quarta-feira, 25 de março de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Nem mesmo os mais otimistas acreditavam que o prefeito Valério Tomazi (PMDB) pudesse vencer a pré-convenção do partido, em 26 de abril. O favorito, ex-prefeito Elmis Mannrich (PMDB), tinha o diretório nas mãos e contava com amplo prestígio na cúpula peemedebista, além de manter precisas relações na estrutura pública do município. A distância entre o vitorioso e o derrotado especialmente no quesito aptidão política ficou comprovada na abertura da urna. Das 54 indicações possíveis, o presidente do PMDB de Tijucas assegurou 34; e as outras 20 foram direcionadas ao atual chefe do Executivo municipal.

Os dois concorrentes adotaram estratégias peculiares nas abordagens aos convencionais. Mannrich se sustentou no carisma, na proximidade com os partidários, e pautou o discurso nas pesquisas de opinião pública a respeito da administração municipal vigente que, de acordo com os institutos contratados, trazia índices de reprovação aterradores. O prefeito, no entanto, em desvantagem, tentou marcar o território com advertências intimidadoras aos comissionados que participavam da executiva peemedebista. Nas reuniões do alto escalão do município, Tomazi era claro quanto às consequências que uma derrota na pré-convenção provocaria. Palavras como “exoneração”, “demissão” e “dispensa” passaram a ser repetidas sistematicamente nos corredores do paço, sempre acompanhadas de outras como “vingança” e “retaliação”.

Na véspera do pleito interno do PMDB, o chefe do Executivo municipal revisitou praticamente todos os membros do diretório. De um a um exceto daqueles que não dependiam do governo e haviam manifestado abertamente preferência por Mannrich , ele recebeu promessas de voto na pré-convenção. Se pelo menos a maioria mantivesse a palavra, a sequência do projeto de reeleição estava assegurada. No entanto, depois da abertura da urna, a confiança de outrora transformou-se em frustração e mágoa. Tomazi não perdeu apenas uma disputa partidária. Perdeu amigos, e sentiu no âmago o indecoroso pesar da traição. A temporada de caça às bruxas, contudo, estava oficialmente aberta.

Findadas as férias do prefeito que serviram fundamentalmente para articular a desejada vitória na pré-convenção , em 5 de maio, ele voltou ao trabalho. Durante o expediente, o clima era de apreensão. Tomazi não saiu do gabinete naquele dia. Às 17h, porém, os protestos incontidos da secretária de Finanças do município, Rosângela de Fátima Leal da Veiga, pelos corredores da prefeitura anunciavam que as ameaças estavam sendo cumpridas. Além dela, mais seis comissionados da estrutura municipal perderam o emprego naquela primeira chamada. Outras quatro cartas de exoneração foram entregues nos dias seguintes; e dezenas de nomes ainda permaneciam numa lista pessoal do mandatário tijuquense. Embora qualquer poste de Tijucas tivesse certeza que as demissões foram motivadas pelos desgastes da pré-convenção, o chefe do Executivo municipal tratava o assunto, nas entrevistas e incursões públicas, como atenção a um plano de contenção de despesas do município.

A prefeitura operava normalmente, mas com portas fechadas para Mannrich. O candidato a prefeito do PMDB era persona non grata nas seções da administração municipal desde o embate interno do partido. Tomazi, nos encontros seguintes com o funcionalismo em comissão, fazia novas advertências. “Se eu souber que alguém deu um prego, vai ter que pedir emprego lá no Imetro (autarquia estadual que o ex-prefeito presidia na época)” era uma delas. Não se pode dizer, no entanto, que o aviso servisse para os eleitores de ambos os postulantes ao cargo máximo do município. O professor Elói Mariano Rocha (PSD) era oficializado como candidato da oposição na concorrência majoritária e recebia, inclusive, a bênção do mandatário tijuquense. O prefeito chegou a apresentar o oposicionista, de gabinete em gabinete, no paço municipal, como representante do governo de Tijucas na corrida eleitoral de 2016.

As demissões de peemedebistas cessaram, mas alguns aliados da oposição passaram a receber espaço na administração municipal e, evidentemente, atuaram em favor de Mariano Rocha, ou pelo menos impediram que a máquina pública fosse usada em benefício de Mannrich. A guerra declarada entre o prefeito e seu antecessor trouxe consequências violentas ao PMDB e seu projeto de manutenção do poder. O candidato do partido remava exaustivamente contra uma corrente chamada “mudança”, e não suportou quando o principal tripulante decidiu abandonar o barco.

