segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Cabeça quente

Postado em 4 de dezembro de 2025
Foto: Arquivo

O dia a dia do prefeito Alexandre Silva (PSD), de Bombinhas, não tem sido fácil. Ele enfrenta simultaneamente o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado – duas frentes que se tornaram, nos últimos meses, uma dor de cabeça constante para o governo municipal.

De um lado, há a denúncia apresentada pela vereadora Lourdes Matias (NOVO) sobre a execução de um projeto bilionário de água e esgoto. Do outro, o MP cobra explicações sobre o uso irregular de contratações temporárias, um problema antigo que, segundo a Promotoria, o município insiste em não resolver.

O órgão sustenta que Bombinhas vem ignorando regras constitucionais e termos de ajustamento de conduta antigos, mantendo processos seletivos e vínculos precários em setores que deveriam ser atendidos por servidores efetivos. Mesmo com o Concurso Público 1/2024 já homologado – e mais de 200 aprovados apenas na área da odontologia -, o município lançou o Processo Seletivo 1/2025, repetindo vagas nas mesmas funções, agora com contratos temporários.

Os inquéritos revelam renovações sucessivas e até recontratações anuais em áreas essenciais como Saúde e Educação. Em um dos casos, o setor de enfermagem chegou a ter 12 profissionais temporários para 14 efetivos, sinal de que a exceção virou regra. A Promotoria identificou ainda que um terço do quadro funcional é composto por temporários, muitos deles atuando em cargos de natureza permanente.

O problema não é novo. Assim como Porto Belo, Bombinhas também é signatária de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 2011, que já proibia contratações fora das hipóteses legais. Os abacaxis são administrativos, jurídicos e urgentes.

Bilhões em jogo

Postado em 2 de dezembro de 2025
Foto: Divulgação

Quando o dinheiro é público – e a cifra ultrapassa a casa do bilhão -, o mínimo esperado seria transparência e fiscalização exemplar. Mas em Bombinhas o básico precisou de provocação formal. A vereadora Lourdes Matias (NOVO) cutucou o Tribunal de Contas do Estado, e o órgão agora cobra explicações da Prefeitura e da concessionária Águas de Bombinhas sobre a execução do contrato de R$ 1,1 bilhão firmado para gerir o abastecimento de água e o esgotamento sanitário do município pelos próximos 35 anos. O caso ganhou destaque estadual em reportagem do NDSC.

O TCE deu prazo de cinco dias para que a administração municipal e a empresa apresentem uma lista extensa de documentos – cronogramas de obras, evolução da rede de esgoto desde 2016, projetos executivos e até o contrato completo com todos os anexos. Tudo o que, em tese, já deveria estar acessível à população.

Na tribuna da Câmara, Lurdinha disse que a decisão é um “reconhecimento de que há indícios de irregularidades e ineficiência na gestão”. A conselheira substituta do TCE, Sabrina Nunes Locken, concordou na peça legal: há sinais claros de descumprimento contratual e falta de transparência.

O contrato, aliás, previa até novembro de 2024 uma nova Estação de Tratamento de Esgoto, 154 quilômetros de tubulações e 26 estações elevatórias. No papel, tudo parece impecável. Na prática, os resultados seguem distantes do combinado.

A vereadora novista promete acompanhar de perto o caso, tanto no Tribunal de Contas quanto no Ministério Público, onde tramita um procedimento paralelo sobre o mesmo tema.

Sono tranquilo

Postado em 2 de outubro de 2025
Foto: Arquivo

O ex-prefeito de São João Batista, Pedro Alfredo Ramos (MDB), pode enfim descansar a cabeça no travesseiro. Uma das maiores dores de sua gestão – o escândalo batizado de “farra dos combustíveis” – foi sepultada com o arquivamento das investigações pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Foram dois anos de inquérito, conduzidos pela Promotoria de Justiça com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e da subprocuradoria-geral de Justiça para Assuntos Jurídicos. Até a Câmara de Vereadores entrou na história, abrindo uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as denúncias.

No centro do caso, estavam abastecimentos irregulares registrados nos dias 10 e 12 de janeiro de 2023, justamente quando São João Batista vivia estado de calamidade pública após as fortes chuvas do fim de 2022. Máquinas e caminhões de cidades vizinhas foram emprestados para ajudar na reconstrução, e, segundo admitiu o próprio ex-prefeito, ele autorizou o uso dos cartões da frota municipal para garantir combustível a esses veículos.

O Tribunal de Contas nunca aprovou esse tipo de prática, mas o MPSC entendeu que não houve desvio intencional, apenas uma medida emergencial para manter o socorro funcionando. Sem provas de dolo ou má-fé, o processo foi arquivado, livrando Ramos e os demais envolvidos de qualquer responsabilidade criminal.

Nada mudou

Postado em 15 de setembro de 2025
Foto: Arquivo

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina bateu o martelo e manteve as condenações por improbidade administrativa que pesam sobre o ex-prefeito de Canelinha, Antônio da Silva (PP), e o ex-secretário de Desenvolvimento Regional de Brusque, Jones Bosio.

