O perfil altamente sincero do vereador Cláudio de Oliveira (PP), de Tijucas, já é conhecido no meio político do município. O servidor público, quase sempre, opta por falar o que pensa e não esconde insatisfações, mesmo que para desgosto de seus pares.
Pois, logo na abertura do ano legislativo na Câmara de Vereadores, dias atrás, Oliveira deu mais um exemplo desta postura. Sem rodeios, na primeira oportunidade que teve, anunciou que, em março, na abertura da janela de transferências partidárias, deixará o Progressistas.
“Esse é um ano muito importante, um ano eleitoral. Vamos ter que escolher sempre o melhor pra Tijucas. Decidi que, em março, vou sair do PP. Vou para o União Brasil. Espero o apoio sempre da minha família e dos amigos”, bradou, no microfone da Casa do Povo.
ALIANÇA
O Blog já havia noticiado, meses atrás, a presença do parlamentar tijuquense em um evento do União Brasil que, em Tijucas, tem como grande expoente o ex-presidente do Poder Legislativo, Maurício Poli, com quem Oliveira nutre relação próxima. A amizade, sem dúvidas, foi fator decisivo para a mudança.
A posse da técnica em enfermagem Adenilza Iolanda Ramos (PDT), na Câmara de Vereadores de Tijucas, dias atrás, foi histórica. Afinal, “Dedê”, como ficou conhecida, passa a ser a primeira – e única, até hoje -, mulher negra a ocupar uma cadeira do Legislativo municipal.
A vereadora permanecerá no cargo por 30 dias, durante a licença do titular, Cláudio Eduardo de Souza (PDT). Em sua posse, Adenilza reforçou a importância da representatividade. “Quando olho para trás, vejo o legado de mulheres inspiradoras, como minha mãe. Hoje, como primeira mulher negra a assumir uma cadeira nesta Casa, vejo que finalmente seremos representadas, ainda que tenha demorado 76 anos para que este momento chegasse”, pontuou.
O Poder Legislativo de Tijucas, instituído em 1948, teve apenas outros dois vereadores negros. O primeiro foi Luiz Antonio da Silva, conhecido como “Luiz da Farmácia”, em 1983. Somente em 2023, após 40 anos, o segundo, Édson Ferreira de Lima, o “Edinho do Casarão”, assumiu uma cadeira no parlamento municipal, mas, este, por 30 dias.
O vereador mais votado do último pleito e novo presidente do PDT em Tijucas, Cláudio Eduardo de Souza, assumiu, em entrevista ao programa LINHA DE FRENTE, ontem, a pré-candidatura a prefeito nestas eleições. A predisposição, entretanto, foi provocada a partir da saída do candidato lançado pela legenda em 2020, Thiago Peixoto dos Anjos, que migrou para o PL.
Souza explicou que, antes da desfiliação do empresário, aparecia apenas como uma possibilidade – depois de ser lembrado em uma pesquisa espontânea. Entretanto, com a ida de Peixoto dos Anjos ao PL, sua pré-candidatura ganhou força.
“Hoje sou pré-candidato a prefeito pelo PDT. [Foi decidido] Com a saída do Thiago. Meu nome aparecia nas pesquisas. Algumas nem colocavam o nome, mas aparecia na espontânea. Por conta disso, as lideranças dos grupos de oposição começaram: ‘vem conversar também’. Até então, era isso”, disse.
Embora esteja disposto a concorrer na majoritária, o jornalista garante que pretende seguir o seu “propósito”, guiado pela fé que sempre o acompanhou. “Se eu precisar ser candidato a vereador novamente, eu vou entender e não vou ter uma frustração. Mas, hoje, eu estou pré-candidato a prefeito pelo PDT. Se precisar que eu recue, por alguma situação, eu vou recuar. Mas, se eu tiver a possibilidade e, com a fé que eu tenho, o homem [Deus] disser ‘és tu que vais fazer a diferença na vida do povo, Ele vai abrir essa porta e em 2025 eu vou estar lá”, completou.
CONJUNTURA
Existe, atualmente, uma clara aproximação dos pedetistas com o MDB local. O nome do parlamentar, inclusive, foi especulado como um possível reforço para a legenda que mais vezes administrou a cidade e que tentará, em outubro, retornar à prefeitura. Entretanto, Souza explica que a boa relação se justifica por terem as mesmas intenções.
“Com base no que o MDB acredita, hoje, em relação ao atual governo, à estrutura administrativa… tanto o PDT se vê no projeto do MDB, como o MDB é bem-vindo ao projeto do PDT. Nós temos conversado bastante. Outras lideranças do PDT têm conversado com pessoas do MDB, para que possamos reforçar esse projeto, para apresentar essa alternativa pra Tijucas, para os eleitores e para aqueles que não querem a continuação do que está hoje na prefeitura”, explicou.
