segunda-feira, 2 de março de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Antessala

Postado em 24 de fevereiro de 2026
Foto: Brenno Gonçalves/Arquivo/LDF

Ex-prefeito e ex-vice-prefeito de Nova Trento, o cientista político Orivan Jarbas Orsi assumiu, nesta semana, sem grande alarde, a chefia de gabinete da prefeitura de São João Batista. O cargo continuava vago desde o início da gestão de Juliano Peixer (UNIÃO) – embora aliados alegassem publicamente que era uma “necessidade” ter alguém nessa função.

O envolvimento de Orsi com o governo batistense, entretanto, não chega a ser uma novidade. O neotrentino participou ativamente da campanha vitoriosa em 2024 e, desde que Peixer assumiu o comando do município, tem contribuído voluntariamente com o equilíbrio institucional e político da gestão.

A discrição do ato, oficializado ontem sem qualquer comunicação formal, pode ter sido estratégica. A importação de políticos do município vizinho em cargos de alto escalão na prefeitura de São João Batista era uma das principais críticas dos rivais ao governo do ex-prefeito Pedro Alfredo Ramos (MDB), entre 2021 e 2024, escarniado por opositores como “República de Nova Trento”.

Encaixe perfeito

Postado em 20 de fevereiro de 2026
Foto: Larissa Mrtinelli

A federação UNIÃO PROGRESSISTA, firmada nacionalmente, serviu como uma luva para a aliança entre UNIÃO BRASIL e PP em São João Batista. A única da região, inclusive, onde a junção se encaixou perfeitamente nos planos do grupo.

Convergência, sobretudo, que definiu com antecedência quem o governo municipal deve apoiar nas eleições que se aproximam. Do lado situacionista, os indicados seriam o deputado estadual Altair Silva (PP), novamente para a Assembleia Legislativa, e o federal Fabio Schiochet (UNIÃO-SC), que tentaria a reeleição.

Silva, natural de Major Gercino e criado na Capital Catarinense do Calçado, tem sido, desde 2014, por desígnio principalmente do ex-prefeito Aderbal Manoel dos Santos, principal referência do partido no município, a demanda do PP batistense nas eleições gerais. E, no contrabalanço, entraria Schiochet, por determinação do prefeito Juliano Peixer (UNIÃO).

O deputado federal unionista, no entanto, teria alguma dificuldade apenas na ala do PP que trabalha diretamente com Altair no parlamento catarinense – como o ex-vereador Mário Soares –, que deve buscar votos, obviamente, para o chefe de gabinete do majorense na Alesc, jornalista André Callai (PP), que postula uma vaga na Câmara Federal.

Troca-troca

Postado em 5 de janeiro de 2026
Foto: Arquivo

Finalmente, o PP foi prestigiado na administração municipal de São João Batista. O vice-prefeito Mateus Galliani (PP) assume o comando do Executivo municipal por 30 dias, a partir de hoje, para deleite da claque progressista local.

Embora a transmissão do cargo seja protocolar, para as férias do titular Juliano Peixer (UNIÃO), o gesto põe panos quentes na aliança que venceu o pleito de 2024 – depois de divergências, inclusive publicizadas por representantes do PP na imprensa e na Câmara, e de algum desgaste acumulado no primeiro ano da gestão batistense.

CONTRAPARTIDA

Nem bem chega, e Galliani traz consigo o recurso do gabinete do deputado estadual Altair Silva (PP), que viabiliza a pavimentação em asfalto da Rua Vidal Serafim Machado.

O parlamentar, inclusive, tem sido um dos mais recorrentes propulsores do caixa do município, com R$ 1 milhão em emendas destinados em 2025, justamente em função da parceria com a representação progressista, e mesmo diante do conflito interno que, ao que parece, entra em fase de trégua.

