segunda-feira, 1 de junho de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

O dilema de Chiodini no MDB

Postado em 30 de abril de 2026
Foto: Divulgação

No dia seguinte a um encontro que reuniu lideranças do MDB favoráveis a uma aliança com o governador Jorginho Mello, o presidente do partido, Carlos Chiodini, publicou uma carta aos emedebistas.

O texto é, antes de tudo, um gesto político raro: expor publicamente uma crise interna sem eufemismos. Ao reconhecer o “apequenamento” do MDB em Santa Catarina, Chiodini rompe com o silêncio estratégico que costuma ocultar fragilidades. Há mérito nisso: o debate é colocado no centro — a sobrevivência e o futuro do partido.

O diagnóstico é consistente. Os resultados eleitorais recentes indicam perda de protagonismo, espaço institucional e identidade política. Essa crise, porém, não é nova. Tem raízes na dificuldade histórica de reconstruir uma liderança unificadora após a morte de Luiz Henrique da Silveira, que funcionava como eixo de coesão. Sua ausência abriu um vácuo nunca plenamente preenchido, alimentando disputas internas e fragmentação.

A carta ganha densidade, mas também levanta dúvidas. Ao denunciar a crise, Chiodini se posiciona como possível agente da reconstrução. Surge então a questão central: reconhecer o problema é suficiente para liderar a solução?

Sua trajetória e lealdade têm peso, mas reunificar o MDB exige mais: articulação ampla, autoridade reconhecida e capacidade de impor um projeto coletivo acima de interesses individuais. O próprio texto revela um partido dividido, com decisões isoladas.

Há, ainda, um risco: ao criticar alianças e movimentos internos, o diagnóstico pode ser correto, mas sem se transformar em convergência prática tende a aprofundar divisões. Em partidos heterogêneos, a linha entre liderança firme e isolamento é tênue.

No fim, a carta explicita a encruzilhada: retomar protagonismo ou aceitar a irrelevância. A dúvida que permanece é se o próprio Chiodini reúne as condições políticas necessárias para cumprir esse papel, ou se sua manifestação, apesar de corajosa, será apenas mais um capítulo no longo processo de crise do MDB catarinense.

Firme e forte

Postado em 27 de abril de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Na seara local, quase ninguém entende porque o engenheiro agrônomo Thiago Vinícius Leal, candidato do MDB a prefeito de Canelinha em 2024, continua empregado no governo estadual. Foi alçado ao cargo por intermédio do presidente estadual do partido, Carlos Chiodini – que rompeu com o governador Jorginho Mello (PL), deixou o comando da Secretaria de Estado da Agricultura em janeiro e passou a circular com João Rodrigues (PSD) –, mas, diferentemente de outros emedebistas na estrutura do Estado, permanece ativo na folha.

Leal, que cumpre expediente na gerência de Projetos da Agricultura estadual com remuneração bruta na casa dos R$ 13,9 mil, foi admitido em março de 2025, quando Chiodini ainda era secretário e o MDB apoiava a proposta de reeleição de Jorginho. Relações que, a propósito, foram desfeitas.

Nas rodas de especulação, conjetura-se que o canelinhense seja muito competente no que faz, a ponto de assumir status de indispensabilidade, ou que, nesse meio tempo, tenha construído relações no governo que o mantenham no cargo independentemente da ruptura política entre MDB e PL.

Chegadas e partidas

Postado em 31 de março de 2026
Foto: Arquivo

O deputado estadual Jerry Comper (MDB) deixou o comando da Secretaria de Estado da Infraestrutura ontem, e voltou a ocupar a titularidade na Assembleia Legislativa. Com isso, o portobelense Emerson Stein (MDB), que cumpria o mandato na suplência, perdeu a cadeira.

Stein, aliás, ainda faz entregas de recursos na região nesta semana. Mas, a partir de agora, dedica-se integralmente ao ensejo da pré-campanha enquanto discute a relação com o partido. Ele participa da ala emedebista que apoia a reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e pode, a qualquer momento, assinar filiação a outra legenda. PL, PODEMOS e REPUBLICANOS são as alternativas.

Comper, por sua vez, comunicou hoje nas redes sociais sua permanência no MDB. Mas, assim como o ex-prefeito de Porto Belo, o agora ex-secretário de Estado prefere a aliança com Jorginho. Eles, juntamente com Fernando Krelling e Valdir Cobalchini, discordam da decisão do presidente Carlos Chiodini – de integrar o projeto de João Rodrigues (PSD) –, que consideram uma “manifestação isolada”, e querem que o partido faça uma consulta nas bases.