Sete: O aviso das urnas

Postado em 18 de outubro de 2016

Após curta e tumultuada campanha, resquício de uma pré-convenção desgastante que deixou profundas cicatrizes no PMDB de Tijucas, o engenheiro Valério Tomazi (PMDB) elegeu-se prefeito em 2012. Além da valiosa continuidade, os periquitos ainda receberam outro presente das urnas: a advertência subliminar de que a ideia da “mudança” já permeava os sentidos dos tijuquenses. A magra diferença de votos entre vitoriosos e vencidos era um recado que pedia uma análise detalhada.

Talvez o próprio candidato situacionista tenha percebido que essa transformação seria necessária e salutar. Tanto que tempos antes da votação e, principalmente depois dela, lançou o compromisso público de optar por “perfis técnicos” na condução das pastas da administração municipal. A população comprou a proposta; e aplaudiu. Na prática, porém, a história foi outra. Em 28 de dezembro de 2012, ainda na transição de governo, Tomazi convocou uma coletiva de imprensa para apresentar o novo (?) colegiado. Apenas seis nomes anunciados para as 16 repartições da estrutura municipal não participavam efetivamente do primeiro e segundo escalões da gestão que terminava naquele ano. Antônio Cantalício Serpa, Cláudio Thiago Izidoro, José Teotônio “Zé Pequeno” da Silva FilhoOscar Luiz Lopes, Sivonei Simas e Wilson Bernardo de Souza foram as novidades.

Faça-se um adendo na nomeação de Zé Pequeno como secretário de Obras, Transportes e Serviços Públicos. Ele apenas assumiu oficialmente, em 1º de janeiro de 2013, mas não permaneceu no cargo por problemas de saúde. Gestora da pasta na administração anterior, Eliane Tomaz voltou a ocupar o posto. Portanto, 11 nomes do colegiado de Elmis Mannrich (PMDB) se realocavam no então novo governo.

Tomazi, que pregou “mudança” e deu esperanças àqueles que ansiavam por outros rostos e procedimentos na condução das demandas do município, deixou claras impressões de que sua autonomia era limitada. Cumulativamente, o próprio PMDB começava a zerar o saldo com o eleitorado tijuquense e trocava o recado das eleições por mais quatro anos de endosso ao seu quadro íntimo.

Em 2 de outubro deste ano, as urnas disseram novamente que gostariam de ver caras novas, condutas e horizontes diferentes no trato do patrimônio público. E foi épico. Os rumos alternativos poderiam começar em casa; se a mensagem do processo eleitoral de 2012 não fosse ufanamente desconsiderada, por imperícia ou impotência. A oposição parece ter assimilado melhor o aviso, e lançou o slogan “mudar faz bem” durante a campanha. Era tudo o que os tijuquenses queriam. Havia quatro anos.

Mudou

Postado em 3 de outubro de 2016

Tijucas comprou o conceito de que “mudar faz bem” e realmente guinou. Num dos mais acachapantes triunfos da história das eleições municipais, o professor Elói Mariano Rocha (PSD) e o policial rodoviário federal aposentado Adalto Gomes (PT) desbancaram o ex-prefeito Elmis Mannrich (PMDB) e o vereador Edson Souza (PMDB) no pleito majoritário e conquistaram, clara e expressivamente, o direito de governar o município pelos próximos quatro anos.

Os colas-brancas, que votaram 25 e duas vezes 13 nas últimas três eleições dominadas pelos periquitos, encontraram aconchego no 55 número que recebeu a segunda maior audiência de todos os tempos nas concorrências eleitorais da Capital do Vale. A excessiva diferença no placar (2.982 votos) não deixa dúvidas: a esperança por novos acertos suplantou os recorrentes erros da situação, tanto nas últimas gestões quanto na recente campanha do PMDB.

Troca-troca

Postado em 31 de agosto de 2016

O comando da Saúde de Tijucas passa por nova mudança nos próximos momentos. É a quarta vez em 44 meses do governo Valério Tomazi (PMDB). A pasta, administrada inicialmente por Rosicler Furtado, também esteve sob ordens do vereador Luiz Rogério da Silva (PSD) e da psicóloga Adriana Porto Faria antes de ser gerida pelo atual secretário, o dentista Roberto José Souza Zytkuewisz.

Aos mais próximos, Beto conta que está deixando o cargo para poder participar mais ativamente do processo político-eleitoral na cidade. O prefeito, por sua vez, estaria justificando a mudança com as seguidas reclamações de desinteresse e inatividade na gestão do departamento. A ex-secretária Rosicler Furtado deve reassumir o posto a partir de amanhã.

