Dignidade e poder: o dilema do MDB
Foto: MDB-SC/Divulgação
Considerando o forte fisiologismo político impregnado no MDB catarinense, os eventos regionais indicam que o partido pode lançar candidatura própria na disputa pelo governo do estado. A emancipação torna-se uma solução adequada na medida em que restabelece parte da dignidade partidária, após os emedebistas terem sido escorraçados da chapa do governador Jorginho Mello (PL).
Ao mesmo tempo, permite que o partido valorize seu apoio em um eventual segundo turno, quando poderá optar por aquele que apresentar maiores chances de vitória e, assim, voltar a ocupar espaços no futuro governo — reforçando sua já consagrada habilidade de orbitar o poder.
Nesse momento de tantas imprecisões no MDB catarinense, a única certeza é que um projeto independente nasce sem a viabilidade necessária para a vitória. Diante deste cenário, a maior dúvida é a de quem, dentro do grupo, estaria disposto a partir para o sacrifício e servir como boi de piranha.
O partido busca uma aproximação com o ex-governador e ex-senador Raimundo Colombo, que é cortejado a migrar para as fileiras do Manda Brasa e encabeçar a disputa pelo Executivo estadual, já que dentro do MDB, ao que parece, ninguém estaria disposto ao harakiri político.
Contudo, a saída de Colombo do PSD traria prejuízo direto ao projeto de João Rodrigues (PSD) na toada em que potencializaria a reeleição de Jorginho, o que pode apontar para um eventual “jogo de compadres” entre emedebistas e liberais.
O atual governador, inclusive, já mandou recado tanto para o MDB quanto para o PP: “melhor continuar no governo do que apostar em uma aventura”.
Sem uma liderança forte e amplamente reconhecida, sentar-se à mesa de quem estiver no poder parece ser a estratégia mais racional de sobrevivência — ainda que, para isso, seja necessário engolir o que resta do orgulho partidário.











