terça-feira, 21 de abril de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

Do PL ao PSD

Postado em 20 de abril de 2026
Thiago Peixoto dos Anjos, Marlene Fengler, Júlio Garcia e Claudemir Correia, na Alesc | Foto: Divulgação

O empresário Thiago Peixoto dos Anjos, candidato a prefeito de Tijucas em 2020 e 2024, esteve com o presidente da Assembleia Legislativa e liderança exponencial do PSD em Santa Catarina, deputado estadual Júlio Garcia, semana passada, e aguçou a curiosidade da claque política local. Nas rodas de especulação, as conversas davam conta do possível ingresso do ex-PL nas fileiras pessedistas e consequente assunção do comando do partido no município, atualmente sob a batuta do ex-prefeito Eloi Mariano Rocha.

As conjeturas, no entanto, foram prontamente negadas por Peixoto dos Anjos. Ao Blog, ele declarou o voto em João Rodrigues (PSD) para a disputa do governo estadual, mas rechaçou qualquer movimento de bastidores em torno da legenda. “Como saí do PL, naturalmente tenho sido convidado por outros partidos. Mas não devo tomar nenhuma decisão nos próximos meses”, finalizou.

DESAGRADO

A apuração do Blog, a propósito, denota o descontentamento de Garcia com a postura de Mariano Rocha. O ex-prefeito e seu principal representante na gestão local, vice-prefeito Rudnei de Amorim (PSD), têm manifestado apoio ao projeto da deputada estadual Ana Paula da Silva (PODEMOS) para a Câmara Federal, o que teria provocado divergências – e cobranças – entre a cúpula pessedista no estado e a regência do partido no município.

De acordo com gente próxima do presidente da Alesc e pré-candidato a deputado federal, a linha de sucessão, entretanto, caso houvesse uma intervenção, seria respeitada e o comando do PSD tijuquense oferecido ao ex-vice-prefeito Sérgio “Coisa Querida” Cardoso.

O novo mapa da Alesc após a janela

Postado em 15 de abril de 2026
Foto: Agência AL/Divulgação

O cenário político de Santa Catarina, depois do fechamento da janela partidária, mostra um governo com uma rede de apoio muito ampla na Assembleia Legislativa. O governador Jorginho Mello (PL) conseguiu não apenas ampliar a base, como também organizar alianças de maneira bem pragmática, o que deve facilitar a aprovação de pautas e reduzir o espaço para oposição.

O PL se consolidou como o principal partido nesse arranjo, com 14 deputados, e funciona no Legislativo como o núcleo de sustentação do governo. Além disso, partidos como REPUBLICANOS e NOVO também participam da base e ajudam a dar mais consistência política e ideológica ao projeto de reeleição de Jorginho.

Um ponto interessante é a posição do MDB, que conseguiu manter suas seis cadeiras na Alesc, e que apesar do discurso de independência, depois de ser “chutado” pelo governador, na prática tem mostrado proximidade ao governo em muitas votações. Lideranças como Antídio Lunelli, Jerry Comper e Fernando Krelling frequentemente adotam posições alinhadas ao Executivo, o que acaba ampliando a maioria governista.

Com isso, o PSD e os partidos de esquerda acabam ficando isolados na Assembleia. Mesmo mantendo suas bancadas, têm pouca capacidade de barrar projetos. Ao mesmo tempo, legendas menores, como PODEMOS e PRD, perderam espaço, o que também contribuiu para um cenário mais favorável ao governo.

No geral, Jorginho entra na fase final do mandato com um parlamento bastante alinhado ao Executivo. O principal desafio daqui para frente pode não ser lidar com a oposição, mas sim administrar uma base tão grande e diversa. Com muitos aliados disputando espaço, existe o risco de conflitos internos, especialmente na definição das candidaturas para as eleições que se aproximam.

Amigo do inimigo

Postado em 1 de abril de 2026
Foto: Arquivo/Divulgação

A chamada Turma do Ferro Velho – como ficou conhecida uma das alas do PL de Tijucas, com liderança do vereador José Vicente “Zezinho” de Souza e Silva e seu irmão, o empresário Osnildo “Dinho” de Souza e Silva – vem administrando uma frustração. A filiação do deputado estadual Nilso Berlanda, a quem sempre defenderam, ao PSD, encorpando a campanha de João Rodrigues, foi engolida a seco no grupo.

Presidente do REPUBLICANOS e braço do PL no município, o empresário Alberto Carlos “Tito” Dolorini, voz de comando do núcleo, diz, desconcertado, com exclusividade ao Blog, que o movimento de Berlanda foi uma “infelicidade”, mas garante que o compromisso com o curitibanense segue inabalado. “Como deputado, para nós, ele foi nota mil. Muitas das emendas que conseguimos para o município vieram dele. Trabalharemos por ele”, sustenta.

