quarta-feira, 28 de outubro de 2026 VALE DO RIO TIJUCAS E COSTA ESMERALDA

O xadrez do Centrão

Postado em 28 de outubro de 2026
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Aposta em mudanças no sistema eleitoral e disputa por prefeituras marcam os novos movimentos do Centrão no tabuleiro nacional.

O resultado do primeiro turno acendeu o sinal vermelho no Centrão. A expressiva votação e a bancada recorde conquistada pelo PL expuseram a fragilidade dos partidos tradicionais, espremidos pelo avanço da polarização e ameaçados pelo risco real de encolhimento institucional.

Diante desse cenário de sobrevivência, lideranças partidárias apressaram a discussão no Congresso sobre mudanças no sistema eleitoral. A principal aposta é o modelo distrital misto, visto como antídoto para conter a força avassaladora dos grandes puxadores de votos na composição das bancadas.

A derrota do PL na disputa presidencial, contudo, alterou o tabuleiro e deu fôlego ao bloco. Após acenos táticos a Flávio Bolsonaro no auge da disputa, os caciques do Centrão já reorientam suas bússolas em direção ao Palácio do Planalto, sinalizando reaproximação com o governo Lula.

Mais do que espaço na Esplanada dos Ministérios, o olhar estratégico está voltado para as eleições municipais de 2028. O desafio do Centrão será erguer barreiras ao avanço do bolsonarismo nas prefeituras, preservando seu bem mais valioso: a influência e o domínio sobre as bases eleitorais no interior do país.

À esquerda

Postado em 28 de setembro de 2026
Foto: Reprodução

O ex-vice-prefeito de Tijucas, Sérgio Fernandes Cardoso (PSD), chamado popularmente de Coisa Querida, guinou 180º nestas eleições. Diferentemente de 2022, quando esteve na torcida por Jorginho Mello (PL) e Jair Bolsonaro (PL), ele, agora, decidiu caminhar com os candidatos da esquerda.

A preferência foi evidenciada no fim de semana, quando se reuniu com apoiadores em favor de Gelson Merisio (PSB) no governo de Santa Catarina e, textualmente, da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência da República. O manifesto foi gravado, e, desde então, vem chamando atenção nos grupos de conversação online e rodas sociais da região.

O posicionamento, contudo, tem menos a ver com ideologia e mais com gratulação. Cardoso e Merisio são amigos há três décadas, e foi por intermédio do ex-deputado estadual que o engenheiro tijuquense chegou à Diretoria Administrativa Financeira do Sebrae/SC nos anos 2010.

O candidato a governador do PSB acredita que consiga alcançar o segundo turno se estiver em campanha casada com Lula em Santa Catarina e conquistar, de acordo com pesquisas mais atuais, os 23% do eleitorado do presidente no estado. E, por estratégia, pediu ao ex-vice-prefeito de Tijucas, seu coordenador eleitoral no Vale, que manifeste efusivamente a dobradinha nos encontros com a militância. A mensagem, ao que se vê, foi compreendida e fielmente transmitida.

Pleito estratégico

Postado em 11 de agosto de 2026
Foto: Reprodução

O veterinário Tulio Tavares Santos, natural de Tijucas, apareceu no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como candidato a deputado estadual nestas eleições. O registro entrou para a lista de surpresas do pleito, e traz ao jogo eleitoral um personagem que, na região, ficou muito mais conhecido pelo que fazia nos bastidores do que dizia nos palanques.

Ele acumulou experiência como estrategista, sobretudo em disputas nas quais o MDB esteve envolvido, com articulações destacadas em Tijucas, Canelinha e São João Batista. Era, portanto, daqueles personagens que frequentemente apareciam nas fotos de campanha sem necessariamente disputar votos.

A ideia de tirar Tavares Santos das coxias, porém, já vinha sendo amadurecida. Semanas atrás, durante reunião em Canelinha, o presidente estadual do MDB e candidato a vice-governador, Carlos Chiodini, contou que vinha tentando convencer o correligionário a disputar a eleição. E convenceu.

