sexta-feira, 9 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Os riscos do supercongresso

Postado em 7 de outubro de 2026
Montagem com fotos de Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado

O avanço expressivo do PL e aliados redefine o presidencialismo brasileiro e impõe dilemas de alto risco a quem vencer a disputa presidencial.

 

O encerramento do primeiro turno projeta uma nova dinâmica política para o futuro do país, independentemente de quem vença a eleição presidencial.

Desde que o cientista político Sérgio Abranches cunhou o termo “Presidencialismo de Coalizão” — para explicar a coexistência entre um Executivo forte e um Congresso hiperfragmentado —, jamais uma única força política concentrou tanto poder no parlamento. A expressiva vitória do PL, com 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e 19 no Senado, somada às bancadas de legendas aliadas, dá à direita plenas condições de ditar a agenda nacional.

Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contrarie a tradição histórica de confirmação da vitória de quem lidera o primeiro turno, enfrentará um terreno legislativo árido. Qualquer iniciativa que dependa do Congresso — de reformas econômicas a sabatinas para tribunais superiores e agências reguladoras — encontrará barreiras severas, empurrando um eventual “Lula 4” para a defensiva e para um mandato ainda mais desgastante do que foi o terceiro.

Por outro lado, se Flávio Bolsonaro (PL) confirmar o favoritismo, ele deve assumir o planalto com caminho aberto e oposição enfraquecida. Respaldado por maiorias sólidas nas duas Casas, terá margem inédita para aprovar suas pautas. Em contrapartida, perderá o álibi da sabotagem parlamentar. Diante do controle quase absoluto do Legislativo, qualquer tropeço político ou econômico recairá integralmente sobre o próprio governo.

Assim, o segundo turno se resume a dois caminhos de alto risco: para a esquerda, a ameaça concreta da paralisia decisória diante de um parlamento hostil; para a direita, o peso inédito de governar sem o conforto de poder culpar terceiros pelos próprios erros. Vencer nas urnas será a parte fácil. A conta de governar um país com um Congresso hegemônico, essa sim, começará a ser cobrada já no primeiro dia de mandato.

Mãos dadas

Postado em 7 de outubro de 2026
Foto: Reprodução

Tijucas superou a média quando a aprovação do governador Jorginho Mello (PL) foi submetida ao teste das urnas. Se a reeleição do chefe do Executivo estadual foi confirmada com expressivos 68,98% entre os catarinenses, na Capital do Vale o índice foi muito maior: 78,05% favoráveis.

O feito foi celebrado conjuntamente pelas duas principais lideranças do PL local: o prefeito Maickon Campos Sgrott e o presidente municipal do partido, Fernando Fagundes – que, a propósito, em 2024 estiveram em trincheiras opostas na disputa da prefeitura.

Em meio à comemoração, eles aproveitaram o ensejo para comunicar que o comitê de campanha do PL segue ativo em Tijucas até o dia 25 e que o objetivo, agora, passa a ser a eleição de Flávio Bolsonaro à presidência da República. Em tempo: os números do presidenciável no município também foram melhores que a média estadual: 70,71% para 66,65%.

Educação política

Postado em 21 de setembro de 2026
Fotos: Reprodução

Há coisas nesse Brasil polarizado que não coadunam. E no momento atual, PL e PT são as principais. Por esse dissono, o prefeito Maickon Campos Sgrott (PL), de Tijucas, tem sido provocado a tomar uma atitude que, sobretudo para os correligionários, entra na conta da razoabilidade.

Especialmente vereadores do PL vêm cobrando sistematicamente uma posição do mandatário tijuquense sobre a atividade política da secretária municipal de Educação, Sheila Dias. Os pedidos se intensificaram recentemente, quando, durante ato de apoio ao deputado federal e candidato à reeleição Pedro Uczai (PT-SC), ela orlou a bandeira de Tijucas na do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Uma foto do ensejo, inclusive, passou a circular, acompanhada de pareceres revoltosos, no grupo de dirigentes municipais do partido.

Os indicativos de que Campos Sgrott cederia, entretanto, ainda são superficiais. Mas consultas a possíveis substitutos para o comando da pasta teriam sido realizadas. As mais insistentes, segundo fontes precisas do Blog, foram para o vereador Cláudio Eduardo de Souza (MDB) – que, embora declarado na oposição, tem bom trânsito no governo e formação técnica para o cargo.

O assunto, desde então, tem sido destaque nos corredores do poder, tanto na prefeitura quanto na Câmara Municipal. Consultado, Souza confirmou as investidas. “Houveram, sim, conversas. Mas sempre respondi que apenas depois das eleições (gerais) estaria disposto a considerar”, revelou.

