação

Dono de um currículo invejável na política, o senador Esperidião Amin Helou Filho (PP-SC) pode enfrentar, em 2026, uma das eleições mais difíceis de sua trajetória. Embora inicialmente contasse com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o catarinense, ao que tudo indica, ficará fora da chapa do governador Jorginho Mello (PL), que terá — se nada mudar até lá — o ainda prefeito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), como candidato a vice-governador, e a deputada federal Caroline De Toni (PL) e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), como postulantes ao Senado. No entanto, a briga por espaço não é o único problema.

Com quase 60 anos de vida pública, poucos catarinenses vivos podem dizer que nunca votaram em Esperidião Amin. Vejamos:

Canelinha, no Vale do Rio Tijucas, sempre entregou boas votações ao senador. Segundo números do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina), entre 1990 e 2022, o progressista recebeu 16.491 votos. Um número extraordinário para um município que chegou, em 2024, a pouco mais de 10,4 mil eleitores.

O retrospecto, em 2026, pode mudar. Recentemente, na Câmara de Vereadores, dois parlamentares canelinhenses criticaram publicamente o senador, embora admitissem que votaram nele em diferentes eleições. O presidente do Legislativo, Jackson Miguel Machado (PL), chegou a usar o trocadilho: “Amin (a mim) não engana mais”.

Os autores das reclamações afirmam que são mal recebidos, tanto pelo senador quanto por sua equipe, durante visitas a Brasília. Criticam, ainda, a distribuição de recursos, direcionada quase exclusivamente a quem esteja filiado ao PP. “Sempre foi bem votado em Canelinha; deveria mandar recursos para o município, e não para o partido”, pontuam.

Voltemos aos números. Em 2022, quando Esperidião Amin concorreu ao Senado, recebeu 2.341 sufrágios canelinhenses, algo superior a 21% dos votos válidos daquele pleito.

De volta ao parlamento canelinhense, o experiente vereador Eloir João Reis (PSD), o Lico, saiu em defesa de Amin após as críticas. “Sempre fui bem recebido e serei novamente quando for a Brasília neste ano. Foi o melhor governador que Santa Catarina já teve”, frisou o ex-prefeito.

OLHO NO VAR

A declaração não agradou muito. Isso porque os colas-brancas mais atentos e magoados não esquecem que Lico, em 2006, então prefeito de Canelinha, declarou timidamente apoio ao projeto de reeleição de Luiz Henrique da Silveira, do arquirrival PMDB (hoje MDB), justamente contra Esperidião Amin, em um movimento até hoje não esclarecido. “Luiz Henrique sempre me atendeu bem”, justifica.

E O AMIN?

Se Amin repetirá as boas votações na Terra das Cerâmicas no pleito que se avizinha, só o tempo dirá. Mas, ao que tudo indica, o cenário pode não ser tão favorável quanto o de outrora. Veremos.