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REESTREIA

A postulação do tijuquense radicado em Canelinha não se trata, propriamente, de uma novidade. Em 1998, ainda pelo PMDB, ele concorreu à Assembleia Legislativa, obteve 9.533 votos e terminou como suplente. Quase três décadas depois, troca a prancheta pelo palanque — e passa a viver, na prática, a campanha que tantas vezes ajudou a construir para os outros.

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METODOLOGIA

Tavares Santos entra na disputa, presume-se, mais para contribuir com o partido do que por convicção. Os apelos de Chiodini evidenciaram a dificuldade na montagem de uma nominata competitiva especialmente no Vale do Rio Tijucas, e a candidatura do veterinário cumpre uma função que ele conhece como poucos: a de ser estratégica.

João Santana e o Brasil pragmático

Postado em 25 de junho de 2026
Foto: Compol 2026/Divulgação

O maior evento de comunicação política do Brasil, o Compol 2026, recebeu uma das figuras mais influentes do marketing eleitoral mundial. João Santana, o publicitário responsável pelas campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, subiu ao palco e, em poucos minutos, colocou em xeque boa parte das premissas que orientam as estratégias eleitorais em curso no país.

Apelidado de “O Mago” ou “O Bruxo” — pela capacidade quase mítica de reverter cenários altamente desfavoráveis e eleger candidatos dados como inelegíveis —, Santana não veio relembrar campanhas históricas. Veio com uma tese: o Brasil não é um país polarizado.

Contrariando pesquisadores, jornalistas e lideranças políticas, Santana sustentou que a divisão que se observa no debate público não é ideológica, mas socioeconômica e territorial. Para ele, o eleitorado brasileiro é majoritariamente pragmático e ideologicamente inconsistente — ou seja, a maior parte dos eleitores não compreende as diferenças reais entre esquerda e direita e, na prática, defende pautas dos dois campos simultaneamente. A polarização, afirmou, existe, mas ocorre nas elites sociais e nos meios de comunicação, não nas ruas.

A provocação de Santana tem implicação direta no ciclo eleitoral de 2026: se a maioria das estratégias está sendo construída sobre a premissa de um eleitorado polarizado, elas podem estar mirando o alvo errado.

A plateia deixou o evento encantada — e confusa. Talvez seja essa a verdadeira feitiçaria de João Santana: não entregar respostas, mas plantar dúvidas em quem chegou com certezas demais. Quem passou os últimos meses construindo estratégia eleitoral sobre a premissa da polarização saiu do Compol 2026 com uma pedra no sapato. E a sensação incômoda de que pode ter errado o diagnóstico antes mesmo de começar a campanha.

Aqui em Santa Catarina, o recado ressoa com urgência. No estado mais bolsonarista do país, há pré-candidatos que fazem pré-campanha sem conseguir decolar. Para alguns, estratégia já não basta — vão precisar de magia. E o primeiro passo pode ser ligar para João Santana.

Dividir para enfraquecer

Postado em 27 de março de 2026
Foto: Divulgação

Grandes estrategistas da história como Sun Tzu, Júlio César e Nicolau Maquiavel tinham em seu repertório de artimanhas o uso do método “dividir para enfraquecer”. E esse parece ser o plano adotado pelo governador Jorginho Mello (PL) para neutralizar possíveis adversários nas eleições de 2026.

O encerramento da janela partidária, na próxima semana, dará maior clareza sobre o quanto essa proposta foi — ou não — bem-sucedida. Mas até aqui, os sinais são favoráveis ao chefe do Executivo catarinense.

O “chega pra lá” dado no MDB — que sonhava ocupar a vaga de vice-governador — rachou o partido. Parte da bancada já declara apoio a Jorginho, como Jerry Comper e Emerson Stein, ainda que oficialmente possam integrar a chapa de João Rodrigues (PSD).