Não fizeram nada

Postado em 16 de dezembro de 2025
Foto: Divulgação

O discurso do presidente da Câmara, Fábio Norberto Sturmer (PP), na sessão desta segunda-feira (16), teve tom de recado direto ao Executivo – com endereço certo dentro do primeiro escalão. Usando o clássico “morde e assopra”, elogiou algumas secretarias, mas foi implacável com outras, que, segundo ele, passaram o primeiro ano de governo praticamente invisíveis.

Logo no início, avisou que pisaria em calos. Disse que alguns secretários não iriam gostar, mas que isso lhe era indiferente. “Não estou aqui para representar secretário nenhum”, cravou. Em seguida, apontou para os colegas de plenário e afirmou, sem hesitar, que nenhum deles discordaria do diagnóstico.

Fábio lembrou que o governo tem recursos, que obras importantes estão em andamento e citou, inclusive, a iminente aprovação de R$ 50 milhões para a Beira Rio, mas cobrou resultados concretos de pastas que, segundo ele, ainda não entregaram nada. Garantiu que, a partir de agora, a cobrança será “ferrenha”.

O tom subiu quando trouxe um exemplo pessoal: uma indicação feita em fevereiro, relacionada a “uma única rua”, que até hoje não recebeu resposta da Prefeitura. Com o dedo em riste, reclamou da demora e classificou as justificativas apresentadas como tardias demais.

Encerrando, partiu para a ironia. Disse esperar que sua fala provoque uma autoanálise nos secretários – antes que sejam convidados a deixar o cargo – e que, se for o caso, “peçam as contas”.

Fábio integra a base governista, mas desde o início da gestão de Juliano Peixer (UNIÃO) tem adotado postura crítica e feito cobranças públicas que nem sempre agradam o Paço. Pelo visto, o desconforto não é acidental.

Política e narrativas

Postado em 12 de novembro de 2025
Foto: Rádio Clube

Política se sustenta em enredos, e quem domina a narrativa, domina o jogo. Mas, segundo o ex-prefeito de São João Batista e suplente de deputado estadual, Daniel Netto Cândido (PSD), os discursos criados contra sua gestão de oito anos “estão desmoronando com o tempo”.

Em entrevista à Rádio Clube nesta terça (11), Cândido afirmou que as críticas feitas ao seu governo, especialmente em relação à gestão do Hospital Monsenhor José Locks, “caíram por terra”, já que a atual administração mantém a mesma empresa e o mesmo modelo de gestão. “O hospital continua o mesmo. Vai se tentar mudar o uniforme, mas municipalizar, não vai”, provocou.

O ex-prefeito aproveitou para cutucar a atual base política, lembrando que seus sucessores, Pedro Alfredo Ramos (MDB) e Juliano Peixer (UNIÃO), não enfrentaram oposição na Câmara de Vereadores, ao contrário dele, que define o período como “uma guerra”.

Daniel lançou ainda um desafio direto ao grupo governista. Se realmente acreditam que determinadas políticas estavam erradas, por que não as revogam agora? Citou como exemplo o programa dos monitores, duramente criticado por adversários durante seu mandato, mas mantido pela atual gestão.

O que o ex-prefeito expõe é o abismo entre o palanque e o gabinete – porque uma coisa é o discurso embalado pela campanha, e outra, bem distante, é o cotidiano das decisões reais.

Quem é o pai?

Postado em 22 de outubro de 2025
Fotos: Divulgação

Em São João Batista, a municipalização da Escola de Educação Básica Professor Patrício Teixeira Brasil virou uma disputa de paternidade. De um lado, o prefeito Juliano Peixer (UNIÃO) garante que a ideia nasceu no Governo do Estado. Do outro, os documentos — assinados por ele próprio — contam uma história diferente.

Nos papéis, a origem é clara. Um ofício de 15 de janeiro de 2025, redigido com o timbre da Prefeitura e endereçado ao então secretário de Educação Aristides Cimadon, manifesta “interesse na municipalização” e agradece a “disponibilidade do Governo do Estado em solidificar a contribuição com o Município”. O texto vai além da cortesia burocrática e lista contrapartidas — obras, reformas, ônibus escolares e até playgrounds — e mostra que o assunto já era pauta desde o verão, quando o tema ainda não tinha estourado no debate público.