O caso envolve uso irregular de verbas públicas que serviriam para a realização de uma festa natalina, mas que, segundo o Ministério Público, teve fins políticos. A história vem de 2013, quando R$ 47,5 mil foram repassados oficialmente para custear o “Natal Luz”. Só que, de acordo com a investigação, o dinheiro acabou financiando um baile fechado com viés eleitoral.

Na primeira sentença, o ex-prefeito recebeu como punição a suspensão dos direitos políticos por quatro anos, multa equivalente ao valor em questão, além da proibição de contratar com o poder público pelo mesmo período. O TJSC manteve a decisão contra ele.

Já o recurso apresentado pelo ex-secretário regional sequer passou da porta e não teve qualquer efeito no processo.

Delação por descaso

Postado em 25 de junho de 2025
Foto: Arquivo pessoal

A vereadora Raquel Aparecida Josino (UNIÃO), presidente da Procuradoria Especial da Mulher de Itapema, pode ter ignorado uma denúncia formal de violência de gênero e incorrido em “omissão institucional”. Pelo menos essa foi a argumentação da ONG Olho Vivo para protocolar uma acusação contra ela no Ministério Público de Santa Catarina.

De acordo com a ONG, a parlamentar deixou de tomar providências legais ou responder a ofícios que cobravam medidas acerca do caso, registrado em maio. A reclamação apresentada ao MPSC alega descumprimento da Lei de Acesso à Informação, improbidade administrativa e possível crime de prevaricação.

A Olho Vivo pediu o afastamento da vereadora, a instauração de uma investigação e medidas de proteção à vítima sob o pretexto de que “a omissão agrava o sentimento de abandono de quem necessita de apoio e compromete a confiança nas instituições”.

Casa Nova

Postado em 16 de janeiro de 2023
Foto: Divulgação

O tijuquense Edemir Alexandre Camargo Neto encerrou, ao término da gestão Carlos Moisés da Silva (Republicanos), sua passagem como secretário de Estado da Administração Prisional. Entre as atribuições finais, estavam as atividades de transição para o governo de Jorginho Mello (PL).

Em um dos últimos atos, o ex-governador cedeu o policial penal ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) para compor o GAECO. O grupo é uma força-tarefa coordenada pelo MP, com integrantes de outros órgãos de Estado, que visa ações de combate à corrupção.

Inicialmente, conforme aponta o Diário Oficial, Camargo Neto fica à disposição para cooperação técnica até o próximo dia 31 de março. Discreto, o ex-secretário já iniciou as novas atividades sem fazer alarde.

Taxa constitucional

Postado em 11 de novembro de 2019

Na última hora de quinta-feira (7), a Suprema Corte confirmou, mais uma vez, a constitucionalidade da TPA (Taxa de Preservação Ambiental) de Bombinhas. O julgamento decorreu do recurso apresentado pelo Ministério Público de Santa Catarina. Em agosto, a relatora, ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, já havia se posicionado contrária ao pedido de reexame do MP catarinense, baseada em jurisprudência que reconhece a legalidade da taxa.

Os demais ministros votaram conforme a relatoria, o que gerou pronunciamento do prefeito Paulo Henrique Dalago Müller (DEM). “Bombinhas é um lugar especial, uma península que tem peculiaridades ambientais e que deve ser protegida”, destacou o mandatário da Capital do Mergulho Ecológico.

NA VIZINHANÇA

As comemorações, entretanto, se estenderam a Governador Celso Ramos, que inicia, pela primeira vez, a cobrança da taxa nesta sexta-feira (15). A assessoria de imprensa do Consórcio Inco — administrador do pedágio no município — diz que a decisão do STF “reforça a segurança jurídica da Eco TPA, e enfraquece e torna inócua a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que tramita na Assembleia Legislativa e que pretende proibir esse tipo de contribuição em Santa Catarina”.

Taxa constitucional

Postado em 7 de agosto de 2019

Em 12 de julho, a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou provimento ao recurso extraordinário do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e confirmou a constitucionalidade da TPA (Taxa de Preservação Ambiental) de Bombinhas. A decisão foi publicada ontem.

A ação foi ingressada por um órgão interno do MP em 2017, com base no artigo 102 da Constituição e contra o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), onde a TPA de Bombinhas já havia sido julgada constitucional em fevereiro daquele ano. Na decisão, a ministra enfatiza que “o acórdão se harmoniza com todas as orientações jurisprudenciais anteriores”.

Folha carimbada

Postado em 20 de abril de 2017

Com base no artigo 44 da Lei Orgânica do Município e nos artigos 73, 228 e 230 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Tijucas, o servidor público federal Henri C. M. da Silva, cidadão nos termos do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, já protocolou ofício na direção do Poder Legislativo do município – conforme noticiado com exclusividade pelo blog sob o título “Julgamento antecipado” – que “REQUER o afastamento dos envolvidos nas práticas de improbidade administrativa e corrupção” no caso que ficou conhecido como Operação Iceberg.

Sob justificativa de “ajuste e melhoria dos serviços prestados pelo Poder Legislativo”, ele anexa ao documento a “notícia de fato” e o protocolo da denúncia formalizada no Ministério Público de Santa Catarina, na expectativa de que, apoiado na legislação interna, o parlamento municipal possa deliberar sobre o afastamento dos quatro vereadores reeleitos e réus no citado processo.