O convite a Adriano Silva (NOVO) para ser vice retirou o prefeito de Joinville de uma eventual candidatura ao governo do estado e fez cessar as críticas do presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, que teve de engolir alguns sapos para manter o NOVO unido.

O UNIÃO BRASIL, federado ao PROGRESSISTAS, também assiste parte de sua bancada migrar para a órbita de Jorginho, enquanto seu presidente, Fabio Schiochet, senta à mesa com João Rodrigues para negociar uma aliança.

O PP parece ser a sigla mais abalada pelas investidas do governador. O senador e pré-candidato Esperidião Amin chegou ao ponto de derrubar a executiva estadual e assumir pessoalmente a presidência do partido em Santa Catarina — com aval do presidente nacional
Ciro Nogueira —, em resposta ao movimento de uma ala que declarou apoio à reeleição de Jorginho.

No PSD, partido de João Rodrigues — que deve disputar com Jorginho tanto o título de maior nome bolsonarista de Santa Catarina quanto o cargo de governador —, a estratégia do divide e conquista levou o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, a partir para o ataque contra a legenda que o projetou politicamente.

Diante de tantas fraturas partidárias, resta saber como os próprios membros do PL e seus satélites — REPUBLICANOS e PODEMOS — se comportarão com a chegada de uma variedade enorme de novas lideranças disputando atenção e espaço junto ao governador em ano eleitoral.

Sequência óbvia

Postado em 26 de agosto de 2025
Foto: Arquivo pessoal

Tem sido cada vez mais evidente que a proposta de sucessão do prefeito Joel Orlando Lucinda (MDB), em Porto Belo, foi definida. Nunca o vice-prefeito Ailto Neckel de Souza (PL) apareceu tanto nas publicações oficiais quanto nos últimos meses.

Os discursos são casados. Lucinda, que passou sete mandatos na vereança e cumpre o segundo consecutivo na prefeitura, garante que deixa a política no fim da gestão; e o adjunto, sem perder tempo, coloca-se como opção natural – ou única – de continuidade. Na conta, os mais de 87% da preferência do eleitorado portobelense que conquistaram no pleito de 2024.

Desde a virada do mandato, os holofotes da prefeitura focam de igual modo em dois pontos, e os anúncios de entregas à comunidade nas redes sociais são sempre divididos, com prefeito e vice na mesma tomada. Pode parecer cedo, mas a comunicação estratégica do pleito de 2028 já começou.

Roteiro padrão

Postado em 2 de junho de 2025
Foto: Divulgação

A ex-prefeita de Itapema, Nilza Simas (PL), que atualmente exerce função comissionada na Secretaria de Estado da Saúde, vem aproveitando a posição para ampliar sua visibilidade no território barriga-verde. Com pré-candidatura confirmada para uma das cadeiras da Assembleia Legislativa em 2026, ela tem visitado o maior número de municípios que consegue e estabelecido relações por onde passa.

Semana passada, por exemplo, esteve no planalto norte catarinense, em unidades de Saúde adjacentes. E os trajetos remotos, principalmente daqui em diante, tendem ser frequentes. A prática tem sido cada vez mais comum entre ex-prefeitos, conhecidos na esfera local, que buscam estadualizar seus nomes e articular com lideranças regionais.

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PARÂMETRO

Mais recentemente, a estratégia foi usada pelo ex-prefeito de São João Batista, Daniel Netto Cândido (então no PODEMOS), que, como secretário adjunto do Desenvolvimento Social no governo de Carlos Moisés da Silva (REPUBLICANOS), construiu alianças em várias regiões de Santa Catarina e chegou à primeira suplência do partido na Alesc.

Hora da partilha

Postado em 21 de outubro de 2024
Foto: Divulgação

Membros do UNIÃO BRASIL de Tijucas, partido que integra a aliança do prefeito eleito Maickon Campos Sgrott (PP), marcaram para a próxima sexta-feira (25) o início das negociações com o futuro comando do município.