Retiro implacável

Postado em 11 de setembro de 2026
Foto: Reprodução

A representação do PL em Canelinha sofreu uma baixa incomensurável. O presidente do núcleo Jovem do partido no município, Luiz Fernando Berão, comunicou nas redes sociais que estava renunciando ao posto e, consequentemente, deixando a militância liberal.

Ao Blog, ele revelou um desentendimento com a regência estadual do PL Jovem por “falta de humanidade e desrespeito à liberdade de expressão”, antes de acusar correligionários de desacato à cartilha de Jair Bolsonaro e Enéas “Ferreira”.

A decisão, segundo Berão, atinge em cheio os planos do PL para as concorrências futuras no município. “Eu fortalecia o partido”, diz, com segurança, o suplente de vereador – candidato ao parlamento canelinhense nas eleições de 2024, quando somou 11 votos.

Ouça, a seguir, a declaração do agora ex-presidente do PL Jovem de Canelinha:

…

PERDAS E DANOS

O prefeito e presidente da comissão do PL no município, Diogo Francisco Alves Maciel, ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Especula-se, dada a probabilidade de consequências extremas para a política local, que a liderança do partido deva convocar uma reunião de contingenciamento nos próximos momentos. Pois então…

Cem por cento

Postado em 10 de setembro de 2026
Foto: Divulgação

O governador e candidato à reeleição Jorginho Mello (PL) gabaritou na região. Todos os oito prefeitos no Vale do Rio Tijucas e Costa Esmeralda – mesmo aqueles que, por direcionamento partidário, deveriam frequentar o palanque de João Rodrigues (PSD) – têm prestado apoio ao projeto de continuidade da gestão estadual nestas eleições.

As manifestações naturais, obviamente, vêm daqueles com filiação no PL. Maickon Campos Sgrott, Maxiliano de Oliveira e Carlos Alexandre “Xepa” de Souza Ribeiro, de Tijucas, Nova Trento e Itapema, respectivamente, apenas seguiram o protocolo. Os três, inclusive, adotaram nas redes sociais o selo “Sou prefeito e estou fechado com Jorginho Mello”.

Diogo Francisco Alves Maciel (PL), de Canelinha, ainda não aderiu à trend. Mas nem precisa. Porque sempre atuou, pública e notoriamente, como um elo de respaldo eleitoral do governador e do partido na região.

Único representante do MDB nesse coletivo, Joel Orlando Lucinda, de Porto Belo, esquivou-se do compromisso com a legenda ou com seu presidente, Carlos Chiodini, candidato a vice-governador em chapa com Rodrigues. “No dia 4 de outubro, vote 22: Jorginho Mello para governador”, publicou, em vídeo, sem qualquer resquício de culpa.

Rodrigo dos Santos (PP), de Major Gercino, tem sido menos efusivo, mas nunca deixou de declarar preferência pela manutenção de Jorginho no comando do Executivo catarinense. E esteve, a propósito, domingo (6), no Flores de Sal – Bairro Cidade, em Tijucas, com o 22 no peito, para recepcionar o governador.

Os mais discretos são Juliano Peixer (UNIÃO), de São João Batista, e Alexandre da Silva (PSD), de Bombinhas, mas que já manifestaram, inclusive publicamente, apoio ao plano de continuidade no governo estadual. O principal entrave para ambos, e que limitaria uma clara exposição, seria a desconjuntura política com as regências do PL nas esferas locais.

De corpo e alma

Postado em 3 de setembro de 2026
Foto: Divulgação

Não se pode negar: o diretor de Trânsito do município de Tijucas, Sidney Machado, ocasionalmente desdenhado na seara eleitoral, tem linha, convicções e uma entrega exemplar ao movimento político que o representa. Onde houver sinal da direita na região, tem, mesmo que na plateia, participação dele. Principalmente se o bolsonarismo for a pauta.

Mais recentemente, Ney tem se dedicado a acompanhar o candidato a senador Carlos Bolsonaro (PL) em roteiros próximos. Ontem, foi em Balneário Camboriú e hoje ele segue, no rastro do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, para Itajaí. E vem tentando, ainda, nesse ínterim de cortejo, promover uma agenda com Zero Dois na sua Tijucas entre os ensejos da campanha.

Nunca à toa, inclusive, o gerente da Ditran afirmava veementemente, quando insistia em ser o candidato do PL na disputa da prefeitura, em 2024 – embora desconsiderado nas pesquisas e na cúpula do partido –, que era “o único realmente de direita” naquele processo. E quem pode dizer o contrário?