A coalizão PSD/PL em Tijucas, costurada engenhosamente pelo vice-prefeito Sérgio “Coisa Querida” Cardoso (PSD) – e depois, com autoria despojada para o prefeito Eloi Mariano Rocha (PSD) –, quebrou na emenda.
A regência municipal do partido do governador Jorginho Mello cansou de esperar. Mariano Rocha, por acordo, entraria com a indicação do representante do grupo na concorrência majoritária de outubro para que o PL definisse o complemento da chapa. Mas a procrastinação do chefe do Executivo tijuquense acabou irritando os liberalistas – que argumentaram pressa na resolução de estratégias para o pleito, como, especialmente, a formação de uma nominata consistente de postulantes à Câmara Municipal.
Como contragolpe, e para mostrar descontentamento com a violação do tratado, a representação do PL local se reuniu ontem com a cúpula estadual do partido e definiu que deve concorrer à prefeitura de Tijucas nestas eleições. Há, entretanto, impasse na decisão entre o empresário Thiago Peixoto dos Anjos, segundo colocado no pleito de 2020, que chegou à legenda em dezembro, e o vereador Fernando Fagundes, que continua no MDB, mas com promessa de assinar filiação na janela de março.
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EM CIMA DO MURO
Conforme noticiado anteriormente no Blog, a indecisão do prefeito sobre o candidato governista na concorrência majoritária tem frustrado, inclusive, apoiadores da gestão.
Seguidas reuniões do grupo, a propósito, têm sido realizadas sem a presença de Mariano Rocha para debater o assunto. Conselheiros da administração municipal, nestes encontros, teriam elencado prejuízos que a postergação das definições pudesse causar. E um deles seria o afastamento do PL, que vem se confirmando.
MEDIDA DESESPERADA
O prefeito tem encontro às pressas, hoje, com o braço direito do governador Jorginho Mello e presidente do PL em Florianópolis, Heleno Orlandino, para tentar minimizar os danos.
O proponente da reunião teria sido o deputado federal Darci de Matos (PSD), que deve participar das negociações. Entre eles, deve estar, ainda, o vereador Rudnei de Amorim, talvez a indicação de ordem de Mariano Rocha no ensaio de uma retomada da conjuntura.
Os dias 28 de novembro, a partir de agora, em Tijucas, serão reconhecidos como uma data para a doação. A Lei que institui o “Dia de Doar”, nº 3.035/2024, sancionada pelo Poder Executivo, foi criada através do Projeto de Lei nº 50/2023, de autoria do vereador Fernando Fagundes (MDB).
A intenção é incentivar, tanto instituições, o próprio poder público e pessoas físicas a praticarem ações e estejam engajados em contribuir com causas, organizações da sociedade civil e moradores de comunidades mais carentes.
Itens como alimentos, roupas, calçados, roupas de cama, mesa e banho, materiais de higiene, brinquedos, materiais escolares, livros, materiais de construção, móveis e decoração, prestação de serviços voluntários e até doação de sangue, plaquetas e medula, serão incentivados no Dia de Doar.
“Fico feliz com essa Lei. É mais um grande incentivo para ajudar a quem precisa. Tijucas mais uma vez dá exemplo quando o assunto é solidariedade”, afirmou, ao Blog, o vereador autor do projeto.
A procrastinação do prefeito Eloi Mariano Rocha (PSD) quanto a indicação de um nome para a disputa da sucessão municipal tem, a cada dia sem respostas, incomodado mais a velha guarda cola-branca de Tijucas. Figuras históricas e decisivas do grupo – que, inclusive, optaram por ele em tempo hábil naquela fatídica concorrência interna de 2016, contra o ex-vereador Antônio Zeferino Amorim – têm questionado a hesitação do mandatário tijuquense e vêm tomando as rédeas do processo.
Dois apoiadores da gestão, a propósito, estiveram recentemente na prefeitura para cobrar um posicionamento de Mariano Rocha. O resultado do cara-a-cara foi exposto na quarta-feira (24), sem a presença do chefe do Executivo municipal ou de qualquer pré-candidato governista, mas com personagens cabais do movimento em volta da mesa. De acordo com fontes precisas do Blog, a base de apoio já definiu algumas estratégias e agendou outra reunião para esta semana.
Embora disputem o direito de representar o grupo governista no pleito de outubro, os dois pré-candidatos do PSD à prefeitura de Tijucas, Sérgio “Coisa Querida” Cardoso e Rudnei de Amorim, optaram por, até aqui, manter a cordialidade e respeito no duelo.