As outras frentes da Turma do Ferro Velho são, obviamente, os projetos de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e do deputado federal Jorge Goetten (REPUBLICANOS-SC), e a chapa liberal ao Senado, com Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni.

Reaproximação

Postado em 26 de março de 2026

Os deputados estaduais Ana Paula da Silva (PODE) e Emerson Stein (MDB) deixaram as rusgas do passado em segundo plano e voltaram às boas. Mais que isso, a propósito. Entre as opções do portobelense para a janela partidária, estaria o convite do PODEMOS, que a ex-prefeita de Bombinhas preside em Santa Catarina.

Stein entrou em desacordo com o MDB, que passou para a trincheira de João Rodrigues (PSD) ao tempo em que seu declarado arrimo tem sido ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A filiação ao PL, que tem o chefe do Estado como expoente supremo na seara barriga-verde, ainda vem sendo considerada.

Paulinha comanda, amanhã, no Hotel Faial, em Florianópolis, encontro da executiva estadual do PODEMOS. O destaque do evento deve ser o ingresso do mandatário da capital, Topázio Silveira Neto (ex-PSD), nas fileiras podemistas. Mas não seria surpresa se o ex-prefeito de Porto Belo aparecesse na lista de filiados e indicados para a nominata de pré-candidatos do partido ao parlamento catarinense. A conferir.

Ficha em branco

Postado em 19 de março de 2026
Foto: Divulgação

Aberta a janela partidária, o deputado estadual Emerson Stein (MDB) recebeu uma proposta sedutora: filiar-se ao PL e representar o partido na Costa Esmeralda e no Vale do Rio Tijucas. O convite partiu do governador Jorginho Mello (PL), que gostaria de seguir contando com o portobelense no seu rol de apoiadores.

A possibilidade de mudança decorre do cenário de incertezas no MDB catarinense. A legenda defendida por Stein se divide entre manter o alinhamento ao governo – e, consequentemente, ao plano de reeleição de Jorginho – e apostar em projeto independente. Indefinição que, da parte dele, nuca foi considerada.

O ex-prefeito de Porto Belo, que comandou a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e conquistou espaço na Assembleia Legislativa porque a Infraestrutura estadual foi cedida ao MDB, vem colocando a gratidão ao governador na prateleira mais alta. Aos seus, ele garante que seria pró-Jorginho em qualquer situação nestas eleições.

Consultado pelo Blog, Stein confirmou o convite para se filiar ao PL, mas explicou que “a proposta precisa ser avaliada com cautela”. Enquanto isso, as negociações seguem à toda nos bastidores da política barriga-verde.

Dignidade e poder: o dilema do MDB

Postado em 12 de março de 2026
Foto: MDB-SC/Divulgação

Considerando o forte fisiologismo político impregnado no MDB catarinense, os eventos regionais indicam que o partido pode lançar candidatura própria na disputa pelo governo do estado. A emancipação torna-se uma solução adequada na medida em que restabelece parte da dignidade partidária, após os emedebistas terem sido escorraçados da chapa do governador Jorginho Mello (PL).

Ao mesmo tempo, permite que o partido valorize seu apoio em um eventual segundo turno, quando poderá optar por aquele que apresentar maiores chances de vitória e, assim, voltar a ocupar espaços no futuro governo — reforçando sua já consagrada habilidade de orbitar o poder.

Nesse momento de tantas imprecisões no MDB catarinense, a única certeza é que um projeto independente nasce sem a viabilidade necessária para a vitória. Diante deste cenário, a maior dúvida é a de quem, dentro do grupo, estaria disposto a partir para o sacrifício e servir como boi de piranha.

O partido busca uma aproximação com o ex-governador e ex-senador Raimundo Colombo, que é cortejado a migrar para as fileiras do Manda Brasa e encabeçar a disputa pelo Executivo estadual, já que dentro do MDB, ao que parece, ninguém estaria disposto ao harakiri político.

Contudo, a saída de Colombo do PSD traria prejuízo direto ao projeto de João Rodrigues (PSD) na toada em que potencializaria a reeleição de Jorginho, o que pode apontar para um eventual “jogo de compadres” entre emedebistas e liberais.

O atual governador, inclusive, já mandou recado tanto para o MDB quanto para o PP: “melhor continuar no governo do que apostar em uma aventura”.

Sem uma liderança forte e amplamente reconhecida, sentar-se à mesa de quem estiver no poder parece ser a estratégia mais racional de sobrevivência — ainda que, para isso, seja necessário engolir o que resta do orgulho partidário.

Encontro liberal

Postado em 6 de março de 2026
Foto: Divulgação

Membros executivos do PL catarinense estiveram ontem em São João Batista, no Mirante Dell’Antonio, para uma vistoria ao local. Eles pretendem promover, em 11 abril, uma reunião de grandes proporções para correligionários do Vale do Rio Tijucas e querem a Capital Catarinense do Calçado como palco.