Sem chance

Postado em 9 de março de 2026
Foto: Divulgação

A deputada estadual Ana Paula da Silva (PODEMOS) esteve na festa de aniversário do presidente do MDB em Santa Catarina, Carlos Chiodini, no fim da semana, e insuflou os bastidores da política barriga-verde. Nas rodas de especulações, a ex-prefeita de Bombinhas aparecia como uma das possíveis aquisições do MDB na disputa da Câmara Federal nestas eleições.

Informação, a propósito, prontamente desmentida por Paulinha ao jornalista JC, do Diarinho. Segundo a bombinense, “não existe chance nenhuma” para a mudança de partido. Ela diz, ainda, que confia no projeto do PODEMOS e que tem ficado muito animada com a construção da nominata da legenda para o pleito que se aproxima.

Nos planos da presidente estadual do PODEMOS estariam a consolidação do partido no Congresso e a conquista de mais cadeiras no parlamento catarinense. De acordo com Paulinha, a estrutura podemista no Estado seria suficiente para eleger um deputado federal com chances reais da segunda vaga, e três ou quatro deputados estaduais, a depender do quociente eleitoral.

De saída

Postado em 27 de janeiro de 2026
Foto: Arquivo pessoal

Se a determinação do partido for respeitada, o canelinhense Thiago Vinícius Leal (MDB) precisa deixar, imediatamente, a gerência de Projetos da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural. Foi nomeado por indicação do secretário Carlos Chiodini, presidente do MDB catarinense, que se desligou do cargo.

Engenheiro agrônomo e secretário de Agricultura na gestão de Moacir Montibeler (MDB), entre 2017 e 2020, Leal ingressou no governo estadual em março de 2025, cinco meses depois de ser vencido por Diogo Francisco Alves Maciel (PL) no pleito majoritário de Canelinha. Antes, destacou-se como vereador e liderança do MDB local.

Na atual conjuntura, aparece como único emedebista do Vale do Rio Tijucas com função direta na estrutura administrativa do Estado e remuneração bruta na casa dos R$ 14,4 mil.

Alívio

Postado em 26 de janeiro de 2026
Foto: Arquivo

O fim do casamento entre PL e MDB na esfera estadual serviu como luva para o ex-prefeito de Nova Trento, Tiago Dalsasso (MDB). Em entrevista recente, ele proclamou que nem por uma obrigação institucional dividiria o palanque com o atual chefe do Executivo municipal, Maxiliano de Oliveira (PL).

Membro titular do diretório estadual, Dalsasso participa hoje, às 19h, da reunião para deliberar sobre a permanência de emedebistas no governo de Jorginho Mello (PL). E nem se precisa dizer, afinal, de que lado da mesa o neotrentino deve se sentar.

O secretário de Estado da Agricultura, Carlos Chiodini, presidente do MDB catarinense, já anunciou que pretende deixar o cargo. Outra peça do partido na estrutura governista, e com quem Dalsasso tem relação estreita, é o secretário de Estado da Infraestrutura, Jerry Comper, que estaria entre a cruz e a espada.

A situação ficou insustentável com a escolha, dias atrás, do prefeito de Joinville, Adriano Silva (NOVO), para a chapa de reeleição do governador. O MDB era o principal interessado na vaga, e Chiodini contava com ampla cotação.

Gestão apartidária

Postado em 21 de janeiro de 2026
Foto: Arquivo pessoal

O convite chegou, e foi aceito. A nomeação da suplente de vereadora Consuelo Azevedo (MDB) em cargo de confiança no governo de Tijucas estaria por detalhes. O destino seria a Secretaria Municipal de Ação Social, na coordenação de um núcleo de atenção aos grupos de terceira idade.

A designação, que ainda não foi oficializada, caiu como bomba no MDB tijuquense, que perde mais uma combatente para os situacionistas. Antes, o prefeito Maickon Campos Sgrott (PL) havia conquistado o préstimo do vereador Flávio Henrique Souza (MDB) na Câmara Municipal, o que já era, no diretório emedebista, tratado como calamidade.

Souza, a propósito, teria atuado fortemente – juntamente com o deputado estadual Emerson Stein (MDB) – para que Consuelo recebesse o chamado da administração municipal.

ANTES, CONTUDO

A aproximação da suplente de vereadora com os governistas vem de algum tempo. Na campanha de 2024, ela já havia conversado com o PP, partido que Campos Sgrott representou na concorrência majoritária.

A proposta era a de que Consuelo se transferisse para as fileiras progressistas com a promessa de que, mesmo não eleita ao parlamento, participasse da gestão. A relação familiar com o MDB, entretanto, foi o principal empecilho.

COALIZÃO

O prefeito, que conseguiu manter a aliança entre PP, PSD e UNIÃO BRASIL ativa, e aniquilou a oposição do PL no município – ao se filiar e integrar o partido à gestão –, passa agora, de caso pensado ou não, a amealhar emedebistas.