Guerra local

Postado em 25 de agosto de 2026
Isabela e José Henrique com Júlia Zanatta e o marido Guilherme Colombo | Foto: Reprodução

A ex-vereadora Isabela Camile da Silva dos Santos (PL), candidata a prefeita de Bombinhas em 2024, uniu o útil ao agradável – para ela – e tomou as dores da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) na contenda com a deputada estadual Ana Paula da Silva (PODE). “A principal melancia de Bombinhas foi exposta”, escreveu, como legenda da postagem que fez nas redes sociais para dizer que “Paulinha sempre foi de esquerda”.

Registre-se, a propósito, que Isabela e o marido, José Henrique Francisco dos Santos, presidente do PL bombinense, apoiam a reeleição de Júlia para a Câmara Federal e concorrem localmente com a conterrânea – também candidata a deputada federal nestas eleições. E mais: olham com desejo para o próximo pleito do município.

Embora a ex-prefeita esteja voltada exclusivamente para a campanha estadual, o desempenho dos adversários locais poderia servir de termômetro para as eleições municipais de 2028, quando Isabela seria, mais uma vez, opção para a disputa majoritária. Desde que Paulinha ganhou a prefeitura, em 2012, impôs uma hegemonia em Bombinhas que desencadeou, no pleito passado, na eleição do pupilo Alexandre da Silva (PSD), e que já dura 14 anos.

Portanto, na exuberante Capital do Mergulho Ecológico, os contrapontos ideológicos, ao que tudo indica, sugerem mais que a polarizada disputa entre direita e esquerda.


Saiba mais:

Troca de farpas

Troca de farpas

Postado em 24 de agosto de 2026
Foto: Reprodução/Divulgação

A deputada estadual Ana Paula da Silva (PODE) rebateu, em vídeo, uma manifestação da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) envolvendo o material de campanha da ex-prefeita de Bombinhas, candidata à Câmara Federal nestas eleições.

A discussão se deu porque Júlia questionou a ausência, no santinho de Paulinha, dos nomes de Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência da República e de Caroline De Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) para o Senado. Ela criticou a aliança estadual entre PL e PODEMOS, e classificou o caso como sendo de oportunismo dos podemistas.

Na resposta, a bombinense foi direta ao defender a autonomia das escolhas do PODEMOS em Santa Catarina. “Dos partidos de vocês, cuidem vocês. Do nosso, cuidamos nós!”, declarou.

De acordo com Paulinha, embora exista o interesse em fortalecer as coligações e trabalhar pela eleição dos candidatos aliados, a estratégia eleitoral não precisa necessariamente ser uma imposição. “O mais importante é mostrar resultados, apresentar trabalho e conquistar a confiança das pessoas”, acrescentou.

Trato feito

Postado em 8 de agosto de 2026
Foto: Divulgação

O encontro, ontem, na sede social do Jardim Portobello, era entre o União Brasil de Tijucas e seus candidatos a deputado estadual e federal, Sérgio Guimarães e Fabio Schiochet. Mas, no pano de fundo, com participação ativa do prefeito Maickon Campos Sgrott (PL), o anúncio do alinhamento dos unionistas ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) mereceu destaque.

Embora o UNIÃO esteja atrelado à campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo de Santa Catarina, a regência tijuquense decidiu tomar outro caminho. E para justificar a autonomia dos correligionários locais, Schiochet, presidente estadual do partido, citou a “democracia” como ponto de compreensão.

Nos ensejos do movimento, entretanto, houve, antes de tudo, um acordo entre Campos Sgrott e a liderança do UNIÃO, com intermediação decisiva do vereador Maurício Poli, voz de comando da legenda na Capital do Vale. Na esfera municipal, os unionistas compõem a base governista. A construção foi, portanto, natural.

Na contrapartida, a prefeitura deve ter portas abertas para Guimarães e Schiochet nestas eleições. Setores da estrutura municipal dedicados ao UNIÃO, como as secretarias de Obras e Cultura, por exemplo, devem oferecer suporte aos candidatos do partido no pleito que se aproxima.

Para inglês ver

Postado em 5 de agosto de 2026
Foto: Reprodução

De acordo com gente próxima do vice-prefeito Rudnei de Amorim (PSD), de Tijucas, a participação ativa na convenção estadual do PL, sábado (1º), seria apenas um “sarro”.

O adjunto tijuquense, inclusive, viria criticado internamente a ordem do prefeito Maickon Campos Sgrott (PL), de que todas as secretarias da estrutura municipal devam prestar apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL).

“Rudnei votar no Jorginho? Nunca!”, garante o informante, que afirma ter frequentado as mesmas reuniões que o vice-prefeito e ouvido, seguidas vezes, o protesto.

Especula-se, conforme registrado na nota “Partidos à parte”, de segunda-feira (3) no Blog, que a presença de Amorim o evento tenha sido guiada especialmente pela estreita relação com a deputada estadual Ana Paula da Silva (PODE), de Bombinhas, candidata à Câmara Federal na base governista.