segunda-feira, 21 de outubro de 2019 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Da água para o vinho

Postado em 12 de setembro de 2019

Eleito na oposição, o vereador Juliano Peixer (ex-PSDB, agora sem partido) decidiu abraçar o governo de Daniel Netto Cândido (PSD) em São João Batista. E a postura do parlamentar, pública e notória, vem gerando desconfortos entre os oposicionistas — para quem, recentemente, o ex-tucano passou a ser persona non grata.

Mas a mudança tem motivo. A aproximação entre Cândido e o PSL, especialmente fortalecida nas últimas semanas, muito em razão do convívio entre o chefe do Executivo municipal e o governador Carlos Moisés da Silva (PSL), provocou excitação na cena política da Capital Catarinense do Calçado. Embora livre das amarras partidárias, Peixer não esconde que tem grande apego ao partido do presidente Jair Bolsonaro.

O vereador, aliás, ultimamente, tem sido frequente no gabinete do prefeito e nas visitas ao colegiado municipal; e, ainda, defendido a administração na tribuna da Câmara. Se o mandatário batistense já contava com maioria no Legislativo, a bancada governista, agora, foi reforçada. Pois, então?!

Desculpado

Postado em 13 de agosto de 2019

A responsabilidade por algumas empresas de São João Batista migrarem para a Bahia sempre recaiu sobre o prefeito Daniel Netto Cândido (PSD). As insinuações passavam das rodas políticas para os escritórios refrigerados das indústrias de calçados até ganharem a pauta das discussões, dos botequins ao WhatsApp. O chefe do Executivo batistense, porém, nunca deixou de se defender nas redes sociais e entrevistas sobre o tema.

Agora, o mito parece ter caído por terra. O presidente do SincaSJB (Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista), Almir Manoel Atanázio dos Santos — irmão do ex-prefeito Aderbal Manoel dos Santos (PP), principal adversário de Cândido — foi enfático, semana passada, na abertura da Frente Parlamentar em Apoio ao Setor Calçadista e de Componentes, na Assembleia Legislativa, ao rechaçar essa ideia. “Não foi culpa do prefeito. Pela situação de outros estados oferecerem atrativos, houve empresas que foram assediadas”, explicou.

O presidente agradeceu aos deputados e desejou, ainda, que a Frente garanta a representatividade que o município merece no estado.

Prenúncio do fim

Postado em 2 de julho de 2019

As fotos dos eventos sociais e institucionais não mostram, mas a parceria entre o prefeito Elói Mariano Rocha (PSD) e o vice-prefeito Adalto Gomes (PL), pelo menos no campo político, já não existe. O adjunto tijuquense, aliás, só não entregou o comando da Secretaria Municipal de Obras, Transportes e Serviços Públicos ainda porque aguarda a assinatura da ordem de serviço para o asfaltamento da Avenida Beira-Rio – e, obviamente, os créditos da obra. Mas o fim está cada vez mais próximo.

Na sexta-feira (28), Gomes se reuniu com apoiadores e definiu um prazo: 120 dias para entregar o cargo e abandonar o governo. Correligionários do vice-prefeito insistem na indicação de um substituto, mesmo com a inevitável ruptura.

EXECUTIVO E LEGISLATIVO

O conflito chegou, sobretudo, à Câmara Municipal. Vereadores governistas já não defendem o secretário e vice-prefeito quando o tema “obras” vem à pauta; e se juntam aos oposicionistas para culpar o ex-petista por qualquer ingerência na infraestrutura do município. Gomes vem sendo fritado, e tanto no Executivo quanto no Legislativo virou persona non grata.

SUBSTITUTO

No ninho cola-branca, conselheiros de Mariano Rocha já tramam a troca de comando na pasta de Obras. As investidas começaram na primeira quinzena de junho, durante os encontros de celebração dos 159 anos de Tijucas. O eloquente vereador Rudnei de Amorim (DEM) – coincidentemente ou não, um dos críticos mais incisivos do vice-prefeito na Câmara – é quem teria a preferência de figuras clássicas do Conselho, como os empresários Geremias Teles SilvaUilson Sgrott, para assumir o posto.

Ausência e defesa escrita

Postado em 1 de julho de 2019

Na berlinda do TCE (Tribunal de Contas do Estado) – que recomenda a reprovação das contas do Executivo tijuquense em 2016 –, o ex-prefeito Valério Tomazi (MDB) não atendeu ao chamado da Câmara Municipal, quinta-feira (27), para se justificar na tribuna. Em vez disso, protocolou a defesa por escrito na Casa do Povo. O ex-mandatário atribui as falhas na execução orçamentária daquele ano à recessão econômica do país e aos repasses estaduais e federais que, segundo ele, não foram honrados com o município.

