sexta-feira, 2 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

O fator Augusto Cury

Postado em 1 de setembro de 2026
Foto: Renato Pizzutto/Band

Ainda distante do segundo turno, Augusto Cury (AVANTE) pode se tornar mais importante do que seus números atuais sugerem. A campanha eleitoral no rádio e na televisão começou, e um novo nome ganhou força na última semana para a presidência da República: o dele.

Após sua participação em um debate esvaziado na televisão, Cury conseguiu transformar uma oportunidade aparentemente secundária em projeção nas redes sociais. O resultado foi imediato: crescimento nas pesquisas e a conquista de índices de dois dígitos, ultrapassando candidatos que até então disputavam o espaço da chamada terceira via, como Renan Santos (MISSÃO), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (NOVO).

Médico psiquiatra e escritor de grande sucesso editorial, o candidato do AVANTE surge como uma alternativa para um eleitorado que procura escapar da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Seu crescimento evidencia algo que já vinha sendo percebido, mas que ainda precisava ser personificado.

Há uma parcela relevante da população brasileira que é, ao mesmo tempo, anti-Lula e anti-Bolsonaro.

Os números recentes indicam que Cury tem retirado votos dos dois polos, mas principalmente de Flávio Bolsonaro. Esse movimento acende um sinal de alerta na campanha do PL, que precisa consolidar e fidelizar o eleitorado de direita para evitar dispersão.

É evidente que o candidato do AVANTE ainda está distante de ameaçar, diretamente, a presença de Flávio em um eventual segundo turno. Mas seria um erro tratá-lo como irrelevante. Em uma eleição polarizada, alguns pontos percentuais podem ser decisivos — seja para definir quem vai ao segundo turno, ou para determinar quem chega mais forte a ele.

Se continuar crescendo, Cury poderá se tornar mais importante no segundo turno do que aparenta ser hoje no primeiro. Tanto Lula quanto Flávio terão de calibrar seus ataques, evitando transformar o candidato do AVANTE e seus eleitores em adversários irreconciliáveis.

A política costuma ensinar uma lição simples: eleições têm dois tempos. Primeiro, disputa-se o voto. Depois, busca-se apoio.

Como diz uma velha frase atribuída ao mundo político: “nunca ofenda no almoço alguém de quem você pode precisar no jantar.”

João Santana e o Brasil pragmático

Postado em 25 de junho de 2026
Foto: Compol 2026/Divulgação

O maior evento de comunicação política do Brasil, o Compol 2026, recebeu uma das figuras mais influentes do marketing eleitoral mundial. João Santana, o publicitário responsável pelas campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, subiu ao palco e, em poucos minutos, colocou em xeque boa parte das premissas que orientam as estratégias eleitorais em curso no país.

Apelidado de “O Mago” ou “O Bruxo” — pela capacidade quase mítica de reverter cenários altamente desfavoráveis e eleger candidatos dados como inelegíveis —, Santana não veio relembrar campanhas históricas. Veio com uma tese: o Brasil não é um país polarizado.

Contrariando pesquisadores, jornalistas e lideranças políticas, Santana sustentou que a divisão que se observa no debate público não é ideológica, mas socioeconômica e territorial. Para ele, o eleitorado brasileiro é majoritariamente pragmático e ideologicamente inconsistente — ou seja, a maior parte dos eleitores não compreende as diferenças reais entre esquerda e direita e, na prática, defende pautas dos dois campos simultaneamente. A polarização, afirmou, existe, mas ocorre nas elites sociais e nos meios de comunicação, não nas ruas.

A provocação de Santana tem implicação direta no ciclo eleitoral de 2026: se a maioria das estratégias está sendo construída sobre a premissa de um eleitorado polarizado, elas podem estar mirando o alvo errado.

A plateia deixou o evento encantada — e confusa. Talvez seja essa a verdadeira feitiçaria de João Santana: não entregar respostas, mas plantar dúvidas em quem chegou com certezas demais. Quem passou os últimos meses construindo estratégia eleitoral sobre a premissa da polarização saiu do Compol 2026 com uma pedra no sapato. E a sensação incômoda de que pode ter errado o diagnóstico antes mesmo de começar a campanha.

Aqui em Santa Catarina, o recado ressoa com urgência. No estado mais bolsonarista do país, há pré-candidatos que fazem pré-campanha sem conseguir decolar. Para alguns, estratégia já não basta — vão precisar de magia. E o primeiro passo pode ser ligar para João Santana.

Com quem andas

Postado em 23 de fevereiro de 2026
Foto: CMT/Divulgação

As relações da vereadora Maria Edésia da Silva Vagas (PP) – que assume a Secretaria Municipal de Assistência Social de Tijucas em março – com figuras basais do PT em Santa Catarina foram postas na mesa por representantes locais do PL em tom de reprovação. Os vereadores Esaú Bayer (PL) e Renato Laurindo Júnior (PL) recorreram às redes sociais para manifestar o desagrado com o gesto do prefeito Maickon Campos Sgrott (PL).

Laurindo Júnior, inclusive, lembrou, no protesto, que pediu publicamente ao chefe do Executivo municipal que “respeitasse as diretrizes do PL”.

