Inimigos íntimos
Foto: Léo Nunes
De todos os inusitismos do alinhamento entre PSD, MDB e PP – que reveste a pré-campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo estadual – as junções de figuras heterogêneas, historicamente divergentes nos municípios, tem chamado atenção. E ontem, em Tijucas, as excentricidades foram elevadas ao primeiro nível.
Nunca se imaginou que os ex-prefeitos Elmis Mannrich (MDB) e Eloi Mariano Rocha (PSD) pudessem, em qualquer cenário, frequentar o mesmo palanque. Era impossível, para qualquer militante ou observador curioso, romper o passado, de embates acirrados e acusações severas, com tamanha facilidade. Mas eles tiraram de letra – com espasmos isolados de constrangimento, a bem da verdade.
A iniciativa, de acordo com relatores da linha do tempo, teria sido de Mariano Rocha, que telefonou para Mannrich nas vésperas do encontro e pediu para “reunir a liderança do MDB” na recepção. Durante o evento, os rivais estiveram quase sempre juntos. O incômodo do emedebista, entretanto, era nítido.
O embaraço foi habilidosamente desfeito por Rodrigues, que, ao posicionar os ex-prefeitos na dianteira do palco, ficou entre eles e disse que era “para não dar briga”. As risadas dos presentes suavizaram o clima, que ganhou ainda mais cordialidade nos aplausos dos colas-brancas ao manifesto ardoroso de Mannrich em favor da reeleição de Esperidião Amin (PP) ao Senado. Pois então!
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NA HISTÓRIA
Embora pareça estranho, a mistura entre agremiações – e líderes – desconformes em Tijucas teve outros capítulos. O próprio MDB, com Valério Tomazi, venceu uma eleição, em 2012, aliado ao PSD, com representação do candidato a vice-prefeito Ailton Fernandes. A diferença, na ocasião, foi que os colas-brancas não acompanharam a proposta e se uniram a Adalto Gomes (PT) na trincheira rival.
Em condição muito semelhante à atual, o advogado Marcio Rosa, presidente do MDB tijuquense em 2010, chegou a coordenar a campanha de Raimundo Colombo (no extinto DEM) ao governo estadual na região. Naquela feita, parte da liderança historicamente rival se uniu, embora outra parcela dos colas-brancas, de militância mais conservadora, houvesse acompanhado a candidatura de Ângela Amin (PP) e recusado a tríplice-aliança instruída por Luiz Henrique da Silveira (MDB).