Os vereadores têm, a partir de agora, 20 dias para apreciar e julgar as contas municipais de 2016. Tomazi precisa que nove parlamentares contrariem a recomendação do TCE para não sofrer as sanções da Justiça Eleitoral – que podem resultar em oito anos de inelegibilidade.

LEGENDA E RESSENTIMENTO

O ex-prefeito dispensou o uso da tribuna, mas não parou de articular nos bastidores. Fez reuniões com os vereadores do MDB – mais o pedetista Fabiano Morfelle, que compõe a bancada de oposição – e reafirmou o propósito de permanecer no partido e contribuir nos próximos pleitos.

Os votos dos oposicionistas parecem encaminhados. Mas não sem ressalvas. Presidente do MDB municipal, o vereador Fernando Fagundes teria pontuado, durante o encontro com Tomazi, que “se a votação fosse no ano passado, os emedebistas certamente seriam contrários à aprovação das contas, porque a mágoa (com a postura do ex-mandatário nas eleições de 2016, quando teria preferido Elói Mariano Rocha (PSD) ao correligionário Elmis Mannrich) ainda era muito grande”.

CABO ELEITORAL

Na bancada governista, a vereadora Elizabete Mianes da Silva (PSD) é quem vem arrebanhando votos em favor de Tomazi. Por influência da professora aposentada, os colegas Vilson Natálio Silvino (PP), Odirlei Resini (MDB) e Ecio Helio de Melo (PP) devem optar pela aprovação das contas.

Em tempo: no pleito proporcional de 2016, Bete, que chegava do MDB sob grande desconfiança e uma projetada dificuldade nas urnas, teria sido amplamente apoiada pelo ex-prefeito e garantiu a reeleição.

VOTO GARANTIDO

Secretário de Obras, Transportes e Serviços Públicos no governo de Tomazi, outro que deve votar em favor da aprovação das contas de 2016, por gratidão, é o vereador Cláudio Tiago Izidoro (sem partido).

INDECISOS E CONTRÁRIOS

Diante das projeções, o ex-prefeito deve conseguir a absolvição. Os votos contrários, neste momento, podem ser, no máximo, três.

O estreante Juarez Soares (CIDA) vem repetindo sistematicamente que pretende fazer uma opção técnica, a partir do entendimento do TCE, pela rejeição. Braço direito da administração municipal na Câmara, Rudnei de Amorim (DEM) ainda não se decidiu, e diz aos mais próximos que a ausência de Tomazi na última sessão “mudou tudo” e que ficou “muito chateado” com a postura do ex-prefeito. E a advogada Fernanda Melo Bayer (MDB) já manifestou, internamente, que, por ideologia, deve contrariar, sempre que puder, as intervenções da colega Eliazabete Mianes da Silva.

Noves fora

Postado em 26 de junho de 2019

O ex-prefeito Valério Tomazi (MDB) foi convidado a prestar esclarecimentos, e exercer o direito de defesa, amanhã, na Câmara Municipal de Tijucas, em atenção à recomendação, pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), de rejeição das contas de 2016 do Executivo municipal. Da tribuna, ele tem a oportunidade de explicar aos vereadores e à comunidade por que o entendimento do tribunal não deve prevalecer.

Para reverter o posicionamento do TCE, Tomazi precisa que pelo menos dois terços da Câmara – ou nove parlamentares – seja favorável à aprovação das contas de 2016. Se não conseguir, o ex-mandatário pode, inclusive, perder os direitos políticos por oito anos.

Sonho realizado

Postado em 13 de maio de 2019

No ato em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou, semana passada, o decreto que facilita o porte de armas para políticos eleitos, caminhoneiros, caçadores e atiradores esportivos, moradores de áreas rurais e repórteres policiais, entre outra categorias, quem ficou a seu lado o tempo todo, sorridente e aplaudindo freneticamente, foi o deputado federal Rogério “Peninha” Mendonça (MDB-SC), de Nova Trento.

Ali, naquela feita, Peninha viu concretizado tudo o que vem defendendo nos últimos anos.

Cidadão armado

Postado em 25 de fevereiro de 2019

A compulsão do deputado federal Rogério “Peninha” Mendonça (MDB-SC), de Nova Trento, pelo assunto é impressionante. Nos últimos dias, ele passou a defender mais uma bandeira no Congresso: o direito à posse de armas de fogo garantido na Constituição Federal.

O parlamentar neotrentino vem colhendo assinaturas na Câmara para apresentar a “Proposta de Emenda Constitucional da Legítima Defesa”. Já tem 103; e precisa de mais 68.