A data coincide com o retorno do empresário Mário César Poli ao Brasil depois de uma incursão à China. Embora não seja oficialmente membro da executiva local da legenda, são dele as atribuições estratégicas do grupo na seara tijuquense.

Segundo fontes ligadas ao UNIÃO, o acordo envolve participação consistente no governo e o controle de uma parcela da estrutura administrativa na gestão de Campos Sgrott. A Secretaria de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente, a propósito, que o PSD estaria reivindicando – e que teria o vereador Paulo César “Frango” Pereira como nome à disposição –, seria uma das que compõem o trato.

“EU E CASCA DE BALA”…
As discussões, obviamente, tendem a ser brandas e harmoniosas. A relação estreita entre o prefeito eleito e o vereador Maurício Poli, figura basal do UNIÃO e campeão de votos no pleito proporcional, facilitaria significativamente as tratativas.

Motivo, talvez, que exija a presença e o pulso do irmão do parlamentar, Mário Cesar, na mesa de negociações.

Dados questionáveis

Postado em 17 de setembro de 2024
Foto: Internet

Exatos 19 dias separam esta terça-feira da data das eleições municipais, em 6 de outubro próximo. Na reta final da corrida pelas prefeituras, em São João Batista o assunto volta a ser o mesmo de pleitos passados.

Especula-se na Capital Catarinense do Calçado que uma pesquisa eleitoral de números controversos pode ser divulgada a qualquer momento. O tema já entrou no radar das coligações envolvidas na disputa, que vêm buscando mais informações a respeito da coleta dos dados, da idoneidade do instituto, e confabulando sobre os contratantes do levantamento.

Fatos similares já ocorreram no passado e agitaram as semanas antecedentes ao domingo de votação. Via de regra, entretanto, a estratégia costuma provocar efeito contrário ao pretendido, com o anunciado líder peremptoriamente vencido no pleito. A conferir.

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COMPLEMENTO

Ao verificar o registro da pesquisa nos mecanismos da Justiça Eleitoral, e já com a nota publicada, o Blog constatou que o contratante do levantamento é o jornal Correio Catarinense – contrapondo informações preliminares, de que um tradicional movimento político de São João Batista seria o responsável.

Por se tratar de um veículo de imprensa sem máculas, gerido por pessoas que defendem com integridade os preceitos do jornalismo, imparcial e impessoal, reiteramos firmemente que qualquer especulação ou pressuposição acerca da idoneidade da pesquisa não traduzem o nosso parecer. 

Arapuca

Postado em 6 de agosto de 2024
Foto: Arquivo Pessoal

Boa parte das esperanças emedebistas de fazer contraponto ao prefeito Diogo Francisco Alves Maciel (PL) foram depositadas no jovem advogado Alesson Alexandre Cardozo, ex-chefe de Gabinete da gestão Moacir Montibeler.

Cardozo era tratado internamente como a “melhor opção” do partido para o enfrentamento nas urnas. Há quem diga, a propósito, que Montibeler já deveria ter “passado o bastão” em 2020, o que segundo os mais otimistas elevaria as chances de vitória do então grupo governista no pleito.

Embora o ex-chefe de Gabinete tenha recusado inúmeras investidas do grupo ao longo de três anos, a última veio durante a convenção partidária. Cardozo foi convocado pela vereadora Neli Ferreira Trindade para “auxiliar juridicamente” na decisão das lideranças, momentos antes do anúncio final.

Entretanto, não havia qualquer necessidade de apoio profissional e a conversa, na verdade, tratava-se de mais uma tentativa de reverter a decisão e lançar Cardozo como pré-candidato do partido no projeto de retomada da prefeitura.

A estratégia não deu resultado e o convite outra vez foi recusado. O Blog apurou, a propósito, que o canelinhense deve atuar no departamento jurídico da campanha de Elmis Mannrich (MDB), na vizinha Tijucas.