O vice-prefeito e o vereador, naturalmente, mantém atividades paralelas e apresentam seus predicados. Mas, segundo fontes do Blog, ambos preferem deixar qualquer diferença de lado e zelar pela unidade do “time” construído ao longo dos últimos anos.
A dupla defende que o grupo precisa trabalhar em uma única direção, para que consiga a sucessão do governo de Eloi Mariano Rocha. A expectativa, ainda, é de que o preterido, independentemente de quem seja, mantenha-se ativo na campanha.
Uma pesquisa de intenção de votos, inclusive, foi contratada e deve ser aplicada ainda neste mês. O intuito é identificar, justamente, quem se apresenta como opção mais viável para o pleito que se avizinha.
Uma profecia lançada pelo deputado estadual Carlos Humberto Metzner Silva (PL), neste final de semana, causou alvoroço no meio político do Vale do Rio Tijucas. Uma foto, três personagens da região e uma legenda forte foram o suficiente para o barulho.
O parlamentar foi fotografado, em um evento promovido na Marina Rio Tijucas, cercado pelo prefeito Diogo Francisco Alves Maciel (PL), de Canelinha, o empresário Felipe Lemos (PL), de São João Batista, e o vereador Fernando Fagundes (MDB), de Tijucas.
No retrato, Metzner Silva cravou: “atual e futuros prefeitos”. Com “atual”, óbvio, o parlamentar se referia ao canelinhense, eleito em 2020 e candidato natural à reeleição em outubro. Já Lemos e Fagundes se lançaram como pré-candidatos em suas respectivas cidades.
O empresário, entretanto, teria um caminho menos conturbado. Afinal, aparece como a grande liderança construída pelo PL na Capital Catarinense do Calçado, preside a legenda e é o único pré-candidato do grupo. A situação do herdeiro da família Fagundes é a mais indefinida entre os três.
Vereador por quatro mandatos consecutivos, Fernando garante que quer concorrer à prefeitura em 2024. Mas, internamente, enfrenta a disputa com o ex-prefeito e presidente do MDB local, Elmis Mannrich. Fagundes, aliás, segue sendo assediado pelo PL e Metzner Silva é, justamente, o maior entusiasta da filiação.
Se ela acontecerá ou não, só o tempo, o único e verdadeiro senhor da razão, dirá. Mas as profecias… essas estão devidamente lançadas.
Ao tempo em que o PDT de Tijucas se reestrutura, renova as expectativas e caminha para o pleito de outubro sob nova direção, perde em representatividade com a saída iminente do vereador Erivelto Leal dos Santos, o Danone. Ele permanece no partido apenas até 6 de abril, no fim da janela de transferências, e, inclusive, já comunicou a regência local da legenda sobre a decisão.
O movimento, segundo apurado pelo Blog, não tem a ver com a mudança de comando e, sobretudo, com o ingresso do colega de parlamento Cláudio Eduardo de Souza na presidência da comissão municipal – que, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), teve atividade encerrada em setembro de 2021. “Sempre cobrei que estivéssemos unidos e atuantes, e que o partido se fortalecesse. Ficamos três anos sem qualquer ação nesse sentido”, reclama.
FUTURO
Leal dos Santos garante que continua na política e que deve se recandidatar ao Legislativo nas próximas eleições, mas com outra legenda. “Tenho convites de muitos partidos e boa relação com todos. MDB, PP, PL e PT são alguns. Posso estar na oposição ou na situação”, revela o vereador.
“Não existe a mínima possibilidade de recuar”, responde o ex-prefeito Elmis Mannrich (MDB), de Tijucas, quando perguntado se continua inclinado a concorrer no pleito majoritário deste ano. Ele afirma que segue monitorando o cenário eleitoral do município e que teria, segundo as pesquisas, as maiores chances de conquista da prefeitura no partido.
“O candidato deve ser quem tem mais densidade eleitoral, independentemente do nome. Não vamos jogar uma pelada de fim de semana. A coisa é séria”, alerta o ex-mandatário tijuquense sobre a propalada concorrência interna, especialmente com o vereador Fernando Fagundes (MDB), que também se coloca à disposição da legenda para a disputa da prefeitura. O ex-prefeito Valério Tomazi (MDB) ainda seria uma alternativa.
Mannrich, entretanto, considera que a caminhada seria dificultada caso a oposição se divida – em clara alusão à postura do empresário Thiago Peixoto dos Anjos (PL), segundo colocado no pleito de 2020, que, neste momento, estaria mais próximo do vice-prefeito Sérgio “Coisa Querida” Cardoso (PSD) e de um acordo com o grupo governista. “Precisamos estar juntos, porque as pesquisas mostram que nosso projeto vem crescendo e se consolidando”, diz.