RÓTULO

Peninha ganhou notoriedade nacional ao propor, insistentemente – aliado ao amigo e então deputado federal Jair Messias Bolsonaro, hoje presidente da República –, a revogação do Estatuto do Desarmamento, que condiciona, com muita rigidez, a aquisição de armas de fogo por cidadãos comuns. Por isso, aliás, é tratado entre os congressistas e a imprensa como um dos mais veementes integrantes da polêmica “Bancada da Bala”.

Retribuição

Postado em 21 de fevereiro de 2019

O empenho do prefeito Daniel Netto Cândido (PSD) na campanha da então candidata a deputada estadual Marlene Fengler (PSD), e os 1.248 votos que ela recebeu em São João Batista nas eleições de 2018, já deram resultado. Eleita e empossada, a parlamentar vem defendendo, na Assembleia, a extensão de crédito presumido para a indústria de componentes para calçados, que paga 17% de ICMS enquanto os fabricantes de sapatos são taxados em apenas 3%.

“A indústria calçadista representa 50% da economia de São João Batista. A outra metade vem quase toda do setor de componentes. É necessária uma equalização”, alertou a deputada, dias atrás, na tribuna do Legislativo.

Montanha de gelo

Postado em 23 de novembro de 2018

Terminou agora, no Fórum da comarca de Tijucas, a segunda audiência do processo da Operação Iceberg em que são réus os servidores do Legislativo tijuquense entre 2013 e 2016. Na sessão, foram ouvidas as testemunhas de defesa. Ao todo, 13 nomes estavam arrolados – entre ex-prefeitos e ex-vice-prefeitos que também foram vereadores, e ex-presidentes da Câmara Municipal em legislaturas anteriores.

Personagens marcantes da política tijuquense – como Elmis Mannrich (MDB), Uilson Sgrott (DEM) e Valério Tomazi (MDB) – depuseram nesta tarde. As baixas ficaram na conta das ausências do prefeito Elói Mariano Rocha (PSD), que viajou em função do município e justificou a falta, e do vice-prefeito Adalto Gomes (PT), que deve ser reconvocado.

O processo está dividido em três partes: uma em que são réus os funcionários da Casa na legislatura passada; outra que julga o envolvimento dos vereadores da época; e uma terceira em que a berlinda se forma com os ex-presidentes da Câmara de 2013 a 2015. De acordo com o advogado Marcio Rosa, que faz a defesa dos servidores e da maioria dos vereadores e ex-vereadores indiciados, “ainda falta muita coisa, e não existe qualquer previsão (de tempo) para a conclusão”.

Brincadeira sem graça

Postado em 12 de novembro de 2018

A zombaria do advogado Joel Eliseu Galli no Facebook, na segunda-feira pós-eleição (29 de outubro), não teve graça. Pelo menos para o Ministério Público Estadual, que requereu o indiciamento do autor do controverso vídeo que convidava integrantes dos movimentos Sem Teto e Sem Terra a invadirem apartamentos e terrenos de Itapema sob o argumento de que “Deus está acima de tudo, e está autorizando”.

A promotora Carla Mara Pinheiro, da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Itapema, definiu o ato como “incitação à prática dos crimes de invasão de domicílio e esbulho possessório”, ambos do Código Penal, além de crime contra “a proteção de bens imóveis vinculados ao Sistema Financeiro de Habitação”.

De acordo com o documento da promotoria, “a prática perpetrada pelo autor do fato tipifica o delito previsto no artigo 286 do Código Penal, cuja pena prevista varia de três a seis meses de detenção”.

DEFESA

Galli, de pronto, se defendeu. Encaminhou resposta ao Juizado Especial Criminal da Comarca de Itapema com a justificativa de que o vídeo, que ganhou repercussão nas redes sociais, tratava-se de uma “provocação e não uma convocação”, “com conteúdo jocoso, irônico e sarcástico”.

No ofício, o advogado pontua, ainda, que “se o governo do ‘coiso’ – termo de referência ao presidente eleito Jair Messias Bolsonaro (PSL) – nem iniciou formalmente e a repressão ganha contornos de censura criminalizante, devemos ser temerosos quanto ao futuro”, e pergunta “se uma brincadeira, de bom ou mau gosto, acaba transformada em processo judicial, o que nos espera amanhã?”

Por fim, o ex-procurador do município de Itapema pede que o Ministério Público inicie, também, “procedimento penal em desfavor daqueles que o ameaçaram nos comentários registrados no vídeo” e termina a carta com o jargão de campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.