Déda, a propósito, foi eleita em 2016 para a Câmara Municipal filiada ao PT, que, na ocasião, compunha a aliança governista com o então vice-prefeito Adalto Gomes (PT). Cunhada do advogado e ex-vice-prefeito Roberto Carlos Vailati, expoente do movimento de esquerda no município, ela carrega, ainda, as marcas do passado. E nunca omitiu. Não raro, aparece ombreada com o casal Décio Lima e Ana Paula Lima, bastiões do petismo no estado, em publicações sociais.

Campos Sgrott, por sua vez, preferiu dar tempo ao tempo. Evitou a polêmica forjada na polarização nacional e cruzou os braços diante das críticas dos recém-amealhados correligionários. Fez como seu tutor, o governador Jorginho Mello (PL), que, nos tempos de deputado federal, para manter a paz e o equilíbrio – principalmente o emocional –, e atingir o fim esperado, deu-se bem com todos, principalmente com a líder da ocasião, presidente Dilma Rousseff (PT). Pois então…

Carnaval e civismo: o erro do palanque

Postado em 20 de fevereiro de 2026
Foto: Riotur.Rio

Em Biografia do Abismo, o cientista político Felipe Nunes descreve como o Brasil atravessa um processo de extrapolação da polarização política. Ele o define como “calcificação política”: condição em que a divisão ideológica transborda as urnas, instala-se nas mais diversas esferas da sociedade e passa a gerar rupturas sociais profundas.

Os sinais estão por toda parte. A política já contaminou símbolos nacionais, marcas de consumo e até manifestações culturais. O desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reacendeu o debate sobre os limites entre expressão artística e palanque político.

Levar a idolatria a figuras políticas para o Carnaval é um erro. Independentemente de eventual tipificação eleitoral, o culto à personalidade é sintoma de uma sociedade que ainda carece de maturidade política. Trata-se da crença perigosa em figuras messiânicas, capazes de solucionar problemas complexos sob uma aura de sacralidade, ignorando as imperfeições inerentes à condição humana.

Populismo e egocentrismo são traços transversais à esquerda e à direita brasileiras. Seus líderes contemporâneos apreciam ser reverenciados como figuras acima de qualquer imperfeição terrena, não como mandatários temporários, mas como líderes infalíveis.

O roteiro não é inédito. Em 2022, durante as celebrações do bicentenário da Independência, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) utilizou o 7 de Setembro como plataforma política. Posteriormente, foi declarado inelegível pelo TSE por abuso de poder político. O precedente jurídico reforça que símbolos nacionais e eventos públicos não podem ser instrumentalizados eleitoralmente.

O ponto central não é Lula ou Bolsonaro. O Brasil não precisa de um salvador da pátria. Precisa de projeto. Precisa de planejamento de Estado, estabilidade institucional e maturidade democrática.

É imperativo evitar que a calcificação política atue como catalisadora de uma ruptura social irreversível. O Carnaval carioca ofereceu uma resposta técnica e simbólica ao mundo político: ao rebaixar a Acadêmicos de Niterói para o grupo de acesso, sinalizou que a folia — espaço
de crítica e liberdade — não deve ser confundida com palanque de adoração.

Vermelho da sorte

Postado em 30 de agosto de 2024
Foto: Arquivo Pessoal

Em tempos de extrema polarização ideológica no Brasil, o prefeito e candidato à reeleição, Joel Orlando Lucinda (MDB), de Porto Belo, deixou a condição de lado e relembrou uma tradição: o uso da mesma camisa vermelha nos materiais de campanha.

Antes mesmo da cor ser atribuída ao PT e aos movimentos de esquerda, Lucinda já utilizava vestimentas vermelhas. O mandatário explica que a cada novo pleito buscava a “boa e velha camisa da sorte” para trazer boas energias ao processo.

“Em todas as minhas eleições como vereador, fiz as fotos do santinho e da urna com a mesma camisa vermelha. Era a minha camisa da sorte. Com o passar dos anos, as pessoas me perguntavam se eu iria usá-la novamente. Em 2022 e neste ano, precisei mudar. Mas continuo fazendo a foto”, revelou.

REGISTRA-SE: Antes de disputar a prefeitura nas eleições suplementares, Lucinda concorreu sete vezes ao Legislativo e conquistou uma das cadeiras da Câmara de Vereadores de Porto Belo em todas as oportunidades, entre 1996 e 2020.

Reunidos

Postado em 30 de agosto de 2023
Foto: Arquivo Pessoal

O frio e a chuva das últimas horas em Tijucas não atrapalharam os planos do ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB), de reunir lideranças emedebistas em um encontro com militantes e simpatizantes de outras legendas.

Os periquitos mais tradicionais que ano após ano participam das decisões do grupo estiveram presentes. Destaque para os vereadores Fernando Fagundes e Esaú Bayer, e para o ex-prefeito Valério Tomazi.

Entre os convidados, ainda estavam representantes do PDT, do PT e do PV – partidos que já compuseram aliança com o MDB em projetos passados. A presença do segundo colocado nas eleições de 2020 e pré-candidato a prefeito Thiago Peixoto dos Anjos (PDT) chamou atenção.

Ao Blog, Mannrich, presidente do MDB tijuquense, revelou que vem trabalhando para manter a união da militância e para reafirmar possíveis conjunturas. Para isso, segundo ele, os embates ideológicos que vêm polarizando a política nacional precisam ser deixados de lado. “Sempre prego que deixo livre a questão federal e estadual. Foco na questão municipal”, diz.