A escolha do espaço não foi por acaso. O proprietário, empresário Felipe Lemos, assina como presidente do PL no município e atua informalmente na estruturação regional da legenda. Nas redes sociais, ele registrou a visita da comitiva liberal e destacou o encontro com o vereador Jair Renan Bolsonaro, quarto filho do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, e com o coordenador do partido Heleno Orlandino Martins Júnior.

De acordo com a organização, a data foi conciliada com a agenda do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato a presidente da República, que estaria em território barriga-verde e poderia participar do evento. As presenças dos postulantes do PL ao Senado, Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni, estão confirmadas.

Ancoragem

Postado em 5 de março de 2026
Foto: Divulgação

As aspirações do deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva sobre a permanência no PL sem a sombra do ex-prefeito de Balneário Camboriú, Fabrício Oliveira, foram confirmadas ontem. Ele conseguiu tudo o que queria: o controle do partido do município e, consequentemente, vaga assegurada para tentar a reeleição ao parlamento entre os liberais.

Oliveira, por sua vez, conforme noticiado anteriormente no Blog, migrou para o REPUBLICANOS. A manobra tem as digitais do governador Jorginho Mello (PL), que manteve o ex-mandatário balneocamboriuense sob seu guarda-chuva político e, de quebra, contentou Carlos Humberto, que estava de malas prontas para o PSD.

Com a mudança, o deputado estadual passa a comandar, de fato e de direito, o PL em Balneário Camboriú, antes designado ao rival. A costura tem, sobretudo, aval da executiva nacional, evidenciada na escolha do vereador Jair Renan Bolsonaro, o quarto filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, para a vice-presidência do diretório local.

Guarda-chuva

Postado em 4 de março de 2026
Foto: TopElegance

O prefeito Maickon Campos Sgrott, que recentemente deixou o PP e se filiou ao PL, vem cumprindo com rigor a promessa de sustentação do partido onde foi eleito em 2024. A vereadora Maria Edésia da Silva Vargas (PP), que assumiu a Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação e Direitos Humanos anteontem, e o suplente Vilson José Porcíncula (PP), automaticamente alçado ao parlamento tijuquense, que o digam.

O prestígio ao PP, a propósito, contou, ainda, semanas atrás, com a nomeação da professora Fernanda Estela Rocha (PP), segunda suplente de vereadora do partido, na secretaria adjunta de Educação.

Assim que passou a ser especulado no PL, Campos Sgrott garantiu aos correligionários que, caso migrasse para a legenda do governador Jorginho Mello, não abandonaria o PP. O partido, setorizado no Desenvolvimento Econômico municipal, sob liderança da secretária Loisiane dos Santos, tem, agora, outra pasta no seu rol institucional, e mais uma secretaria adjunta. Internamente, os dirigentes progressistas vêm demostrando contentamento com as contemplações.

SC e o cabresto eleitoral 2.0

Postado em 27 de fevereiro de 2026
Foto: Divulgação

O PL confirmou na última quarta-feira (25) as candidaturas de Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro na disputa pelas vagas catarinenses ao Senado nas eleições de outubro, baixando a fervura, ao menos por enquanto, em torno da formação da chapa com Jorginho Mello.

A política brasileira já viveu sob a tutela do chamado “voto de cabresto”, onde a elite política, simbolizada pelos coronéis, impunha em quem as pessoas deveriam votar.

Santa Catarina parece viver uma nova fase desse mesmo voto de cabresto. Uma forma mais dissimulada, que começou com uma indicação imposta pelos coronéis (ou seriam capitães?), e que agora segue sob a sombra da candidatura daquela que, até aqui, aparece como a preferida dos barrigas-verdes.

Pode ter cartinha. Pode ter entrevista coletiva. Pode ter contrato com firma reconhecida em cartório. Mas uma coisa é certa: a candidatura de Carol ao Senado dependerá diretamente do desempenho de Carlos Bolsonaro nas pesquisas de opinião até as convenções partidárias em agosto.

Ela terá que trabalhar em conjunto — grudadinha — com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro para fazer com que os votos dele aumentem ou, no mínimo, ultrapassem a votação dela.

Caso contrário, se a candidatura de Carlos não decolar ou estiver ameaçada por outro nome, como Esperidião Amin (PP) ou Décio Lima (PT), por exemplo, uma coisa é certa: detonam De Toni – com o perdão do trocadilho – e anunciam qualquer outro candidato.

O objetivo central parece ser claro: concentrar os votos do PL no ex-vereador carioca e garantir sua eleição ao Senado por Santa Catarina. Ainda que isso signifique sacrificar uma aliada no caminho.

Resumindo: o apoio do catarinense a Carlos Bolsonaro será no cabresto. Quem quiser Carol De Toni como candidata terá de apoiar Carlos Bolsonaro — sem qualquer tipo de críticas públicas, sem dissensos estratégicos, sem ruídos. Porque, se ele cair nas pesquisas, quem cai é ela.