Entrelinhas
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Embora houvessem evidências claras que antecipavam o resultado final da sessão de julgamento do vice-prefeito de São João Batista, Almir Peixer (MDB), ontem (31), na Câmara de Vereadores, algumas surpresas também foram evidenciadas durante a audiência.
Foto: DivulgaçãoUma delas, aliás, foi o voto do vereador Teodoro Marcelo Adão (MDB) que, mesmo tendo denunciado o caso ao Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), votou contrário à procedência da quebra de decoro do prefeito em exercício, que cassaria o mandato de Peixer.
O fato não agradou o vereador Gustavo Grimm (CIDA) – o único que votou favorável à denúncia. Surpreso, o opositor ao governo Pedro Alfredo Ramos (MDB) afirmou que haviam “vereadores comprados” e lamentou o arquivamento do caso.
Milson da Silva (MDB) não gostou da colocação e protestou. “Um show à parte. O vereador esqueceu de dizer que humilhou o Déi aqui na Câmara. Aqui tem gente séria. Os vereadores aqui têm palavra e a minha não faz curva”, bradou.
Jean Kayser (MDB) também rebateu. “Tu [Grimm], disse que se surpreendeu com a mudança de posicionamento dos teus colegas. O processo é justamente para isso. Se faz um processo justamente para ouvir testemunhas, avaliar e tomar uma decisão”, disse.
Mateus Galliani (PP), presidente da Comissão Processante, repudiou o comentário e dirigiu a palavra a Grimm. “Jamais vou concordar com o fato do senhor colocar em xeque o trabalho sério, limpo e liso que essa comissão fez. Se o entendimento foi diferente do senhor, lamento, mas fizemos um trabalho técnico”, afirmou.
Adão, por sua vez, solicitou explicações ao colega e, inclusive, pediu que o mesmo apresentasse provas da acusação. Grimm, então, respondeu que alguns vereadores trocavam favores com secretários e dependeriam deste apoio para manter o cargo no Poder Legislativo.
Citou, inclusive, a amizade de Edésio Pedrinho Tomasi (PSD) – membro da Comissão Processante -, com o ex-prefeito Daniel Netto Cândido (PODE) e o vice-prefeito Almir Peixer, alegando que, pela proximidade, poderia ter ocorrido um julgamento parcial. “Uma vergonha”, disse.
Citado, Tomasi recorreu ao direito de resposta e voltou a dizer que, mesmo com a relação, houve imparcialidade do processo. “Quem fez a denúncia é seu amigo e de seu partido”, finalizou o parlamentar.
…
Justificativas
Marcelo Teodoro Adão (MDB), como citado acima no texto, foi contrário ao andamento do processo. Embora tivesse denunciado o caso ao Ministério Público, o vereador com inclinação governista justificou o voto.
“Em nenhum momento, chamei o vice-prefeito de ladrão ou falei que ele estava agindo de má-fé com aquele dinheiro dentro da prefeitura. Mas, quis saber se aquele dinheiro havia passado por algum tipo de fiscalização, como Imposto de Renda (IR). Sei que o Déi tem seu jeito de ser, mas, não acreditei que ele faria algo. Como vereador, quis investigar”, explicou.
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