O gesto, mais político que administrativo, deixa evidente que Peixer queria a escola sob controle municipal e o próprio ofício reconhece que “mostra-se temerário fazê-lo neste momento”, sinal de que havia vontade, mas não estrutura. Outro documento, sem data, reforça o interesse e coloca o Município “à disposição para dar andamento aos trâmites legais”.

Tudo isso desmoronou a versão divulgada em setembro, quando a Prefeitura publicou nota tentando reescrever o roteiro — dizendo que o Governo do Estado “tomou a iniciativa” e que o Município apenas “avançou nas tratativas”. A operação narrativa visava deslocar o protagonismo, e com ele a responsabilidade política, para Florianópolis.

Reunião em setembro tratou dos trâmites da municipalização e foi realizada no gabinete.

Mas o diabo mora nos detalhes como diz a expressão popular. A cronologia é implacável e os registros de janeiro mostram que o pedido partiu da Prefeitura, e não do Estado.

E como se não bastasse, um relatório técnico da própria administração municipal jogou mais gasolina no incêndio: 56,5% das escolas de São João Batista estão em nível crítico de maturidade (0% a 39%) e 43,5% em nível limitado (40% a 59%). Nenhuma unidade chegou sequer ao nível moderado.

Em resumo, o que começou como uma tentativa de dividir responsabilidades acabou deixando pais furiosos, e aliados do governador Jorginho Mello (PL) irritadiços.

Nada contesta o que está em papel timbrado. Todo o resto, por enquanto, é revisão de narrativa.

Alívio jurídico

Postado em 15 de outubro de 2025
Foto: Divulgação

Pelo menos no campo jurídico, a dupla que comanda a Capital Catarinense do Calçado pode finalmente respirar aliviada. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) decidiu, por unanimidade, absolver o prefeito Juliano Peixer (UNIÃO) e o vice-prefeito Mateus Galliani (PP) da acusação de abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024.

A denúncia partiu do PL batistense, que questionava a legalidade de um vídeo em que Peixer e o deputado federal Fábio Schiochet (UNIÃO-SC) apareciam anunciando a entrega de uma ambulância ao Corpo de Bombeiros Militar de São João Batista. Segundo a acusação, o conteúdo configuraria uso eleitoral indevido de um ato público.

O julgamento, realizado na tarde de terça-feira (14), terminou com placar de 7 a 0 a favor dos gestores municipais. O Ministério Público Eleitoral, representado pelo promotor Nilton Exterkoetter, havia recorrido da primeira decisão — também absolutória — proferida pelo juiz Rui Cesar Lopes Peiter. Mas o TRE-SC manteve o entendimento inicial, encerrando o processo em definitivo.

Na avaliação da corte, não houve indícios de abuso de poder econômico nem de uso da máquina pública.

Nova fase

Postado em 9 de outubro de 2025
Foto: Divulgação

Conhecido pelo estilo cordial e pela habilidade de transitar entre diferentes grupos políticos, o presidente da Câmara de São João Batista, Fábio Norberto Sturmer (PP), parece ter inaugurado uma nova fase no relacionamento com o Executivo. Desde que assumiu o comando do Legislativo, o vereador — que protagonizou embates duros com o prefeito Juliano Peixer (União) — vem adotando um tom mais conciliador e estratégico.

Sturmer, que antes fazia críticas públicas frequentes, agora prefere o diálogo reservado. Segundo ele, as divergências continuam, mas são tratadas “em conversas diretas com o prefeito”, uma mudança significativa de postura em relação ao primeiro semestre. Em entrevista à Rádio Clube na última semana, chegou inclusive a elogiar o prefeito e parte de sua equipe, gesto que não passou despercebido.