Fiel da balança

Postado em 23 de junho de 2016

“O que estás fazendo não é papel de homem!”, ralhou o suplente de vereador Edenilson Devitte (PPS), um dos apoiadores de Elson Junckes (PSDB) na eleição interna do L.I.M.P.E., na presença dos demais membros do grupo, depois do voto de Renato Sartori (PEN) em Adalto Gomes (PT), na assembleia de anteontem.

Sartori havia garantido apoio a Junckes num pré-acordo dos partidos menores integrados à coalizão. Na hora, porém, declarou preferência pelo petista e oxigenou as chances de reviravolta no processo – o que acabou se confirmando. Surpresa geral e, a partir daí, manifestações adversas bastante incisivas.

O incógnito Renato Sartori jamais teve papel tão preponderante na política de Tijucas. Com o voto em Adalto Gomes, anteontem, na eleição interna do L.I.M.P.E., mudando drasticamente o curso dos acontecimentos, ele pode ter deixado uma profunda marca na história das eleições no município.

Candidato a deputado estadual em 2014 com 673 votos, e a vereador em 2008 com 143, certamente não seria nas urnas, em princípio, que ele alcançaria, tão cedo, tamanha importância no cenário político local.

Fora de combate

Postado em 3 de junho de 2016

O nome do engenheiro Sérgio Fernandes Cardoso ainda está na porta do gabinete da Diretoria de Administração e Finanças do Sebrae/SC. E nenhuma referência à sua ansiada – pela militância cola branca – exoneração do cargo consta no Diário Oficial de hoje. O prazo de desincompatibilização está esgotado e, portanto, Coisa Querida não é, definitivamente, um dos concorrentes à prefeitura de Tijucas nestas eleições.

Ao blog, Cardoso diz, com exclusividade, que pesou os prós e contras da possível candidatura e decidiu, em conformidade com a família e amigos mais próximos, adiar novamente o sonho de governar o município.

A saúde também esteve em voga nesse juízo. Ainda em 2015, ele precisou recorrer a variados procedimentos médicos para conter problemas no coração. Neste momento, a propósito, convalesce de uma recente cirurgia no quadril.

Diz que está extremamente chateado e triste. Porque tinha a certeza de que, caso eleito, transformaria Tijucas num lugar melhor; e reitera que participará intensamente do processo eleitoral, para que a Capital do Vale conheça, de fato, a representação da mudança.

Favoritismo

Postado em 27 de maio de 2016

Único candidato a prefeito em Tijucas de fato, Elmis Mannich (PMDB) está rindo à toa. Aparece com mais de 39% das intenções de voto na pesquisa do L.I.M.P.E., e volta à cena eleitoral do município como favorito.

A oposição não consegue se organizar; e Mannrich, que está em campanha plena há tempos, usa a perniciosa e maçante indefinição dos adversários para captar seguidores. Os números refletem essa realidade.

Mas nem tudo são flores para o presidente do PMDB municipal. A mesma pesquisa diz, também, que cerca de 80% do eleitorado tijuquense quer mudança no governo municipal. Falta, portanto, apontar quem representa a esperada novidade.

Revoada

Postado em 16 de março de 2016

Pelo menos sete dos atuais 13 vereadores de Tijucas devem iniciar a próxima semana nas fileiras do PSD. José Roberto Giacomossi, o Betinho, único eleito pelo partido em 2012, está muito próximo de receber a companhia de Eder Muraro (DEM), Elizabete Mianes da Silva, a Bete (PMDB), José Leal da Silva Júnior, o Lealzinho (DEM), Luiz Rogério da Silva, o Rogerinho (PMDB), Sérgio Murilo Cordeiro, o Serginho (PMDB), e Vilson José Porcíncula, o Tem (PP).

A superintendência peessedista acredita, entretanto, que o número pode aumentar nos próximos momentos. Passarinho transparente conta que o secretário de Indústria, Comércio e Turismo do município, vereador licenciado Jean Carlos de Sieno dos Santos, o Jean do Nico (PSC) – que deve voltar à Câmara em breve para concorrer à reeleição – também seria um alvo.

De saída

Postado em 14 de março de 2016

Talvez os dois únicos representantes do DEM na política de Tijucas, vereadores Eder Muraro e José Leal da Silva Júnior, nem sintam a mudança de comando e, provavelmente, de rumos do partido – noticiada pelo pelo blog sob o título “Manobra“.

Ambos estão de malas prontas para o PSD, e devem oficializar a migração ainda nesta semana.