As parcerias com Emerson Stein e com o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, mais a cedência da prefeitura ao vereador Cláudio Eduardo de Souza (MDB) em julho, por 16 dias, foram as primeiras mostras.

Consuelo abre um novo capítulo. Porque os precedentes ainda estavam frescos.

Apoio e convite

Postado em 24 de outubro de 2025
Foto: Divulgação

Se a regência do MDB em Tijucas chegou a avaliar a expulsão do presidente da Câmara Municipal, vereador Cláudio Eduardo de Souza (MDB), essa possibilidade tem passado longe da executiva catarinense do partido. Pelo menos foi o que ficou sublinhado no encontro do tijuquense com o presidente estadual Carlos Chiodini (MDB-SC) nesta semana, em Brasília.

Ao Blog, Chiodini havia ementado, com exclusividade, que, mesmo que o diretório municipal deliberasse, “o vereador teria o direito de fazer a sua contrarrazão”. Desta vez, na capital federal, olho no olho com Cláudio do Jornal, o presidente do MDB catarinense teria tratado do assunto superficialmente e, inclusive, incentivado a ascendência do parlamentar nos quadros do partido.

Ponto alto da conversa, que se estendeu nos gabinetes dos correligionários Rafael Pezenti (MDB-SC) e Valdir Cobalchini (MDB-SC), foi o convite para que o presidente do Legislativo tijuquense se candidate a deputado federal nas eleições de 2026. A proposta, evidentemente, surpreendeu o vereador – e, desde então, vem sendo analisada cuidadosamente.

Ponte aérea emedebista

Postado em 22 de outubro de 2025
Fotos: Divulgação

Os bastidores do MDB catarinense andam agitados e com conexões em Brasília. O prefeito de Porto Belo, Joel Lucinda, e o presidente da Câmara de Tijucas, Cláudio Eduardo de Souza, embarcaram na tradicional ponte aérea política em busca de articulação e visibilidade na capital federal.

Lucinda circulou entre gabinetes passando pela senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), onde formalizou pedido de apoio para as obras da Passarela das Vieiras, e ampliou o raio de contatos com Jorge Goetten (REPUBLICANOS-SC) e Jorge Seif Júnior (PL-SC).

Já Cláudio aproveitou o roteiro brasiliense para marcar presença institucional e reforçar laços com o núcleo duro do MDB. Esteve com Ivete da Silveira, Valdir Cobalchini, Rafael Pezenti e com o presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini — após a polêmica reunião da siga que analisou sua possível expulsão.

Brasília segue sendo um roteiro natural para os políticos da região.

Fratura exposta

Postado em 10 de outubro de 2025

A novela interna do MDB de Tijucas ganhou novos capítulos e, desta vez, com manifestação do ator principal. O vereador Flávio Henrique Souza, sob risco de expulsão, subiu à tribuna na sessão de ontem para fazer um discurso carregado de críticas e ironias. Disse manter “respeito ao partido e, acima de tudo, fidelidade ao povo”, questionou os motivos da sua conjeturada exclusão e insinuou que a decisão tem fundo político.

O parlamentar não poupou a direção local do partido. Segundo ele, o rompimento tem relação direta com a disputa pela presidência da Câmara, e o MDB, “que não queria a cadeira”, teria abandonado seus representantes eleitos. “Nunca tivemos uma reunião com o presidente e com a diretoria. Ficamos sozinhos”, afirmou.

Ele diz ser “homem de luz, e a escuridão não gosta de luz”, e que as lideranças atuais do partido “não querem ninguém que faça sombra”. Flávio defendeu a reestruturação interna do partido, com mais espaço para novos nomes.

INTERNAMENTE

Enquanto isso, nos bastidores do partido, o clima é de ansiedade após a assembleia extraordinária do diretório municipal, terça-feira (7). No encontro, dirigentes, suplentes e membros dos conselhos de Ética e Fiscal deliberaram sobre as expulsões dos vereadores Flávio Henrique Souza e Cláudio Eduardo de Souza.

Apesar de figurarem no mesmo processo — ambos acusados de alinhamento ao governo do prefeito Maickon Campos Sgrott (PP) e de contrariar as diretrizes partidárias —, os desfechos foram distintos. A expulsão de Flávio foi unânime, com aval das comissões e encaminhamento à executiva estadual. Já o presidente da Câmara, Cláudio do Jornal, foi poupado.

Desdobramentos devem ocorrer neste caso. Em atenção ao Blog, o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini garantiu que a executiva ainda não foi notificada sobre a decisão municipal e que o parlamentar terá “direito de fazer sua contrarrazão”.

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Um sai, outro fica