Já em entrevista ao Linha de Frente nesta quinta-feira (2), afirmou que não teria problema em voltar a criticar o governo e que essa será uma linha seguida durante seu mandato. Assista aqui.

Apesar do novo tom mais suave, o presidente da Câmara mantém o discurso de que “o vereador precisa cumprir seu papel e apontar os erros para evitar que a gestão caia na zona de conforto”. O Progressista, que vinha cobrando publicamente a renovação prometida por Peixer e criticava a permanência de nomes ligados ao ex-prefeito Pedro Alfredo Ramos (MDB), agora tenta equilibrar crítica e cooperação.

Partidos divididos

Postado em 30 de setembro de 2025
Foto: CMSJB/Divulgação

A sessão da Câmara revelou, mais uma vez, que a oposição ao governo de Juliano Peixer (UNIÃO) não fala em uníssono. O requerimento do vereador Teodoro Marcelo Adão (MDB), que buscava informações sobre o transporte escolar terceirizado após o incêndio que destruiu cinco ônibus em 2023, foi rejeitado por seis votos contra e quatro a favor.

Até aí, nada novo no front da política local. O que chama atenção é a artilharia amiga. Dentro do próprio MDB, Almir Peixer votou contra o colega. As feridas da época em que foi vice-prefeito ainda latejam, críticas públicas de Adão não foram esquecidas, e o discurso de cordialidade soa protocolar.

No PL de Felipe Lemos, o retrato não é mais harmônico. Gustavo Grimm e Mário Antônio Teixeira seguiram caminhos opostos. Grimm, afastado do grupo desde o fim das eleições, reforçou seu alinhamento governista. Já Teixeira preferiu se manter ao lado do requerente.

O episódio expõe, sem maquiagem, a dificuldade que MDB e PL enfrentam para se reorganizar um ano após as urnas de 2024. A oposição existe, mas fragmentada, e, nesse ritmo, tende a mais tropeçar em si mesma do que incomodar o governo.

Hora do adeus

Postado em 4 de setembro de 2025
Foto: Arquivo pessoal

A saída de Adriana Carla “Drica” Soares da Diretoria de Eventos da prefeitura de São João Batista foi oficializada nesta segunda-feira (1º). A justificativa pública foi a da necessidade de dedicação integral à empresa que administra paralelamente. Mas, como quase sempre acontece na política local, o anúncio traz mais camadas do que as palavras permitem à primeira vista.

Na nota divulgada à imprensa, Drica agradeceu pela oportunidade de atuar novamente no poder público e fez questão de reforçar sua contribuição em variadas frentes: gabinete, imprensa e eventos, para o “sucesso” da administração de Juliano Peixer (UNIÃO) e Mateus Galliani (PP).

ALÉM DOS AGRADECIMENTOS

Um tom conciliador, de reconhecimento, mas que logo foi entrecortado por frases que revelam algo além da superfície. “Eu sei o meu valor, prezo sempre pela minha saúde. Ninguém é insubstituível, mas ninguém é descartável. Sucesso também é saber ir embora”.

Nos bastidores, comenta-se que a principal razão da saída seria o atrito com o secretário de Desenvolvimento, Marcos Aurélio, cuja interferência em decisões do departamento teria minado a autonomia da diretora. Em política, pedidos de exoneração raramente são apenas escolhas pessoais e, nesse caso, o contexto reforça a leitura de desgaste interno.

TRAJETÓRIA

Com currículo vasto em comunicação e eventos, Drica não é uma novata no jogo político. Já esteve na linha de frente da gestão de Daniel Netto Cândido (PSD) em São João Batista, passou pela Comunicação do governo de Moacir Montibeler (MDB) em Canelinha e ainda atuou no início da administração de Tiago Dalsasso (MDB) em Nova Trento. Recentemente, participou da campanha do então prefeito e candidato à reeleição Pedro Alfredo “Pedroca” Ramos (MDB), na Capital Catarinense do Calçado.